16 de ago. de 2011

Indícios de grupo Awá-Guajá isolado são localizados no Maranhão

    Indígenas da aldeia Awá, na Terra Indígena Caru, encontraram tapiris (barracos de palhas) de um acampamento temporário de parentes Awá-Guajá livres – ou em situação de isolamento voluntário. Segundo os Awá-Guajá, “eram seis pequenos tapiris e no entorno uma grande quantidades de cascos de jabutis, caroços de inajás e casca de coco babaçu”. Pelas investigações dos indígenas, o grupo “não possui nenhuma ferramenta de corte, sendo as palhas, as madeiras e os cipós para a construção dos tapiris realizadas somente com o uso das mãos”.
    Os Awá-Guajá acreditam que “eles tenham deixado o acampamento poucos dias antes de o encontrarmos”. Os Awá-Guajá recolheram uma flecha e um cesto tradicional, ambos foram entregues ao funcionário regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) local.
    A primeira preocupação dos Awá-Guajá, ao relatarem a situação, é o contato (da sociedade envolvente) com o grupo: “Os madeireiros vão matá-los!”. A preocupação se desdobra: “Os madeireiros continuam na floresta. Eles continuam a abrir estradas, aterrando pequenos rios e igarapés, construindo pequenas pontes. Eles também têm despejados grandes quantidades de pilhas, de embalagens de munição, de alimentos e de combustíveis nos rios”. De fato, os relatos dos Awá-Guajá demonstram que os madeireiros continuam suas atividades no interior do território sem serem importunados.
    Os indígenas continuam a fazer suas incursões para a floresta em busca de caça e coleta. Em visita a esses lugares, eles constataram também a continuidade das grandes roças abertas em mata nativa. Consequentemente há uma perda e uma diminuição desses lugares: “São muitas e grandes roças. Há muito arroz e gente carregando madeira. São áreas com mais de 100 linhas de mata derrubada. Essas roças estão acabando com a nossa floresta”, dizem.
    Essa prática é uma realidade na Terra Indígena Caru e tem significado, continuamente, a derrubada de grandes áreas de floresta. Mas o que assusta, sobretudo, é constatar que essa é também a prática adotada pela Funai.
    Prática financiada pela Vale (com os recursos da compensação da empresa aos indígenas, administrado por um GT Funai /Vale. Portaria FUNAI nº 169, de 28/01/2011) que põe em risco dois princípios fundamentais na vida dos Awá-Guajá: a destruição do maior patrimônio de um povo caçador e coletor, as florestas; e a eliminação das condições/bens do projeto de vida do povo. “Queremos viver com a floresta de pé para continuar a comer de graça”, afirmação insistente dos Awá-Guajá.
    Para 2011, o plano de ação do GT Vale/Funai está voltado para o financiamento da agropecuária e da agricultura da derrubada e queima de florestas (roças de toco ou coivara). Essas ações trazem como resultado a degradação do território Awá-Guajá e a expansão da macro economia. Isso significa a introdução do modelo do agronegócio - que atenta e ataca profundamente a economia própria dos povos indígenas.
    Os impactos sobre esse povo e seu modo de vida tendem a se agravar com a expansão dos trilhos da Ferrovia Carajás. Segundo pôde-se constatar junto aos Awá-Guajá, das aldeias Awá e Tiracambu, até o momento essas comunidades não foram ainda ouvidas sobre a expansão da Vale.
    Para a mineradora implementar o projeto, a demarcação da Terra Indígena Awá foi uma condicionante. Passados mais de 30 anos, a Terra Indígena Awá permanece uma incógnita diante da devastação acelerada e da omissão na não conclusão do processo de regularização fundiária.
    A Vale poderá iniciar novo empreendimento, ampliando ainda mais os impactos sobre esse povo e sem ter resolvido problemas anteriores? O Estado brasileiro concederá licença mesmo em divida com os Awá-Guajá pela implantação do projeto, na década de 80?
    Os Awá-Guajá e seus aliados aguardam o julgamento das ações que se encontram sobre a mesa do desembargador Jirair Aram Meguerian do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região do Distrito Federal (DF). Em recente visita de lideranças Awá-Guajá ao desembargador, este lhes garantiu que até fevereiro deste ano julgaria todas as ações. O que ainda não ocorreu.
    Enquanto isso, os Awá-Guajá livres continuam sob risco de extinção, madeireiros não são importunados, o avanço da derrubada e queima de grandes áreas de floresta nativa segue, o avanço da agropecuária ocorre de forma indiscriminada, a Terra Indígena Awá continua sendo loteada em um persistente e incontrolável processo de invasão e destruição.
    Há uma fazenda de grãos, alojada dentro da reserva indígena, que recentemente chegou a ser multada no valor de R$ 127 mil por expansão do desmate. O pior: continua na área. Também o Ministério Público Federal (MDF) do Maranhão propôs Ação Civil Pública (ACP) para impedir o loteamento e negociação de áreas dentro da Terra Indígena Awá, a partir da identificação de responsável pela venda de área dos indígenas, localizada nas proximidades do município de São João do Caru, a oeste do estado do Maranhão.
    O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) continua a oferecer apoio solidário, juntamente com os demais defensores dos direitos humanos e das florestas, em aliança junto a esse povo, buscando garantir que seu projeto de vida se mantenha e que o Estado brasileiro proteja e desentruse seu território; que a política de saúde e da assistência sejam efetivamente especificas e diferenciadas, conforme manda a Constituição Brasileira.
    Espera que o TRF, diante da continuidade da grave violação dos direitos desse povo e seu patrimônio, não tarde sua decisão, bem como os órgãos responsáveis cumpram seu papel, sob o risco da extinção dessa singular e bela existência que representa para o mundo o povo Awá-Guajá.
Do CIMI - MA

Dia de Luta em Defesa da Educação

Leoni e Frank Aguiar depõem na CPI do Ecad

     A CPI do Ecad trará uma série de artistas ao Senado nos próximos dias. Muitos deles com a mala repleta de graves acusações contra o órgão arrecadador de direito autorais. O músico, ex-deputado federal, atual vice-prefeito de São Bernardo Campo (SP), Frank Aguiar, participa de audiência nesta terça-feira ao lado do cantor Leoni.
    Alvo de investigação parlamentar instalada em junho, o órgão nega as acusações de abuso da ordem econômica e prática de cartel.
Sem meias palavras
    A mãe do cantor e compositor Cazuza, Lucinha Araújo, acusa o órgão de “meter a mão”, como disse há poucos dias ao JB. Lucinha falará à comissão sobre a queda na arrecadação sobre as músicas do filho.
Fortes suspeitas
    Os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AM) e Lindberg Farias (PT-RJ) estão convencidos da existência de um esquema de desvio de dinheiro do Ecad.
Do Jornal do Brasil

Pedro Novais fala na Cãmara sobre desvio de recursos da sua pasta

    O ministro do Turismo, Pedro Novais, virá à Câmara nesta terça-feira (16) para dar esclarecimentos sobre denúncias de desvio de recursos públicos na sua Pasta feitas pelo Ministério Público Federal do Amapá e pela Polícia Federal. A audiência será realizada pela Comissão de Defesa do Consumidor.
    O requerimento de convocação de Novais (convertido em convite) foi apresentado pelos deputados Reguffe (PDT-DF) e Ivan Valente (Psol-SP). Reguffe afirmou que Novais tem obrigação de prestar esclarecimentos para a sociedade. Ivan Valente afirmou que a situação é muito grave, já que, no total, podem ter sido desviados mais de R$ 10 milhões.
    As comissões de Fiscalização Financeira e Controle; e de Turismo e Desporto também aprovaram convites para o ministro dar explicações sobre as denúncias.
    A reunião será realizada às 15 horas, no Plenário 11.
Da Agência Câmara

ISTOÉ Notícia

No claudiohumberto.com.br

MAIOR SUJEIRA
Investigada pelo Ministério Público no esquema do lixo da Prefeitura de Maceió, a empresa Limpel parte agora para o crime ambiental: quer implantar uma central de tratamento de lixo na única reserva florestal de Pilar, perto da capital, uma das mais antigas de Alagoas.

Manchetes dos jornais

Maranhão
ATOS E FATOS - Dilma Rousseff virá ao Maranhão no dia 26
CORREIO DE NOTÍCIAS - 12 mil maranhenses são beneficiados com Terra Legal
JORNAL PEQUENO- Desembargador suspende embargo da via expressa
O DEBATE - Convênio  do Terra Legal beneficia 12 mil no Maranhão
O ESTADO DO MARANHÃO - Roseana assina o "Terra Legal" 
O IMPARCIAL - Aposentadorias vão abrir 425 mil vagas em 4 anos
TRIBUNA DO NORDESTE - Dilma tira o ganho real de aposentado em 2012
Nacional
CORREIO BRASILIENSE:Aposentados vão ficar sem ganho real em 2012
FOLHA DE S. PAULO:Para servidor, ministério de Rossi está corrompido
ESTADO DE MINAS:Aposentados ficam sem aumento real em 2012
O ESTADO DE SÃO PAULO:Governo veta aumento real no valor da aposentadoria
O GLOBO:Dilma veta aumento real já acertado para aposentado
VALOR:Bancos públicos voltam a puxar expansão do crédito
ZERO HORA:Número de mortes no trânsito cai 11% no RS
Regional
DIÁRIO DO PARÁ:Bebê morre de fome abandonado pela mãe
JORNAL DO COMMERCIO:Dilma veta aumento real para aposentados
O POVO:População de rua cresce seis vezes em três anos
BRASÍLIA - A Operação Voucher levou 36 pessoas acusadas de corrupção ao Instituto de Administração Penitenciária de Macapá, pôs em xeque o mandato da deputada Fátima Pelaes (PMDB), mas nem por isso alterou a rotina da população local. O Amapá já parece se acostumar a ser alvo de operações da Polícia Federal. De 2003 até o momento, a PF realizou 39 ações de combate ao desvio de verbas da saúde, da educação, e de obras, entre outras, em Macapá e adjacências.
    As operações, algumas entre as mais impactantes da polícia, resultaram na prisão de um número recorde de pessoas. Nos últimos oito anos, foram detidos 308 políticos, servidores públicos e empresários acusados de fraudes com dinheiro repassado pelo governo federal. Os dados foram compilados por dirigentes do PSOL local. A última incursão da polícia em nichos de corrupção no estado aconteceu há menos de um ano. Cerca de 75% da economia do Amapá gira em torno de verbas públicas.
    Deflagrada uma semana antes do primeiro turno das eleições, a Operação Mãos Limpas resultou na prisão do governador Pedro Paulo (PP), em pleno exercício do cargo; do ex-governador Waldez Goes (PDT) e do presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Amajás (PSDB), entre outros influentes políticos da região. O ex-governador João Capiberibe (PSB) também teve o mandato de senador cassado em 2005 depois de ser acusado de compra de votos.
    O senador Randolfo Rodrigues (PSOL-AP) diz que o alto grau de corrupção dos poderes públicos não é uma exclusividade do Amapá, mas reconhece que no estado o problema, de fato, é grave. Historiador por formação profissional, Rodrigues argumenta que desvios de conduta têm origem nas elites que se apoderam do estado ao longo de sua formação. O isolamento geográfico também teria ajudado a reforçar a sensação de que ninguém seria punido por mais tosco que fossem os crimes.
- Criou-se aqui uma cultura muito forte de se misturar o público com o privado, e muitos se valem da impunidade em torno disso - afirmou o senador.
    Um dos primeiros políticos atingidos numa investigação por corrupção foi o ex-prefeito de Macapá João Henrique Pimentel. Ele era do PT na época e agora está no PR. Pimentel foi um dos presos na Operação Pororoca, em 2004. Entre os detidos estava o secretário de Saúde. Desde então, outros dois secretários de Saúde foram detidos e nem assim a sangria aos cofres públicos foi estancada. Até hoje as obras do Hospital Metropolitano, iniciadas em 2001 e de crucial importância para a população mais pobre, não foram concluídas.
    O estado também sofre com obras inacabadas em estradas e portos, entre outras áreas. Macapá tem 450 mil habitantes, mas não dispõe de banda larga. A telefonia celular local funciona de forma precária. A promessa do governo é instalar a banda larga a partir de 2012. Mas moradores locais veem o programa com desconfiança.
    Para o procurador da República Celso Leal, a corrupção no Amapá pode estar relacionada ao volume de verbas federais que abastece o estado. Ex-território, até hoje o Amapá sobrevive de investimentos públicos. Leal é um dos responsáveis pelo prisão de 36 pessoas na Operação Voucher, semana passada.
- O estado é muito dependente do governo federal. Talvez isso contribua (para corrupção) por ser um dinheiro fácil - disse o procurador.