21 de ago. de 2011

No Painel da Folha de S. Paulo

Marcado
Cresce no PMDB o bloco dos defensores de um pedido de demissão de Pedro Novais, antes que as denúncias o obriguem a fazê-lo. A blindagem ao ministro do Turismo não é a mesma que tentou manter Wagner Rossi na Agricultura. O escasso apoio a Novais reflete a divisão do partido. Ele é patrocinado pelo líder Henrique Alves (RN), ora sob ataque especulativo de metade da bancada da Câmara.
Alvorada
Mensagem matinal postada no Twitter: "Bom dia pra você que está mais derrubado do que ministro da Dilma!".
Por Renata Lo Prete

Lambe-lambe: Fogo-pagou na Ponta do Itapary, em São José de Ribamar (MA)





Em time que está ganhando...

Ferreira Gullar
Li com espanto, algumas semanas atrás, que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, pretendia retirar as grades que cercam algumas praças da cidade. Mas por que isso - me perguntei - se essas praças se tornaram, depois que puseram as grades, locais tranquilos e limpos?
   E logo me ocorreu a hipótese de que se trata de pôr em prática o princípio abstrato de liberdade... Essa é uma expressão que cunhei para definir uma nova mania que se instalou na cabeça de alguns e que pode ser definida como a eliminação total de qualquer medida restritiva a qualquer coisa.
    Voltamos aos anos 70, quando se inventou o lema "é proibido proibir". Menos explicitamente, adota-se a mesma atitude em face de tudo o que pareça cerceamento ou repressão. Assim, há quem se oponha a que a prefeitura do Rio recolha meninos que fumam crack na rua.
    O argumento é que são levados, contra sua vontade, para lugares onde não há assistência médica de qualidade, nem terapeuta, nem... Conclusão: melhor mesmo é deixá-los na rua, gozando de plena liberdade. Imagino que alguém meteu na cabeça do prefeito que praças cercadas são antidemocráticas...
    Sabem por que penso isso? Porque, décadas atrás, quando o prefeito de então decidiu cercar as praças com grades, logo surgiram os defensores do princípio abstrato da liberdade para alegar que aquilo era contra o direito de ir e vir e, logo, atentava contra a liberdade dos cidadãos. Agora vejam vocês, eu que moro aqui em Copacabana, perto da praça Serzedelo Corrêa, fiquei estarrecido: a praça havia se tornado um valhacouto de vagabundos, mendigos, drogados e assaltantes.
    Ninguém usava a praça para nada. Levar crianças para brincar ali, nem pensar. Só os desavisados se atreviam a cruzar a praça certas horas, particularmente depois que anoitecia. O mesmo se podia dizer da praça do Leme, que fica algumas quadras adiante.
    Apesar dos protestos, o prefeito não voltou atrás e mandou cercar as praças com grades, com amplos portões que permitem o livre trânsito das pessoas. Graças a isso, elas voltaram a ser áreas de lazer, hoje frequentadas particularmente por crianças e idosos.
    A praça do Leme, por onde passo com frequência, tornou-se um lugar tranquilo, onde o pessoal se reúne para conversar, jogar dama e xadrez, enquanto as crianças correm e brincam alegremente.
    A praça Serzedelo, a mesma coisa. Já cansei de cruzá-la à noite sem nenhum temor. Nem se tem notícia, em todos estes anos, de qualquer assalto ocorrido ali. Então, cabe perguntar: por que acabar com o que deu certo e voltar à situação anterior, que deu errado?
Um dos argumentos usados para retirar as grades das praças é que isso já tinha sido feito na praça Tiradentes, com ótimo resultado. Li essa notícia e não me convenci, já que ando pela cidade e vejo mendigos espalhados por todo canto, deitados nas calçadas em ruas de menor movimento. Aqui, na minha rua mesmo, nos fins de semana, quando o comércio está fechado, várias calçadas são ocupadas por pessoas que ali dormem em cima de plásticos ou colchões velhos, que carregam consigo.
    Só não se instalam definitivamente ali porque, ao recomeçar a semana, as lojas abrem e eles são obrigados a sair. Mas, nas praças, não há lojas, a área é ampla, o policiamento precário, e por isso eles ali se instalam definitivamente. E é o que já está acontecendo na praça Tiradentes: ao contrário do que afirmavam os defensores do princípio abstrato da liberdade, os mendigos tomaram conta da praça, poucos dias depois de retiradas as grades.
   Sei que o prefeito Eduardo Paes tem espírito público, trabalha para melhorar as condições de vida na cidade. Quando escrevi aqui a respeito de uma rua no bairro de Anchieta, zona oeste do Rio, que se tornara um buraco só, ele me telefonou e se dispôs a mandar consertá-la.
    Isso faz talvez um ano, mas a obra foi feita e a rua está praticamente pronta, asfaltada, com as instalações de água e esgoto recuperadas. É verdade que um vereador cara de pau - que nestes 20 anos nem sequer reparara na buraqueira da rua - já estendeu ali uma faixa se dizendo autor do milagre. Mas isso pouco importa, há gente para tudo, particularmente no campo da política. Importa é que se faça o que deve ser feito, visando o bem-estar e a segurança das pessoas.
Da Folha de S. Paulo

Manchetes dos jornais

Maranhão
JORNAL PEQUENO - Três juízes do MA vivem sob proteção policial permanente
O ESTADO DO MARANHÃO - São Luís tem cinco vigilantes ilegais para cada um contratado
O IMPARCIAL - O drama dos hospitais particulares de São Luís
Nacional
CORREIO BRASILIENSE:Ganho real chega a até 300% em 8 anos
FOLHA DE S. PAULO:Planalto poupa o PT e corta verba de áreas de aliados
ESTADO DE MINAS:Como enriquecer com a boa-fé e a morte alheia
O ESTADO DE SÃO PAULO:Empresas usam brecha do Mercosul para pagar menos imposto
O GLOBO:Clínicas pagam propina para receber pacientes.
ZERO HORA:A Face desconhecida da legalidade
Regional
DIÁRIO DO PARÁ:Homem é morto com 34 facadas
JORNAL DO COMMERCIO:Policiais vão trocar burocracia pela rua
MEIO-NORTE:Guerra do tráfico já matou 36 em 7 meses
O POVO:Bem-vindos à era da comodidade

20 de ago. de 2011

Pedro Novais tem performance eleitoral medíocre em cidades turísticas do Maranhão

Pedra Caída, em Carolina

    O ministro do Turismo do governo Dilma Rousseff, Pedro Novais, indicado pelo PMDB (Sarney diz que não foi ele), não tem afinidades com o eleitorado das cidades com potencial turístico no Maranhão. Novais tem fama de só pisar no estado quando é para renovar o mandato ou inaugurar obras resultante de emendas parlamentares de sua autoria. Tem obtido êxito como deputado turista em sua própria base. Não é à toa que está no sétimo mandato. Nas eleições passadas retornou como deputado federal para Brasília com 89.658 votos, o nono de sua coligação e o décimo entre os eleitos pelo Maranhão para a Câmara.
Margem do Rio Corda, em Barra do Corda
   Sua colaboração para incluir nvoos destinos no roteiro turístico do estado através de emendas, também não tem surtido efeito eleitoreiro. Nas eleições de 2010, o deputado federal Pedro Novais obteve 26 votos em Barra do Corda, cidade que destinou recursos por acreditar em seu potencial turístico como redentor da miséria da população. Parte dele são índios guajajaras e canelas em constantes conflitos agrários. De lá saiu o ex-superintendente do Incra, Benedito Terceiro, afastado por irregularidade em convênios.
    No destino vislumbrado por Novais o atual prefeito Manuel "Nenzim", desviou mais de R$ 50 milhões e livrou-se das algemas da PF com uma liminar obtida com a bênção do senador José Sarney (PMDB-AP).
    A votação de Novais foi apenas 0,07% dos 36.998 votos válidos no primeiro turno em Barra do Corda. Cresceu em relação à anterior, de 2006, quando novamente eleito, Pedro Novais Lima obteve apenas sete votos dos 37.922 eleitores que compareceram às urnas. Nesse pleito 48.241 estavam habilitados para participar do pleito no município.
    Nas cidades potencialmente turísticas no Maranhão sua performance eleitoral é sofrível. Em Barrerinhas, por exemplo, cidade portal dos Lençóis Maranhenses, Novais teve 45 votos no primeiro turno das eleições de 2006, entre 25.060 votos válidos. Na época o município contava com 30.724 cadastrados. Nas eleições passadas, Novais conquistou 68 votos dos 26.810 votos válidos.
Igreja do Carmo, construção do Século XVII, em Alcântara
    Em Alcântara, cidade fundada em 1648, nem se fala. Nas eleições de 2006, para não dizer que não saiu sem nada, ganhou um voto dos 11.448 eleitores participantes do pleito no município que já esperou um rei que nunca nem chegou. Em 2010 teve sete votos na cidade tombada pelo patrimônio nacional. No município de Carolina, outro polo turístico do Maranhão onde está Cachoeira de Pedra Caída, Novais teve apenas 43 dos mais de 11 mil votos válidos em 2010.

Emenda de ministro libera R$ 1 mi a empresa-fantasma

Firma que erguerá ponte no Maranhão fica em apartamento e usa registro falso
Beneficiada com verbas destinadas pelo atual ministro Pedro Novais, Barra do Corda foi alvo de uma operação da PF

DIMMI AMORA
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA
FELIPE SELIGMAN
ENVIADO ESPECIAL A SÃO LUÍS
    Recursos assegurados pelo ministro do Turismo, Pedro Novais, para uma obra no Maranhão beneficiaram uma cidade sem nenhuma vocação turística e uma empreiteira fantasma, cuja sede fica em um conjunto habitacional na periferia de São Luís, a capital do Estado.
    No ano passado, quando exercia o mandato de deputado federal, Novais apresentou emenda ao Orçamento da União para destinar R$ 1 milhão do Ministério do Turismo à construção de uma ponte em Barra do Corda (450 km ao sul de São Luís).
    A pasta assinou convênio com a prefeitura em 8 de dezembro e já empenhou (reservou para gastos futuros) todo o valor da emenda. Neste ano a prefeitura fez a licitação, vencida pela Planmetas Construções e Serviços.
    A sede da construtora fica num conjunto habitacional de baixa renda em São Luís.
A Folha esteve no local, conhecido como Carandiru, em referência ao antigo presídio de SP. São prédios simples.
    No endereço da Planmetas atendeu uma senhora de nome Delí. Questionada sobre um dos dos donos, Roberto Beckenbauer Sagadilha Correa, disse que é seu neto, mas que ele não mora mais ali.
A Folha quis saber se a empresa de fato funcionava.
    Delí não soube dizer onde fica a sede. Disse que o neto montou um escritório, mas que também havia mudado.
    Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Maranhão, nem Correa nem o outro dono, Francisco Pereira Nunes, constam como engenheiros.
NOME FALSO
    No local onde será feita a ponte em Barra do Corda há uma placa da firma na qual consta como engenheiro responsável José Fernando Trindade Junior. Procurado pela Folha, disse que "não trabalha nem nunca ouviu falar na empresa Planmetas".
    O registro profissional que está na placa não confere com o de Trindade. Não há nenhum profissional com o registro citado na placa. O Crea também não encontrou nenhum registro dessa obra.
    Barra do Corda é a cidade do interior com mais verbas do Turismo: R$ 15 milhões. O valor é dez vezes superior ao das cidades turísticas de Alcântara e Barreirinhas.
    Das emendas de Novais, a de Barra do Corda tem o valor maior. Em dezembro de 2010, o Turismo assinou seis convênios com a prefeitura -quatro deles no dia 31.
    Em fevereiro, a PF deflagrou operação em Barra do Corda. A Justiça decretou a prisão do prefeito Manoel Mariano Souza (PV), de parentes e de servidores. Ele obteve habeas corpus e não foi preso.


Colaborou FERNANDA ODILLA, de Brasília
OUTRO LADO
Novais afirma que não era ministro quando verbas foram carimbadas
DE BRASÍLIA
    O ministro Pedro Novais (Turismo) informou que direcionou recursos de emenda para Barra do Corda quando era deputado por avaliar que o turismo pode ajudar a cidade a garantir mais qualidade de vida à população local.
    "A ponte dará acesso à população e aos turistas, além de permitir que todos conheçam o principal ponto turístico da cidade: o balneário Beira Rio", disse. Segundo ele, os recursos foram empenhados em 2010, quando não era cotado para assumir a pasta.
    A pasta informou ainda que, dos 15 contratos de repasse para obras no município, dez foram originados por emendas parlamentares. E que os recursos só são liberados após a Caixa realizar as devidas avaliações técnicas.
    A Folha esteve na sede da empresa registrada na Receita e tentou contato telefônico com os donos da Planmetas, mas não conseguiu achá-los.
    Quem respondeu pela Prefeitura de Barra do Corda foi a filha do prefeito, Sandra Maia. Ela não é servidora, mas disse que falaria pela administração por "ter conhecimento sobre as obras".
    Sandra disse que a Planmetas foi contratada porque venceu a licitação, mas não sabe que outras empresas concorreram. "A empresa existe sim senhora. O engenheiro está sempre lá", disse, sem declarar quem era ele.
    E afirmou que a cidade tem potencial turístico: "Temos Carnaval, banho de rio".
Da Folha de S. Paulo

No Painel da Folha de S. Paulo

contraponto
Nada de estranho

Ao fim das quatro horas em que Pedro Novais depôs na Câmara sobre os problemas no Turismo -"se é que existiram", minimizou-, Chico Alencar (PSOL-RJ) resolveu contar uma parábola ao distraído ministro:
-O senhor me faz lembrar a história daqueles pescadores que estavam na barranca do rio, à tardinha, e viram dois elefantes passarem voando. Depois de uns cinco minutos de silêncio, um comentou com o outro: "É, compadre, esses bichos estão voltando pra casa. Mas, me diga, pra que morar tão longe do serviço?".
Por Renta Lo Prete

Manchetes dos jornais

Maranhão
O ESTADO DO MARANHÃO - STF confirma a suspensão da cobrança de IPUT 2011
O IMPARCIAL - Lei obriga, mas prefeitura do MA não revelam contas
Nacional
CORREIO BRASILIENSE:Proposta de reajuste a servidor vai de 2% a 31%
FOLHA DE S. PAULO:Quadrilhas já atacaram 500 caixas eletrônicos
ESTADO DE MINAS:Minas tem 20 juízes ameaçados de morte
O ESTADO DE SÃO PAULO:Ditador sírio desafia Ocidente e volta a reprimir opositores
O GLOBO: Denunciados no STF irão revisar processos judiciais
ZERO HORA:Piratini vai endurecer punição a quem vender álcool a adolescentes
Regional
DIÁRIO DO PARÁ:Jovem é amarrado, arrastado e excutado a tiros
JORNAL DO COMMERCIO:Ladrões atiram em idosa na Zona sul
MEIO-NORTE:MP pede que justiça feche presídio de Timon
O POVO:Ministério Público pede devolução de R$ 2 milhões