28 de mai de 2011

A lambança coroada de Natalino Salgado

Flávio Reis
    Natalino Salgado assumiu a reitoria da UFMA em 2007, após dez anos à frente do Hospital Universitário, que expandiu e ao mesmo tempo enredou numa série de práticas clientelistas. Logo no início de sua gestão, pressionado pelo MEC e com atraso em relação à maioria das outras universidades federais, impôs a aceitação das regras do projeto de expansão do governo federal (Reuni) sem maiores discussões. E se assim começou, assim continuou. Era preciso não perder o bonde das verbas e promover as melhorias de que a universidade necessitava. Na verdade, estava dado o sinal para a sucessão de trapalhadas que culminaria numa reportagem do Jornal da Globo exibida nesta semana, integrando uma série especial sobre o ensino superior no país e cujo tema eram exemplos de abandono de instalações.
    A cena é impagável, o repórter Rodrigo Alvarez está diante do Laboratório de Tecnologia Farmacêutica (LTF), completamente abandonado, devidamente fechado e não podendo ser aberto à reportagem senão com a autorização do reitor. Contactado pelo celular, ele responde de forma quase inaudível que não acha necessário autorizar a entrada, agradece e desliga o telefone com o repórter ainda na linha. Este se dirige em seguida ao prédio da faculdade de Fármácia, no centro da cidade, prédio tombado que está caindo aos pedaços (a exemplo de outro, mais exuberante e importante, onde funcionava o departamento de assuntos culturais) e vai ao Laboratório de Bioquímica Clínica, que encontra desativado. Instada a explicar a situação, a chefe do departamento fala que são sete laboratórios com um orçamento anual de R$ 10 mil! Ao final, vemos a palavra do reitor Natalino Salgado, o homem que, na intuição certeira do repórter, detém as chaves da Universidade Federal do Maranhão. Diz exatamente tratar-se de um prédio abandonado há quinze anos, com equipamentos enferrujados e que não havia necessidade de filmar nada lá, principalmente quando existiriam tantos “projetos estruturantes” nesta universidade que estava passando por “grandes transformações”. Perguntado se não achava que a falta dos laboratórios prejudicava a formação dos alunos, saiu com esta pérola: “eu não tenho nenhum estudo para avaliar as atividades dos nossos alunos depois de formados”. É de espantar, pois estamos falando de laboratórios para cursos de farmácia e bioquímica... poderiam não ser essenciais? E o reitor Natalino Salgado é médico, goza de bom conceito como urologista. A explicação para tal disparate parece estar no seu tão propalado “modelo de gestão”.
    Natalino Salgado não deixou passar oportunidade de angariar recursos através da aceitação sem controle dos programas de expansão do MEC, prometendo dobrar o número de alunos da UFMA num prazo muito curto. Tratando das reformas patrimoniais, centralizou as importantes decisões da esfera acadêmica na Pró-Reitoria de Ensino, que passou a distribuir determinações, muitas vezes por cima de suas atribuições estatutárias, lá colocando um professor alheio aos quadros desta ou de outra universidade, no melhor estilo “cargo de confiança”. Paralelamente foram se esvaziando os conselhos universitários, de maneira que decisões de suma importância como a definição dos horários e do planejamento acadêmico quase foram alterados drasticamente de uma canetada, este último implicando em grande perda para as atividades de pesquisa. Já vimos este filme inúmeras vezes, um círculo restrito de professores burocratas transforma tudo em números e gráficos, trata a universidade como se fosse uma coisa só, desconhece seus problemas e nem quer ouvir as unidades, acha que tem um modelo ideal, que, no caso, é apenas tentar se ajustar de qualquer forma às metas acordadas com o MEC.
    Nestes anos, tornou-se visível que muitas verbas apareceram. Os recursos captados vão a mais de 200 milhões. Sem saber de detalhes dos números, os olhos não param de perguntar como eles foram utilizados, quando vemos várias obras interminadas, algumas se arrastando há dois anos e outras claramente escandalosas, compreensíveis apenas dentro de uma visão da instituição como empresa, onde, como diz o velho ditado, a propaganda é a alma do negócio.
    No final de 2008, ano em que os recursos do Reuni começaram a chegar, estava na abertura do Encontro Humanístico, naquela ocasião com a presença do professor Paulo Arantes, quando ouvimos estupefatos o magnífico reitor anunciar em seu discurso uma reforma dos banheiros do CCH, para aplauso da galera. Parecia um político em palanque de interior anunciando obras. Aquela cena dizia muito sobre o estilo em questão. A tal reforma atravessaria mais de um ano em execução e este seria o padrão comum. Elenco apenas aquelas com que deparo no cotidiano: a construção de um prédio pequeno destinado à pós-graduação das ciências humanas se arrastou durante anos; a reforma de banheiros do CCSo, já entrando no terceiro semestre; a incrível obra de antiengenharia que é a construção das rampas de acessibilidade no mesmo prédio, que também já está pelo terceiro semestre, e torna o prédio ainda mais quente quando talvez fosse mais barato instalar um elevador exclusivamente para este fim; a obra do pórtico de entrada, licitada no valor de 400 e poucos mil para entrega em três meses, já estando com pelo menos o dobro, além de todo o plano viário, pois parece que saíram arrebentando tudo ao mesmo tempo sem nenhum planejamento. Algo de importância óbvia para o funcionamento diário de uma instituição onde se movimentam milhares de pessoas é tratado com um simples “desculpem os transtornos” e pelo visto vai atravessar o semestre. O prédio Paulo Freire, foi “inaugurado”, com festa e presença do ministro, mas ainda está daquele jeito. Prédio que, diga-se, é a expressão da devastação ambiental promovida sem pena pela Prefeitura de Campus nestes anos. É coisa feita sem nenhuma perspectiva ambiental mais ampla, e que só fica bem mesmo nas imagens caprichadas das maquetes. O centro de convenções, a TV universitária, a concha acústica, a nova biblioteca central, a biblioteca setorial do CCH, o auditório central, a fábrica Santa Amélia, todas são obras que caminham muito fora dos prazos. Longe de ser um bom administrador, Natalino Salgado parece ser um mau gerenciador de recursos. A gastança, promovida principalmente através da Fundação Josué Montelo, com certeza não resiste a uma auditoria.
    Atento ao que interessa nestes tempos de propaganda e espetáculo, o reitor tratou logo de ampliar a assessoria de comunicação da universidade, a ASCOM, transformando-a em autêntica agência de publicidade de sua gestão. E passamos a receber um jornal com vinte páginas, de que ele se orgulha da tiragem aos milhares, cheio de matérias falando de maravilhas, projetos em andamento e do mundo novo a vir, repleto também de fotos do reitor em setores e ocasiões diferentes. Existia ali clara obsessão com a construção de uma imagem de inovação e empreendedorismo. Recebemos mesmo um kit com dvd mostrando a Ufma como verdadeira potência rumo à excelência, um delírio só. Nos números, jogados em comparações soltas, parece interessante, mas na realidade cotidiana é outra coisa. Aí as instalações são inadequadas, os professores insuficientes, a biblioteca é muito ruim, as salas de aula quentes e desconfortáveis, as salas de projeção foram desativadas, laboratórios sucateados ou fechados, os terminais de computadores seguem insuficientes, não há espaços de convívio, tudo continua feio e destruído. Exemplos de compras mal feitas e desperdício existem aos montes, mas vou ficar com as centenas de bebedouros recentemente adquiridos com a voltagem imprópria.
    Academicamente, a expansão à toque de caixa vem criando problemas e gargalos nos cursos, muitas vezes surpreendidos com decisões tomadas à revelia dos colegiados pela poderosa Proen, tendo que operar malabarismos, já cada vez mais difíceis de disfarçar, quando o número de disciplinas sem oferta aumenta e logo vai estourar. No departamento de sociologia e antropologia, por exemplo, que atende a toda universidade, foram cerca de trinta disciplinas sem condições de oferta no semestre em curso. Em dois ou três semestres a situação ficará insustentável. Os Centros continuaram anêmicos e quase sem função, como quer a reitoria e parecem concordar os respectivos diretores, que agem como se não tivessem sido eleitos e sim nomeados pelo reitor. Concordam com tudo e mais alguma coisa, não articulam os cursos e vão apenas tocando o expediente. A investida final é sobre os departamentos, que perderão qualquer autonomia na definição de suas atividades, ou deixarão mesmo de existir, o que já está em vias de ser sacramentado. A expansão da pós-graduação, por sua vez, é feita aos trancos, sem acomodações, com estrutura improvisada e, principalmente, de forma muito isolada, é cada qual por si. Em vez de tentar modificar nossas arcaicas instâncias de decisões no sentido de abrir para a própria comunidade a gestão da universidade, tomou-se decididamente o rumo inverso de concentrar decisões, esvaziar colegiados, uniformizar procedimentos, desconhecendo a realidade efetiva dos diferentes centros. Neste sentido, o “novo marco legal” de que falam desenha uma centralização ainda maior e totalmente contrária aos requisitos de diversificação, autonomia e participação, tornadas apenas palavras constantes nos outdoors.
    Por fim, para deixar claro que não convive bem com crítica e opiniões incômodas, o reitor tratou de cooptar o Diretório Central dos Estudantes, com pleno êxito, sendo triste ver um antigo espaço de lutas servindo de agência da reitoria, e chegou a articular uma chapa para tomar a diretoria da Associação de Professores, quase obtendo sucesso na empreitada. Foi por inciativa desta última, aliás, através de ação junto ao ministério público, que finalmente tivemos no início deste semestre as eleições para diretores de centro e chefes de departamento, adiadas sem justificativa há quase um ano. Agiu de forma contrária, célere, quanto à consulta para reitor, processo atropelado com prazo exíguo para registro de candidaturas e poucos dias para campanha. Acima de tudo, era preciso impedir qualquer discussão. Assim, Natalino Salgado seguia em céu de brigadeiro, atropelando tudo, distribuindo em mala direta um luxuoso folder de sua candidatura, papel couche com várias fotos (tudo do que ainda será...) e gráficos, com a propaganda da “gestão de qualidade comprovada”, até a citada reportagem que o pegou no contrapé.
    Enquanto se propõe a gastar meio milhão num pórtico de entrada, construir um centro de convenções com auditório de quatro mil lugares e outras prioridades, a reitoria deixa laboratórios e bibliotecas, departamentos e centros à mingua. Se o repórter fosse olhar as tais obras estruturantes encontraria a situação descrita de várias obras inconclusas e sempre com poucos trabalhadores à vista. Tudo fruto de uma forma de gestão que é a própria irracionalidade administrativa. Tal como os políticos, o reitor gosta de atender a pedidos, não trabalha com descentralização de decisões e de recursos, agindo efetivamente como “o homem que detém as chaves da UFMA”.
    Duas candidaturas oposicionistas se apresentaram contra essa situação. A professora Cláudia Durans, do departamento de Serviço Social, e a professora Sirliane, do departamento de Enfermagem. O nome da professora Sirliane foi uma surpresa agradável, pelo acerto das bandeiras de campanha Gestão Pública, Democrática e Transparente, exatamente tudo o que Natalino Salgado não faz, e por sinalizar novamente, apesar do tempo exíguo e da articulação menor, algo que a candidatura do professor Chico Gonçalves há quatro anos trouxe, a esperança de que os professores, alunos e funcionários desta universidade percebam um dia que podem caminhar fora da canga imposta por círculos que vivem anos a fio trancados nas esferas da administração superior e pouco sabem do dia a dia da universidade, das pessoas que a compõem, de suas dificuldades e necessidades. Esses senhores de casaca vivem vendendo o faz-de-conta e para isto precisam mesmo de muita propaganda, entretanto, chega uma hora que algo de revelador escapa e a realidade fura o engodo publicitário. Foi o que aconteceu no caso dos laboratórios do curso de farmácia na reportagem do Jornal da Globo, que, num lance, pôs a nu a real qualidade da gestão do reitor Natalino Salgado.
Flávio Reis é Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA

Projeto será lançado para recuperar nascentes do Rio Preguiças no Maranhão

    Aprovado na seleção pública 2010 do Programa Petrobras Ambiental, o projeto Revegetação das Nascentes do Rio Preguiças será lançado no próximo dia 31 (terça-feira), em São Luiz, no Maranhão. Com objetivo de recuperar e preservar as nascentes do Rio Preguiças, as principais ações do projeto são a construção de um viveiro de mudas, a produção de 43 mil de mudas de espécies nativas, a construção de 8 km de cercas, o plantio de 40 mil mudas numa área de 35 hectares e a capacitação de 60 pessoas em um trabalho de educação ambiental. Serão envolvidas aproximadamente 300 pessoas na área de atuação.
    Os municípios de Barreirinhas, Santa Quitéria do Maranhão e Santana do Maranhão serão beneficiados pelas ações do projeto. O Rio Preguiças é uma das principais atrações turísticas do Maranhão. Ele nasce no interior do Estado, tem 120 km de extensão e avança delimitando, à sua direita, a Área de Proteção Ambiental (APP) dos Pequenos Lençóis. Portanto, sua preservação é importante e necessária para que as gerações futuras também desfrutem de seus benefícios.
    O lançamento será às 10h, na Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema) e reunirá cerca de 100 pessoas, entre elas, autoridades municipais e estaduais, representantes da Petrobras, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).
    Durante o evento, serão apresentadas as ações e propostas do projeto, um vídeo institucional sobre as nascentes do Rio Preguiças e discursos dos convidados.
    O Programa Petrobras Ambiental (PPA) investe em projetos de conservação e educação ambiental em todo o país. Para o período de 2008 a 2012, o tema definido para o programa é “Água” e “Clima”, com três linhas de atuação: Gestão de corpos hídricos superficiais e subterrâneos; Recuperação ou conservação de espécies e ambientes costeiros, marinhos e de água doce; e Fixação de carbono e emissões evitadas.
Do Portal Fator Brasil

Lançado o cartaz do Círio de Nazaré 2011

    Foi apresentada na noite de sexta-feira,27, na Praça Santuário de Nazaré em Belém (PA) o cartaz do Círio de Nazaré 2011. A peça publicitária - que traz em destaque a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira da maior festa religiosa do mundo - tem como função principal divulgar o Círio de Nazaré no Pará, no Brasil e pelo mundo afora. A Diretoria da Festividade de Nossa Senhora de Nazaré organizou o evento de apresentação do cartaz, aberto  a patrocinadores, autoridades e fiéis. Desde 2007 a organização do Círio repete o evento.
    A apresentação  foi durante missa celebrada pelo Arcebispo de Belém Dom Alberto. Cada pessoa pode levar um exemplar do cartaz para casa.
INTERAÇÃO
    Em 2011, a produção do cartaz começou bem antes do habitual e promoveu uma interação direta com os devotos, dando a oportunidade de que cada um pudesse participar um pouco da confecção deste ícone. Desde fevereiro, as pessoas interessadas em ter sua imagem no cartaz do Círio podiam enviar suas fotos, após responder à pergunta “Por que você quer sua foto faça parte do Cartaz do Círio 2011?”. As melhores respostas foram selecionadas e as fotografias enviadas, incluídas na peça publicitária. A agência Mendes Comunicação foi a responsável pela produção do cartaz e Luciana Nahum, do GQ Foto Estúdio, foi o fotógrafo escolhido para produzir a imagem principal.
    Por traz da  imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi inserido um grande mosaico composto pelas fotos enviadas através do hotsite do Círio pelos devotos.
    Pelo quinto ano consecutivo, o lançamento acontece no primeiro semestre e é aberto a todos os fiéis. Este ano, a tiragem do cartaz deve chegar a 880 mil exemplares, somando a impressão feita pela Diretoria da Festa mais as de patrocinadores oficiais, apoiadores e outras empresas autorizadas.
    Confira a agenda do Círio de Nazaré 2011 em Belém do Pará.
Com informações da Diretoria da Festa de Nazaré em Belém (PA)

Lambe-Lambe: Filosofia rapidão na estrada

Manchetes dos jornais

Maranhão
O ESTADO DO MARANHÃO - Lançada bases de fábrica de aços planos
O IMPARCIAL - Concursos abrem 434 vagas;Salários chegam a R$ 6 mil
Nacional
CORREIO BRASILIENSE:Nada mudará após tragédia no Lago
FOLHA DE SÃO PAULO:Voo da Air France caiu em 3min22s e bateu a 187 km/h
O ESTADO DE MINAS:Minas vai às compras
O ESTADO DE S. PAULO:PMDB freia rebeldes, mas rejeita pressão do Planalto
O GLOBO:Crise com o PMDB afasta Dilma do vice-presidente
ZERO HORA:Os diálogos do voo 447
Regional
DIÁRIO DO PARÁ:PMB deve R$ 20 mi à saúde pública
JORNAL DO COMMERCIO:Polícia desarticula rede criminosos
MEIO-NORTE:Zona Sul e Sudeste terão R$ 65 milhões
O POVO:Prefeitura desiste de alargar três avenidas