26 de out. de 2010

Califórnia vai votar a legalização da maconha

LOS ANGELES - Quando forem às urnas no próximo dia 2 de novembro para escolher seus novos representantes em Washington, os eleitores da Califórnia decidirão também sobre a legalização da maconha nesse estado norte-americano.
    Se a proposta for aprovada, qualquer cidadão maior de 21 anos poderá portar legalmente a droga para seu consumo privado. Além disso, passará a ser permitido o cultivo privado da Cannabis sativa (nome científico da planta da maconha e do haxixe) numa área de dois metros quadrados.
    A regulamentação e o controle serão tarefa dos municípios, que também serão responsáveis pelas licenças para produtores e vendedores e pelo recolhimento de taxas sobre a venda do produto.
Argumentos dos defensores
    O empresário Richard Lee, de 48 anos, é um dos principais defensores da proposta de legalização da droga, conhecida como Proposição 19. Ele argumenta que a proibição – hoje em vigor – não funciona, e que até mesmo crianças têm acesso mais fácil à maconha do que ao álcool.
    Outro argumento é que a ilegalidade criou um enorme mercado negro, que sustenta o crime organizado. Além disso, a polícia estaria desperdiçando dinheiro do contribuinte ao perseguir fumantes de maconha em vez de se ocupar com os "verdadeiros criminosos".
    Por fim, também o Estado sairia ganhando com a legalização. Dos supostos 14 bilhões de dólares que a venda da droga movimenta a cada ano, os falidos cofres públicos poderiam arrecadar mais de 1 bilhão em impostos.
Posição dos críticos
    Os adversários da proposta falam em motoristas de ônibus escolares "chapados" e funcionários de cantinas que, além de doces e frutas, passarão a oferecer também biscoitos de maconha.
Além disso, argumentam, a diretriz federal que garante o direito a um ambiente de trabalho e de estudos livre de drogas não poderá mais ser cumprida, o que levará à suspensão de verbas federais para universidades e escolas. Eles lembram que, independentemente do resultado do plebiscito, a posse de maconha continuará sendo proibida pela lei federal.
    O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, anunciou que as autoridades federais continuarão atuando contra a posse de maconha na Califórnia mesmo que a Proposição 19 seja aprovada. O governo Obama "é absolutamente contra" a Proposição 19, assinalou Holder numa carta à Força Administrativa de Narcóticos (Drug Enforcement Administration).
    Holder escreveu ainda que, com a lei, se tornará mais difícil "combater traficantes de drogas que, além de maconha, vendem cocaína e outras substâncias proibidas". Segundo ele, o Departamento de Justiça vai elevar o controle sobre indivíduos e organizações que portam, manufaturam e distribuem maconha, mesmo que essas atividades sejam permitidas pela lei estadual.
Sob prescrição médica
    A posição contrasta com a postura adotada pelo governo federal até agora. Na Califórnia, o uso medicinal da maconha é permitido desde 1996. As "razões médicas" para seu uso, no entanto, são bem abrangentes. Dor de cabeça, insônia, perda de apetite – é grande a lista de sintomas que garantem a prescrição da droga.
    De posse da licença, a compra em lojas especializadas é plenamente legal. Desde que Barack Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos, as autoridades federais têm relaxado o controle da venda e posse da droga.
O chefão do combate às drogas nos EUA (drug czar), Gil Kerlikowske, advertiu que os jovens experimentam maconha cada vez mais cedo. Apesar da proibição vigente, continua diminuindo a idade média em que se consome a droga pela primeira vez: de 17,8 anos em 2008 para 17 anos em 2009. "A percepção do perigo das drogas está cedendo", disse Kerlikowske.
Posição de afro-americanos e latinos
Pesquisas de opinião ainda não conseguem prever um resultado claro do plebiscito na Califórnia. Os próprios institutos de pesquisa dizem que muitos simpatizantes da legalização se dizem contra quando consultados, por temer expor sua opinião sobre um tema polêmico.
As listas de pessoas favoráveis ou contrárias são longas. Alguns sindicatos apoiam a proposta, argumentando que ela criaria empregos. A NAACP, organização de afroamericanos, e a comunidade de eleitores latinos defendem a legalização. Para eles, trata-se de uma questão de direitos humanos, pois as principais vítimas da guerra às drogas seriam as crianças de origem afroamericana ou latina.
Segundo o site Huffington Post, três deputados democratas da Califórnia seriam a favor da legalização. O governador Arnold Schwarzenegger e a maioria dos candidatos a cargos importantes na Califórnia se posicionaram contra a proposta, da mesma forma como dezenas de jornais e até mesmo a associação californiana de comerciantes de cervejas e bebidas.
Redação Uipi!

Procuradora-geral de Justiça do Maranhão recebe ouro do tucano de Minas

    Na mesma trilha da sua suprema vaidade a procuradora-geral de Justiça do Maranhão, Maria de Fátima Travassos Cordeiro divulga que receberá nesta terça-feira, 26, medalha do governador reeleito de Minas Gerais, Antonio Anastasia(PSDB). Será agraciada com a Medalha Santos Dumonte, uma  comenda que distingue “mérito cívico de personalidades e entidades que, de modo relevante, tenham contribuído para o desenvolvimento e o progresso do país. Concedida em três graus: ouro, prata e bronze. à procuradora do Maranhão será reserva a mais nobre.

Maranhão municia guerra entre Dilma e Serra

    O Maranhão por diversas vezes foi citado no debate entre os dois candidatos à Presidência da República no debate promovido pela Rede Record. A refinaria Premium da Petrobras no município de Bacabeira (MA) foi um dos primeiros pontos da discórdia no debate entre Dilma e Serra na Record. Para a petista a refinaria no Maranhão já é uma realidade. 
    A candidata afirmou que uma refinaria não se faz do dia para a noite e que são necessários no mínimo sete anos para que a obra seja concluída. A do Maranhão foi lançada em 2009 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela própria Dilma Rousseff em sua única visita ao estado. Como a oposição ao grupo Sarney no estado, que usou como plataforma eleitoral a refinaria, José Serra diz que a obra ainda está no papel.
    Em outro momento do debate Dilma citou a Ferrovia Norte- Sul como exemplo de investimento no Nordeste. A obra iniciada no governo José Sarney (1985-1990) corta as regiões do Centro-Oeste, Norte e Maranhão. Envolvida em vários escândalos de corrupção, segundo Dilma Rousseff a Norte-Sul avançou significativamente no governo Lula com mais de 1000 quilômetros de construção. A ex-ministra da Casa Civil do governo Lula apontou que entre o governo Sarney e Lula foram construídos apenas 300 quilômetros da ferrovia. Como aliada de Sarney, em nome da governabilidade, Dilma enfatizou que parte das realizações antes de Lula foi realizada pelo presidente do Cruzado.
    Serra citou ainda a precariedade da saúde no estado. Prometeu construir hospitais regionais com UTIs. No Maranhão dezenas de crianças morreram em Imperatriz e também na capital por falta de oferta das unidades. Dilma Rousseff afirma que as UPAs resolvem a questão.
    O tucano acusou Dilma Rousseff de não conhecer o Nordeste. Serra esteve no Maranhão no primeiro turno das eleições. A petista não veio ao Maranhão nem no primeiro, nem no segundo turno. Com votação acima de 70% no estado, acha que aqui já ganhou, com a ajuda do grupo Sarney. Assim pensam eles.

Globo usa traço no debate da Record

    A Rede Globo ignorou por inteiro o debate entre os candidatos À Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) promovido pela Record na noite de segunda-feira. Foi o penúltimo debate antes das eleições do domingo, 31 de outubro.
    Na cobertura sobre atividades dos candidatos a emissora registrou apenas a apresentação dos 13 pontos da proposta de governo da petista e o encontro do tucano com membros da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC.

Manchetes dos jornais

O ESTADO DO MARANHÃO - Vox Populi aponta vitória de Dilma sobre Serra
O IMPARCIAL - Governo quer teste de Aids nas escolas

25 de out. de 2010

Políticos fazem pressão pela validade imediata da Ficha Limpa

    Políticos favoráveis à aplicação da Lei da Ficha Limpa já nessas eleições estudam maneiras de aumentar a pressão para que o Supremo Tribunal Federal (STF) “tome a melhor decisão”, nas palavras do senador José Nery (PSOL-PA).
    Para isso, Nery está articulando conversas com entidades que participaram dos esforços pela aprovação da Lei da Ficha Limpa, pelo Congresso Nacional. Entre essas estidades, estão a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
    O senador pensa, inclusive, em realizar uma vigília na quarta-feira (27) – data em que será julgado pelo Supremo o recurso de Jader Barbalho contra a Ficha Limpa – com outros senadores que também desejam a validade imediata da lei, como Pedro Simon (PMDB-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF), por exemplo. Porém, Nery ainda não conversou com nenhum deles sobre essa possibilidade.

Morre Gregory Isaacs, o romântico do reggae

O cantor jamaicano Gregory Isaacs (1951-2010)
    O cantor jamaicano Gregory Isaacs morre no sábado,23, em Londres. O músico sofria de câncer no pulmão e morreu em sua casa em Londres, informou à BBC sua viúva, Linda.
    Gregory Isaac é um dos nomes mais fortes nos salões de reggae do Maranhão. Por duas vezes Isaacs esteve em São Luís para fazer show. Na primeira vez em que esteve na ilha entrou para a história do show business da ilha do Maranhão.Aguardado por milhares de fãs no estádio Nhozinho Santos, Gregory Isaacs desceu do avião já na madrugada do show. A massa regueira o esperava para o show memorável. Ele subiu ao palco e fez um playback de seus maiores sucessos.
    Com a promessa de ressarcir o prejuízo Isaac permaneceu na cidade por mais um dias. Quase uma semana. Hospedado em um hotel na orla, Isaacs se entregou aos prazes carne e da mente. A conta nas alturas fez com que ele tentasse deixar São Luís às escondidas. Foi barrado por policiais que o conduziram até à delegacia do 1º DP, no centro histórico. Lá chegando, tentou se explicar. A delegada de plantão, sem dominar nadica de inglês mirou os dreadlooks do cantor e tascou: "Também com esse inglês de maconheiro, não dá para entender".
    A passagem tumultuada de Gregory Isaacs pela cidade não arrefeceu a idolatria por ele nutrida pela massa reggueira frequentadora dos salões de reggae.
    "Gregory foi muito amado por todos, seus fãs e sua família, e ele trabalhou duro para se certificar que sua música chegaria àqueles que ele amava e apreciava", disse sua mulher Linda.
    Entre as pedras cultuadas pela massa da capital brasileira do reggae estão ''Night Nurse', 'My Only Lover' e 'Number One', todas gravadas nos anos 1980. Sua elegância vocal lhe rendeu o apelido de"Mr. Cool Ruler'". Deixou seguidores como Jack Johnson, representante da surf music.
Trajetória
    O reggaeman chegou ao show biz em 1982, quando lançou o álbum "Night Nurse", gravado nos estúdios de Bob Marley na Jamaica, o Tuff Gong. O disco alcançou o topo das paradas na Grã-Bretanha, para onde ele se mudaria - uma versão da música gravada por Sly and Robbie com o Simply Red ajudaria a espalhar seu nome.
    Rastafari como seus irmãos, ele disse, em depoimento ao documentário Land of Look Behind, de 1982: "Rastafari é parte do meu negócio porque sem o rasta não haveria negócio. O rasta não é algo que você vai lá e se junta a ele. Não, é o próprio Jah que vai e toma você, foi ele quem me disse: Gregory, agora você vai me servir".
Bio
    Gregory Anthony Isaacs nasceu em 15 de julho de 1951, em Fletchers Land, Kingston, Jamaica. "Ele foi um grande artista do reggae e também dono dos mais bem cortados ternos dos palcos globais", disse o cantor Suggs, que o homenageou durante a cerimônia dos Q Awards em Londres. Isaacs esteve no Brasil em 1999, no Via Funchal, numa edição nacional do Reggae Sunsplash Festival.

Livro relata embate entre Coelho Neto e Lima Barreto no terreiro do futebol

   A Difel acaba de colocar na prateleira o livro "Lima Barreto versus Coelho Neto, Um Fla-Flu Literário", organizado e comentado pelo pesquisador e ensaísta Mauro Rosso. Em suas páginas as crônicas e artigos com que Lima Barreto dardejou sua virulenta e intransigente crítica-repúdio ao futebol, e os textos em que Coelho Neto, ao contrário, só fez cantá-lo em prosa e verso , tendo ao fundo os contextos histórico, cultural e literário nos quais se desenrolaram as pelejas e manifestações intelectuais de um e outro time.
    "Lima Barreto versus Coelho Neto" provoca belas trocas de passes e tabelinhas entre futebol e literatura – que, para quem duvida ou desdenha, existe sim e propicia estimulantes ilações e reflexões de ordem cultural, histórica, política e até filosófica. Desenroladas e desenhadas originariamente nas duas principais cidades do país – Rio de Janeiro e São Paulo –, pioneiras na aceitação e recepção intensas, na implantação e sedimentação, mas também na geração de polêmicas e cotejos retóricos.
    Uma obra que, sobretudo, reitera a persistência do futebol no provocar polêmicas e alegrias, prazer, tristeza, paixões e ódios — nos campos, nos estádios, nos gramados, nas arquibancadas, nos terrenos baldios, nas várzeas, nos estudos e obras de intelectuais, nos corações e mentes de todo o país.
Trecho
“Em anos como os que estão correndo, de uma literatura militante, cheia de preocupações políticas, morais e sociais, a literatura do Sr. Coelho Neto ficou sendo puramente contemplativa, estilizante, sem cogitações outras que não as da arte poética, consagrada no círculo dos grandes burgueses embotados pelo dinheiro. Indo para a Câmara, onde não podia ser poético ao jeito do Sr. Fausto Ferraz, porque o Sr. Neto tem senso comum; onde também não podia ser político à guisa do Sr. Urbano Santos, porque o Sr. Neto tem talento, vergonha e orgulho de si mesmo, do seu honesto trabalho e da grandeza da sua glória; indo para a Câmara, dizia, o grande romancista sem estar saturado dos ideais da época não pôde ser o que um literato deve ser quando logra pisar em tais lugares: um semeador de ideias, um batedor do futuro.
Para os literatos, isto foi uma decepção; para os políticos, ele ficou sendo um qualquer Fulgêncio ou Marcelino. Não é de admirar portanto que um Fulgêncio ou um Marcelino tenham eles escolhido para substituí-lo. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.”
(p.37-38 - Lima Barreto, em Lanterna, 18/01/1918)
Comentários sobre o livro
“O livro de Mauro Rosso não é apenas uma tese, mesmo que tenha nascido como tal. É um estudo sério para ser lido e apreciado tanto por quem gosta de um bom romance como por aquele que vai ao estádio todo domingo. Cobre o período pré-vitória brasileiro em canchas da Suécia. Na verdade, precede em anos os dias em que o brasileiro, com todo desfalque de Leônidas, viu-se no direito de sonhar com a Copa do Mundo.” (João Máximo)
“Enfim, Coelho Neto estava mais para João Havelange (noves fora os pendores literários) e Lima Barreto para João Saldanha (noves fora a paixão de Saldanha pelo futebol, reflexo do seu conhecimento da alma nacional).” (Juca Kfouri)

Livro
Lima Barreto versus Coelho Neto, Um Fla-Flu Literário
Mauro Rosso
Difel – selo editorial da Bertrand Brasil
240 páginas
Preço: R$ 39,00