2 de jun de 2010

Confederação dos Municípios denuncia manobra de Lobão na votação do projeto pré-sal

“Articula-se no Senado Federal, por meio do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) e do senador Edison Lobão (PMDB-MA), uma manobra profundamente antidemocrática destinada a lesar os interesses da federação brasileira nas votações dos projetos relacionados ao pré-sal”. A denúncia é do presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski.
     Segundo Ziulkoski, tal manobra consiste em desfigurar completamente o texto aprovado pela Câmara, retirando de discussão e votação qualquer menção à redistribuição dos Royalties e participações especiais do petróleo, para fundir em apenas um substitutivo os projetos originais do governo que tratam da criação do regime de partilha e do fundo social.
     O presidente da CNM destaca que a proposta de substitutivo anti-federativo é do senador Edson Lobão, ex-ministro de Minas e Energia, e o encaminhamento à votação em Plenário, sem qualquer possibilidade de apreciação de emendas e destaques para votação em separado, é do líder Jucá. “Se concretizado, esse encaminhamento representará um grave desrespeito aos Estados e Municípios brasileiros, bem como à Câmara dos Deputados, que durante meses discutiu e votou propostas alternativas à melhor distribuição das rendas do petróleo”, adverte.
     Paulo Ziulkoski lembra que a manobra dos senadores contradiz o próprio discurso do presidente Lula ao proclamar que o petróleo do pré-sal é de todos os brasileiros e ao delegar ao Congresso a definição de uma nova fórmula de redistribuição das receitas de Royalties e participações especiais.
     A Confederação Nacional de Municípios (CNM) vêm a público denunciar essa manobra e exigir do líder do governo que coloque em votação em separado a questão das regras de distribuição dos Royalties e participações especiais. “Do contrário, o movimento municipalista vai unir todos os seus esforços no sentido de promover a obstrução de votação de qualquer projeto relacionado ao pré-sal no Senado Federal, além de abrir uma ampla campanha de denúncia às bases dos senadores”, adianta.

Museu de tudo: Chico Maranhão e Sérgio Habibe na rua de Santaninha na década de 80

Eros Grau perde eleição na ABL para o escritor Geraldo Holanda Cavalcanti

O diplomata e escritor Geraldo Holanda Cavalcanti, de 81 anos, é o novo ocupante da Cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras (ABL). A eleição secreta foi realizada na tarde desta quarta-feira (2), na sede da instituição, no Centro do Rio. Cavalcanti sucede o bibliófilo José Mindlin, que morreu em São Paulo no dia 28 de fevereiro deste ano.
     Concorriam à vaga o advogado, escritor e Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau; o compositor e escritor Martinho da Vila; e o escritor, ensaísta e atual presidente da Biblioteca Nacional, Muniz Sodré.
     A novo acadêmico recebeu 20 dos 39 votos possíveis. Em segundo ficou o candidato Eros Grau, com 10, seguido de Muniz Sodré, com 8. Um voto foi em branco e Martinho da Vila não foi votado.
     Nascido em 6 de fevereiro de 1929, o pernambucado graduou-se Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, em 1951. Diplomata por mais de quatro décadas, profissão a que dedicou a maior parte de seu tempo, serviu em Genebra, Washington, Moscou e Bonn, entre outras grandes cidades.
     Seu pontapé inicial da literatura foi em 1964, com o livro de poesias "O Mandiocal de verdes mãos". Em 1998 foi publicada "Poesia reunida", coletânea de textos, entre inéditos e já divulgados, pelo qual conquistou o prêmio Fernando Pessoa, da União Brasileira de Escritores (UBE).
     Em 2007 lançou seu primeiro livro de ficção "Encontro em Ouro Preto" (Record), obra finalista do Prêmio Jabuti 2008 na categoria "Melhor Livro de Contos e Crônicas". Este ano, pela mesma editora, publicou o livro de memórias "As desventuras da graça".
     A Cadeira 29 foi fundada por Artur Azevedo, que escolheu como patrono Martins Pena, e ocupada posteriormente por Vicente de Carvalho, Cláudio de Souza e Josué Montello.

Do G1

Em respeito à democracia e ao povo maranhense, golpe novamente não!

Por Sílvio Bembem
     Em meio às notícias veiculadas pela mídia de que o grupo de Washington e Monteiro pretende levar o Partido dos Trabalhadores, no Estado, a apoiar a candidatura de Roseana Sarney Murad, do PMDB/DEM, considero necessário esclarecer alguns aspectos do enredo dessa novela chamada PT/PMDB/DEM.
     Falo na condição de quem coordenou o PED-2009 (Processo de Eleições Diretas), é filiado há 20 anos no partido e já votou em Lula cinco vezes para presidente da República. O meu pressuposto nessa discussão é que, no partido, o respeito ao Estatuto, Regulamento e Resoluções constitui princípio fundamental da democracia interna e da cultura democrática do PT.
     O ponto de partida para entender essa novela é o PED (Processo de Eleição Direta), que aconteceu em outubro de 2009. Na oportunidade, sete chapas e seis candidatos participaram das eleições. Dessa disputa resultou um Diretório Estadual composto de 51 membros com o presidente eleito.Também foram eleitos os 175 delegados (as) de acordo com percentual de cada chapa, os quais têm o poder de decidir o destino do PT em relação às eleições 2010.
    O segundo momento começou a acontecer em 8 de maio de 2009, quando o Diretório Nacional, instância superior e composta de 84 membros, aprovou a resolução e o calendário para indicação, impugnação e aprovação das candidaturas do PT às eleições de 2010, a ser estabelecido, em cada Estado pela respectiva Comissão Executiva Estadual (CEE), observadas as Diretrizes e o Regulamento do Processo de Definição de Candidaturas do PT em 2010, aprovado pelo DN em março de 2010.
Vejam alguns pontos importantes da referida resolução:
1. Em nível estadual, o processo estatutário de definição das candidaturas majoritárias e proporcionais do PT somente terá inicio após o 4º. Congresso Nacional do PT, que foi realizado de 18 a 21 de fevereiro de 2010;
2. Havendo consenso (O que não houve no PT/MA) no âmbito estadual quanto à definição da candidatura majoritária, à política de alianças e à tática eleitoral, a Direção Nacional poderá autorizar excepcionalmente a alteração no disposto neste item;
3. De acordo com o artigo 142 do Estatuto do PT, em que um 1/3 (um terço), no mínimo, dos membros do Diretório ou da Comissão Executiva Estadual pode apresentar proposta de apoio a candidato a Governador de outro partido, antes da abertura de inscrições a pré-candidatos e do Encontro Estadual de definição da política de alianças e tática eleitoral, denominado Encontro de Definição de Tática Eleitoral, a candidatura de Flávio Dino foi apresentada pelo Deputado Dutra, Deputado Valdinar Barros, Terezinha Fernandes, Jomar, Bira, Sílvio Bembem, Márcio Jardim, Augusto Lobato, Genilson Alves, Franklin Douglas, Manoel da Conceição, Ananias Neto, Janete Amorim e outros filiados;
4. A data final para apresentação de eventuais propostas de apoio é definida, em cada Estado, pela CEE respectiva, devendo estar situada entre os dias 22 de fevereiro e 21 de março de 2010;
5. Caso seja apresentada proposta de apoio no prazo definido pela CEE, o Encontro Estadual de Definição de Tática Eleitoral será realizado, observando-se um intervalo mínimo de 20 (vinte) dias após o fim do prazo de apresentação de propostas, portanto, o prazo máximo seria 11 de abril de 2010, para a realização do Encontro de definição de candidatura a Governador.
     No caso em tela, o Encontro do PT/MA aconteceu nos dias 26 e 27, dentro do prazo regulamentar e deliberou por 87 votos a 85, com uma abstenção e uma ausência pelo apoio a candidatura do Dep. Flávio Dino (PCdoB) a governador rejeitando a proposta de aliança com Roseana Sarney Murad do PMDB/DEM.
     A mesma resolução determina que caso o encontro delibere por candidatura própria, a CEE (Comissão Executiva Estadual) determinaria a abertura do prazo de inscrição de pré-candidaturas a Governador, no máximo até o dia 12 de abril de 2010, que teria que se estender por, no mínimo, 5 (cinco) dias úteis. O que não é caso, já que o encontro deliberou por apóio a Flávio Dino.
     No encontro que aprovou o apoio a candidatura a governador do Dep. Flávio Dino a votação dos 175 delegados (as) foi aberta, nominal, sem que houvesse qualquer recurso questionando o processo de votação e foi acompanhada pelo Secretário Nacional de Organização, Paulo Frateschi e o Presidente Nacional do PT, José Eduardo Dutra e por toda a imprensa maranhense. Só que depois de 3 (três) dias do encontro, o grupo do PT aliado ao Senador Sarney resolveu apresentar recurso ao Diretório Nacional questionando o resultado do encontro.
     Dos três recursos, dois já foram indeferidos. Faltando o da delegada e primeira Dama do Município de Biuriticupu, Francisca Primo, que alega ter sido impedida de votar. Mais o fato é que ela não estava quite com sua contribuição ao partido, portanto, não tinha direito de ser credenciada.
     Cabe destacar que o Estatuto do PT no art. 43 determina que somente participem dos encontros, em qualquer nível, os delegados que estiverem em dia com sua respectiva contribuição financeiro, portanto, para votar ou ser votado no PT o filiado tem que pagar uma contribuição anual. No caso em discussão, a mesma não o fez, portanto, esse recurso também já deveria ser indeferido. Nota-se que o Encontro que escolheu Flávio Dino candidato a Governador está dentro das regras e procedimentos do partido.
     Depois da vitória da tese Pró-Flávio Dino no encontro, o grupo do PT aliado ao Senador Sarney não teve condição de entregar a mercadoria prometida para Roseana Sarney Murad. A partir daí começaram a arquitetar várias outras estratégias, com objetivo de mudar o resultado do encontro, como:
a) convencer o PCdoB nacional a retirar a candidatura de Flávio Dino;
b) apresentação dos recursos para anulação do encontro;
c) compra de delgados, para buscar construir maioria;
d) elaboração de um abaixo-assinado que fora entregue ao Presidente do PT Nacional e a Roseana Sarney Murad mais nunca tornado público, o que pode ser questionado, pois, na res pública o que não é público não ético;
e) e, por último, a manobra de adiamento do segundo Encontro marcado para os dias 21 e 22 de maio para escolha e homologação das candidaturas de Vice-Governadora, do Senador e suplentes e da chapa de Deputado Federal e Estadual e discussão das diretrizes do programa de governo, encontro também aprovado pela Resolução do dia 08/05/2009.
     Vejam mais uma vez o que diz a resolução do PT Nacional: Os Encontros Estaduais de Definição de Candidaturas serão realizados observando-se um intervalo mínimo de 20 (vinte) dias após a Prévia, quando houver, e não ultrapassando a data de 30 de maio de 2010, portanto, quando aprovam o adiamento do encontro dos dias 21 e 22 de maio para 19 de junho estão ferindo a referida resolução.
     Também cabe dizer que os delegados aos Encontros Estaduais de Definição de Tática Eleitoral e aos Encontros Estaduais de Definição de Candidaturas serão aqueles eleitos no PED 2009 (vide resolução completa disponível na página do PT (www.pt.org.br, clique em secretarias e depois organização).
     Na proposta de calendário do Encontro de Definição de Candidatos, no regulamento dos Encontros do PT nacional o prazo máximo é 6 de junho para realização e a Convenção Oficial de 10 a 30 de junho de 2010, sendo que a Convenção da nossa candidata presidente Dilma já está marcada para o dia 13 de junho, não tendo, portanto, nenhum respaldo legal a deliberação da Comissão Executiva Estadual que decidiu de maneira arbitrária por 9 votos a 8, portanto, maioria simples, e não por unanimidade dos seus membros adiar o encontro para o dia 19 de junho. Mesmo por que a Comissão Executiva é instância inferior ao Encontro que deliberou por tal data.
     Daí afirmar que o Encontro realizado nos dias 21 e 22 de maio de 2010, que escolheu a Ex-Dep. Terezinha Fernandes Vice-Governadora, Bira Senador e homologou a chapa de Deputado Federal e Estadual de acordo com o Artigo 96 do Estatuto do PT, que cita que 1/3 (um terço) dos delegados ao próprio encontro pode fazer a convocação de forma extraordinária.
     Nesse sentido com um quórum de maioria de 50% mais um dos 175 delegados (as) aptos, portanto, 88 delegados (as) poderá ser instalado, por isso, o encontro foi convocado e instalada sendo legitimo e legal.
     O que se pode afirmar é que em todas as tentativas do Senador Sarney intervir no PT-MA através do grupo de Washington e Monteiro e todas foram derrotadas. Agora vamos aguardar o resulto da apuração da Comissão do PT Nacional, que esteve em São Luís nos dia 31 de maio e 1 de, junho (segunda e terça-feira) para apurar denúncia da revista Veja, cujo titulo: “compra-se petistas no Maranhão”, e também a reunião, no dia 11 de junho, do Diretório Nacional, em Brasília, para definir todas as alianças nos estados quando o caos do Maranhão será resolvido, hoje o principal problema para a coligação com PMDB.
     Essa reunião vai acontecer dois dias antes da convenção que vai oficializar a candidatura de Dilma (PT) - Presidenta do Brasil. Espera-se que a direção nacional do PT respeito à democracia interna do partido. Para tanto, invoco uma citação de Noberto Bobbio sobre democracia.
     Diz ele: “único modo se chegar a um acordo quando se fala de democracia, entendida como contraposta a todas as formas de governo autocrático, é de considerá-la caracterizada por um conjunto de regras (primárias ou fundamentais) que estabelecem quem está autorizado a tomar decisões coletivas e com quais procedimentos”.
     Nesse caso, já que a situação está nas mãos da direção nacional o que se espera é o respeito às regras e aos procedimentos do jogo. Fala-se que a Direção Nacional vai fazer intervenção, mas para que essa proposta seja aprovada é preciso 2/3 dos membros do diretório que é formado por 84 membros, portanto, precisaria de 56 votos, o que hoje o campo a favor do Senador Sarney no PT não tem.
     Daí o PT evoca o lulismo e o projeto nacional para tentar justificar tal procedimento. Quando falam da resolução do 4º Congresso eles também não tem respaldo, pois, a decisão do PT/MA de apoiar uma candidatura do PCdoB em aliança com PSB em nada fere a referida resolução. Penso que a melhor proposta para resolver o problema do Maranhão é a Direção Nacional do PT mantenha o encontro que aprovou o Dep. Flávio Dino – Governador em aliança com o PCdoB, PSB e movimentos sociais, assim como o encontro que escolheu Terezinha - Vice e Bira – Senador.
     O PT Nacional e o nosso presidente Lula precisam entender é que aqui ainda existem militantes, que têm idéias, têm sonhos, esperanças, têm dignidade, têm compromisso e coerência e não vão abrir mão de sua luta e de sua história. Existe um coração que pulsa. Por isso espera-se o RESPEITO À DEMOCRACIA, AO POVO MARANHENSE E A HISTÓRIA DO PT construindo com sangue, suor e luta de milhares de trabalhadores (as).

ESSA ESTRELA É NOSSA. E GOLPE NOVAMENTE NÃO!

Mais um capítulo da escolha anunciada de Fátima Travassos pela governadora Roseana Sarney

Foto: Jornal O Estado do Maranhão, 07/06/09

Arraial da Maria Aragão pestigia Liga para irritação de Gardênia Castelo

    A deputado estadual Gardênia Castelo (PSDB), filha do prefeito João Castelo, também tucano, não gostou nada da programação desenhada pela Fundação Municipal de Cultura, FUNC, para o arraial oficial da Prefeitura de São Luís montado na Praça Maria Aragão.
     A temporada de festas patrocinada pela Prefeitura foi dada ontem, 1º de junho, e se estenderá até o dia 4 de julho. Serão 34 dias de programação junina desenvolvida no local. Das 154 apresentações programadas para acontecer nesse período, 31 foram reservadas aos grupos filiados à Liga Independente dos Bumba-meu-boi.
     Desde o ano passado, primeiro da atual administração, a última palavra sobre programação - e tudo da administração municial - é da parlamentar filha do prefeito. Com a programação divulgada será difícil, mas não impossível, fazer modificações para atender ao eleitorado ligado aos grupos folclóricos.
     Segundo o presidente da FUNC, o professor licenciado do curso de Comunicação da UFMA, Euclides Moreira Neto, no cadastro do órgão da prefeitura estão inscritas 686 brincadeiras juninas,entre grupos de danças, tambor de crioula, quadrilhas e bumba-meu-boi.
     Embora os cantadores Humberto de Maracanã e Chagas da Maioba tenham participado da solenidade de abertura do projeto São Luís do São Luís, financiado pela Prefeitura de São Luís, os bois da Maioba e Macaranã ficaram de fora da programação da FUNC. Ambos são da Liga criada por Ricardo Murad.
     No discurso de abertura do São João, o prefeito João Castelo disse que o arraial será um espaço para desopilamento do cidadão. "O que mais nos desgasta é o estress", afirmou o prefeito. Nenhuma palavra mais sobre a buraqueira que se transformou a ilha de São Luís. Estressada mesmo só a deputada Gardênia Gonçalves.

Manifesto do Povo do Livro II

Em 2006, a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) organizou, com apoio das entidades do livro, o Manifesto do Povo do Livro, entregue aos principais candidatos a presidente da República. Este ano, foi a Academia Brasileira de Letras quem tomou a frente e já avisou: vai levar os candidatos a sua sede, no Rio, para que falem sobre suas propostas para a área cultural e, de quebra, para o livro e a leitura. Dilma e Serra já confirmaram que estarão lá em agosto.

Relator do processo que cassou Jackson Lago no TSE concorre a ABL com apoio de José Sarney

O ministro está nu
PERFIL DE EROS GRAU

Dono de uma estátua dele próprio sem roupa, ministro do Supremo está prestes a deixar a corte e tenta hoje ser eleito imortal pela Academia Brasileira de Letras; autor de mais de 40 livros, sua primeira ficção, um romance com passagens eróticas , provocou frisson entre os colegas

FELIPE SELIGMAN
MATHEUS LEITÃO
DE BRASÍLIA
     Um romance com citações eróticas e uma estátua dele próprio nu, vista por um "surpreso" colega em seu refúgio em Minas e comentada nos corredores do STF. Com um perfil que foge às formalidades da toga, o ministro Eros Roberto Grau, 69, está prestes a deixar a corte.
     Depois de assumir a cadeira deixada por Maurício Corrêa em junho de 2004, o gaúcho Eros Grau tenta hoje, às 16h, uma vaga no "templo dos imortais", a Academia Brasileira de Letras.
     A Folha apurou que ele tem o apoio de José Sarney, Marco Maciel, Moacyr Scliar, Carlos Nejar e Paulo Coelho. Ainda assim, o favorito à cadeira 29 é o diplomata e ensaísta pernambucano Geraldo de Holanda Cavalcanti.
     Não é de hoje que Eros se dedica à literatura. No fim de 2008, cansado com o volume de julgamentos, lançou o 41º livro, o romance "Triângulo no Ponto", sua primeira aventura na ficção, que causou frisson na corte por seu conteúdo erótico.
     Todos os outros de sua estante pessoal, começada em 1974 com o "Região Metropolitana: Regime Jurídico", estudo sobre o crescimento das cidades, foram escritos sobre as nuances e interpretação do direito no Brasil, na Itália e na Espanha. Um deles está na 14ª edição.
     "Triângulo no Ponto" trata da vida de três personagens durante a ditadura (1964-1985), numa narrativa entremeada por cenas de sexo.
     "A imprensa matou o livro. Por me chamar Eros, virou erótico. Se me chamasse Hermes, seria hermético", disse, quando recebeu a Folha em seu gabinete.
     "Triângulo no Ponto" está na segunda edição. Apesar de a narrativa política predominar "sem nenhum excesso de linguagem", diz Eros, não passam despercebidas descrições como "válvula de sucção no lugar do sexo" com "sonoras flatulências vaginais pós-coito" sobre ex-namorada de personagem.
VISITA
     Pode ser por influência dessas passagens eróticas e nada herméticas que a história da estátua ganhou ressonâncias nos corredores do Supremo Tribunal Federal.
     No início de 2009, Eros convidou um grupo de ministros para visitar sua casa em Tiradentes (MG).
     Eles foram os únicos a ultrapassar a fronteira entre apenas usar a mesma toga no ambiente de trabalho e frequentar sua casa, sendo, assim, chamados de "amigos".
     A existência da estátua foi confirmada por colegas e um funcionário que já estiveram na casa de Eros. Outros quatro ministros do STF relataram que ouviram sobre ela dos que estiveram lá.
     Um deles parou a reportagem da Folha nos tais corredores para contar o caso, sussurrando, como se fosse ilegal a posse de uma estátua nua no Brasil.
     O próprio Eros ficou desconfortável com o assunto levantado pela Folha. "Vê se eu teria isso em casa? Isso é uma brincadeira dos amigos", disse. No dia seguinte, ligou para a reportagem. "Estou dizendo que não existe."
     Uma reportagem publicada em um jornal de Minas, na época, descreve desta forma a casa em que ele recebeu os ministros: "O casarão de estilo colonial ocupa quase um quarteirão e guarda surpresas, como biblioteca climatizada, capela e peças de antiquário e jardim com esculturas eróticas".
AFETUOSO
     Eros Grau é considerado afetuoso pelos amigos. Já os que não fazem parte do seu círculo de amizades o acham soturno. Usam até as palavras "rabugento", "bravo" e "pavio curto".
     Em família, com a mulher, dois filhos e netos, é expansivo. Sobra carinho até para os sete labradores criados em Tiradentes.
     Os cachorros são homenageados nas fotos da estante atrás da mesa no STF, junto com a mulher, a filha, um dos três netos, o alemão Karl Marx (de barba parecida com a de Eros), o romancista e jurista alemão Rudolf Von Ihering e o ex-primeiro-ministro francês Jacques Chirac.
     A casa mineira, aliás, é um de seus grandes amores. Comprada em 1973, tem uma biblioteca com 19 mil itens e pequena capela com a capacidade de receber 30 pessoas. Por ser consagrada, conta Eros, pode ser utilizada na realização de missas católicas, sua religião. "Me sinto em paz na igreja", diz.
     Apesar de ter feito primeira comunhão e ser crismado, Eros estudou em colégios protestantes por influência da mãe, Dalva, que estudou em colégio semelhante, e do pai, Werner Grau, um funcionário público que idealizou, entre outras coisas, o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).
     Eros também já havia atuado no serviço público brasileiro antes do Supremo.
     Foi chefe do departamento jurídico da Comasp, antiga Sabesp, onde conheceu a mulher, a filósofa Tânia Marina, paulista de Campinas, com quem é casado há 39 anos e tem dois filhos.
     Dedicou quase 30 anos à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Tornou-se professor titular depois de ser aprovado em concurso, do qual participou sozinho, em 1990.
     No ano passado, se aposentou. "Se me perguntarem o [que é] mais importante da minha vida? [Ser] professor da Faculdade de Direito do largo São Francisco."
CURRÍCULO
     O currículo de Eros no direito é imponente, tem exatas 219 páginas no site da Suprema Corte.
     Além dos livros publicados, é doutor honoris causa das universidades francesas Cergy-Pontoise e Havre e da argentina Siglo 21. Também foi professor visitante da Sorbonne e Montpellier.
     Na década de 80, quando era professor-adjunto da USP, Eros conheceu um sindicalista chamado Luiz Inácio Lula da Silva, futuro presidente da República, que o nomearia para o Supremo. Ficaram amigos.
     No início do primeiro mandato de Lula, conta Márcio Thomaz Bastos, então ministro da Justiça, o presidente já tinha em mãos o nome de Eros para indicá-lo a uma vaga no Supremo.
     Seria o primeiro dos oito ministros que nomeou: "Quando cheguei, o nome de Eros já estava com Lula. Mas Eros pediu para ser nomeado na segunda leva. Dizia ainda ter coisas a fazer pelo direito fora do Supremo".
     Thomaz Bastos, amigo há 30 anos, também ouviu falar das estátuas, mas, afirma, nunca as viu. Também nunca esteve lá.
     Com gel no cabelo e barba sempre volumosa, Eros confidencia a amigos como Thomaz Bastos que conta os dias para deixar a corte e Brasília, cidade da qual não aprendeu a gostar.
     A barba começou a ser cultivada para esconder uma lembrança dolorosa -a cicatriz no queixo por conta de um forte acidente na rodovia Presidente Dutra. "Meus filhos nunca me viram sem barba", conta.
     Eros Grau afirma não ver razão para merecer um perfil -algo que deveria ser feito, se fosse o caso, "só após a morte". "Não existe nada completo. A gente está sempre se completando."

No Contraponto do Painel da Folha de S. Paulo

Correio elegante
Durante a formatura de curso profissionalizante destinado a beneficiários do Bolsa Família, ontem em São Paulo, Lula recebeu bilhetinhos redigidos pela plateia, majoritariamente formada por mulheres.
Depois de dizer que elas são "as caras", o presidente notou que os recados não paravam de chegar ao placo.
- Tem bilhete aqui para todos os gostos!- comentou, emendando em seguida uma ressalva:
- Só não veio um romântico...
Nessa hora, alguém da plateia gritou "eu te amo"

Comissão da Câmara aprova fim de prisão especial para presos com curso superior

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 1º, o fim da prisão especial aos portadores de diplomas de nível superior, a detentores de cargos e também de mandatos eletivos.
     Segundo o texto, a prisão especial só poderá ser concedida quando houver necessidade de preservação da vida e da integridade física e psíquica do preso, reconhecida pela autoridade judicial ou policial.
     Essa é uma das medidas acatadas pelo relator na CCJ, deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP), para o Projeto de Lei 4208/01, do Poder Executivo. O projeto faz parte da Reforma do Processo Penal, iniciada em 2001.
     O texto foi aprovado originalmente pela Câmara em junho de 2008 e está em análise novamente na Casa devido às modificações feitas pelos senadores. A proposta precisa ser votada ainda pelo Plenário.
De O Estado de S. Paulo

Na edição de hoje de O ESTADO DO MARANHÃO, jornal do senador José Sarney

Coluna sindical
Leonardo Monteiro
     A matéria de capa da revista Carta Capital desta semana deve alegrar bastante o nosso operário-presidente. Ela diz que os miseráveis brasileiros, especialmente os do Nordeste, depois da força e distribuição de tantas bolsas, alimentos do Fome Zero e muito incentivo à malandragem, fez com que esses pobres sejam agora motivo de preocupação do governo, pois estão muito gordos ou obesos.

Manchetes dos jornais

ATOS & FATOS - Secretária visita escolas e professores vão à Câmara
CORREIO DE NOTÍCIAS - Base governista rejeita projeto de Helena Heluy
GAZETA DA ILHA - Desentendimento fatal
JORNAL A TARDE- José Márcio Leite é empossado na secretaria de estado da saúde
JORNAL EXTRA - PSL não vai mais apoiar o prefeito João Castelo
JORNAL PEQUENO - Cúpula do PT aumenta pressão por aliança em favor a Roseana
O ESTADO DO MARANHÃO - Câmara pode atrasar votação de aumento para professores
O IMPARCIAL - Faz de conta no PT
O QUARTO PODER - Forquilha vira cracolândia
TRIBUNA DO NORDESTE - Prefeitura inclu 5 mil jovens na computação