17 de fev de 2010

Cesar Teixeira dedica título da Favela a Messias

Avesso à fogueira das vaidades, o compositor e poeta Cesar Teixeira dedicou o título de pentacampeã do carnaval maranhense c onquistado pela Favela do Samba, ao artista popular Messias. Amazonense, Messias foi um dos artistas fundadores da escola do bairro do Sacavém. Boêmio inveterado, tinha como parceiro permanente um cavaquinho que trazia sempre embaixo do braço, circulando pela rodas de samba da cidade.

Cesar Teixeira estreitou seu conhecimento sobre o artista amazonenses em conversas com sambistas antigos, moradores do Sacavém e das redondezas. Rastreando a vida e obra do artista, acabou desembocando no Rio Anil, onde participou de rodadas de charutos – muito distantes do cubano cobiha - com a turma de Chico da Gata. Entre boêmios perdeu muita coisa que achava guardar de memória entre goles, conversas e sambas.

Autor de sambas canções incluídos no repertório de Moacir Neves – figura lendária irretocavelmente vestida de branco que se recusava a dar ré em carro e fundou o Hotel São Francisco na década de 70 em São Luís. Neves era escudeiro do jovem político Jose Sarney, quando este ainda gestava seu domínio sobre o Estado.

Entre favelenses que comemoravam o quinto título consecutivo da Favela nesta Quarta-Feira de Cinzas na quadra da escola, o nome soou e continuou incógnito. Ilustre apresentado em carne e osso, somente o homenageado César Teixeira. “Esse aqui é César Teixeira”, apresentou ao público o puxador Vovô.

Antes de resgatar sua obra, Cesar Teixeira quer restaurar a imagem do sambista que também passou pela Mangueira. A foto restaurada pretende entregar à diretoria da Favela.

Após o desfile, Cesar Teixeira cruzou com uma turma do Quinto. “O Quinto levou a história de vários loucos para avenida. A Favela só levou a história de um e venceu”, comparou o autor de “Flor do Mal”.





“TNT me dá alergia”, diz Júlio Matos

O carnavalesco da escola que conquistou consecutivamente cinco títulos no carnaval de passarela de São Luís, Júlio Matos, diz que não vai ficar louco tentando imitar as escolas cariocas. Matos está há 18 anos à frente da Favela. Em 2011 pretende levar para a passarela todos os carnavais falenses. “Trabalho com minha realidade. Não fico imaginando alcançar uma realidade que não é minha”, desabafa.

A fórmula para conquistar títulos não tem segredos. “Carnaval se faz com seriedade”, professa. Este ano ele reservou um mês e meio para preparar todo o desfile da escola. Com jornada de trabalho racionalizada, não excedendo dez horas diárias -, Júlio Matos é imodesto quando se trata da avaliação do seu trabalho: “Fizemos o melhor”, resume.

Para desbancar as concorrentes, o carnavalesco da Favela diz que está sempre receptivo a sugestões. Todo o material da escola este ano foi adquirido no comércio de São Luís. O carnaval só não aceita que coloque TNT (Tecido não tecido) nas fantasias. “Tenho alergia a esse produto”, exagera. O material foi utilizado pela escola na cobertura dos carros alegóricos, entre eles o Shopping Brasil, que encerrou o desfile e que ele aponta como o melhor que já fez durante todos esses anos dedicados ao carnaval.