4 de jul de 2010

Morre o ex-prefeito de São José de Ribamar, J. Câmara

     Morreu hoje o ex-prefeito de São José de Ribamar, J. Câmara (2001-2004. A morte de Câmara foi anunciada à cidade durante o lava-boi, realizado na cidade balneária no domingo após o encerramento do período junino. Os brincantes de bumba-meu-boi presentes no evento fizeram um minuto de silência em respeito ao ex-prefeito.
     J. Câmara foi prefeito do município por duas gestões. A  última foi no periodo 2001-2004. O corpo do ex-prefeito está sendo velado na Câmara Municipal de São José de Ribamar, na avenida Gonçalves Dias, centro. José Câmara Fereira foi no mês passado pelo Tribunal de Contas do Estado, TCE, a devolver mais de R$ 4 milhões.
     Foi adversário político do atual prefeito Luiz Fernando Silva (DEM), que tem como vice, Gil Cutrim, filho do conselheiro do TCE, Edmar Cutrim.

Jornada de Direito discute Ficha Limpa e propaganda eleitoral

     A Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão (Ampem), em parceria com a Procuradoria Regional Eleitoral, promove na próxima segunda-feira, 5 de julho, às 9h, no auditório da OAB-MA, a I Jornada de Direito Eleitoral. No evento serão discutidos aspectos jurídicos e práticos de temas como a Lei Complementar 135/2010 (Ficha Limpa) e a propaganda eleitoral.
     O evento é voltado para membros do Ministério Público, sobretudo promotores de Justiça com função eleitoral que vão atuar no pleito de outubro, operadores do direito, acadêmicos e sociedade civil.
     A propaganda eleitoral, principalmente os aspectos relacionados à propaganda na Internet, propaganda móvel e poder de polícia dos membros do Ministério Público, será tema da palestra do procurador-chefe da Procuradoria da República no Maranhão, Juraci Guimarães Junior.
     A Lei Complementar 135/2010, conhecida como Ficha Limpa, é outro tema que será debatido durante a Jornada. O juiz de direito Marlon Reis, um dos entusiastas do projeto de iniciativa popular que resultou na lei sancionada em junho, e o advogado Carlos Eduardo Lula, diretor-geral da Escola Superior da Advocacia da OAB-MA, vão discorrer sobre o assunto.
     “Por se tratar de uma novidade a propaganda na internet deve despertar muitas dúvidas para quem vai atuar nestas eleições, por isso a necessidade de oferecermos essa capacitação. A Lei da Ficha Limpa é outra novidade que entra em vigor no pleito de outubro, então precisamos saber seus aspectos práticos. Temos necessidade de trazer esses assuntos para discussão para explorar os temas e tentar diminuir as eventuais dúvidas”, destacou a presidente da AMPEM, Doracy Reis.
Da Assessoria da AMPEM

Jackson Lago irá pessoalmente ao TRE-MA formalizar pedido de registro de candidatura

     O ex-governador Jackson Lago, formaliza nesta segunda-feira (04 de julho), às 11 horas, ao Tribunal Regional Eleitoral, o pedido de registro de sua candidatura ao governo do Estado e demais integrantes da coligação PDT-PSDB-PTC que irão disputar as eleições de senador, deputado federal e deputado estadual.
      Jackson chegará ao TRE em companhia dos candidatos ao Senado Roberto Rocha e Edson Vidigal, ambos do PSDB, deputados federais, estaduais, lideranças políticas dos partidos coligados e entregará pessoalmente a documentação ao representante do Cartório Eleitoral.
     “Chegamos à fase do registro, agora vamos iniciar nossa campanha e discutir com a população aquilo que ela deseja que seja feito, disse o candidato à sua assessoria nesta manhã domingo (04 de julho).
     A caravana da coligação que pretende reiniciar o governo interrompido por força de um golpe judicial orquestrado pela oligarquia Sarney junto ao TSE, se concentrará na sede do diretório estadual do PDT, no Olho D’água, de onde seguirá para o Tribunal Regional Eleitoral.
     Após a formalização do pedido de registro, o candidato Jackson Lago vai iniciar a montagem do seu cronograma de visitas ao interior do Estado, assim como acelerar a colocação de sua campanha na rua. Deve começa a caminhada de volta ao Palácio dos Leões pelas regiões tocantina e sul do Maranhão.

O passado dos candidatos - José Serra

DE VOLTA
Depois do exílio no Chile, Serra retornou à UNE, em
1979, para abrir o 31° congresso da entidade, na Bahia

     Logo após o golpe da madrugada de 1º abril de 1964, a União Nacional dos Estudantes (UNE) foi posta na alça de mira dos militares que tomaram o poder. Os generais enxergavam na entidade um braço político do governo João Goulart. E avançaram com virulência sobre os universitários. A UNE era presidida por José Serra, então com 22 anos e hoje candidato do PSDB à Presidência da República. Ele cursava o último ano da Escola Politécnica da USP e, assim como os outros nove diretores, passou a ser caçado pelos quatro cantos do País. Acreditavam os golpistas que a UNE recebia ajuda financeira da União Soviética. “Era pura mistificação. As verbas da UNE eram verbas oficiais, e o relator do Orçamento era, inclusive, um deputado da UDN e amigo do general Castello Branco”, nega Serra. Mas, numa das primeiras ações repressivas da ditadura, a sede da UNE na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi invadida em busca do “ouro de Moscou”. Só encontraram um cofre enferrujado, coberto pela bandeira de Cuba. Mas o ódio à UNE era tão grande que atearam fogo ao prédio histórico.
Ação popular – Depois de dirigir a União Estadual dos Estudantes em São Paulo, Serra foi eleito presidente da UNE em julho de 1963, para um mandato de um ano, num clima de turbulência política. Metade da chapa encabeçada pelo atual tucano era composta pela Ação Popular (AP), organização que nasceu nos movimentos católicos e da qual Serra fazia parte. A outra fatia pertencia a militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partidão. A esquerda estava unida, reforçando a tendência das eleições de Aldo Arantes em 1961 e Vinícius Caldeira Brant em 1962. O hoje senador Marco Maciel (DEM-PE) chegou a se lançar em uma chapa alternativa pela direita em 1963, mas desistiu diante do amplo favoritismo de Serra, que foi consagrado com a chapa única. “Na época da UNE, eu já tinha o hábito de não dormir e conversava com todos, por isso, fui eleito”, disse Serra na quinta-feira 1º.

     Na gestão compartilhada pela AP e pelo PCB, o então vice-presidente de Assuntos Nacionais, Marcelo Cerqueira (advogado e candidato ao Senado pelo PPS-RJ) conta que as decisões eram tomadas na forma de colegiado. Serra era hábil para lidar com as duas correntes políticas e chamava para si as principais decisões. Tinha, segundo Cerqueira, uma característica especial: “Ele era extremamente cioso com os gastos. Não admitia que nenhum diretor usasse táxi.” O vice-presidente de Assuntos Internacionais era o gaúcho Carlos Albano Castilho, hoje com 68 anos e professor universitário. Ele lembra que Serra se envolvia com todos os temas da entidade. “Queria decidir tudo. Mas sempre foi muito prático e objetivo e estava o tempo inteiro preocupado com a situação nacional, logo não se interessava muito pela minha área”, diz.
     Secretário-geral da UNE à época, o professor Lauro Morhy conta que a diretoria eleita em 1963 “trabalhava pesado” na reforma universitária, mas também tinha simpatia pelas demais reformas anunciadas pelo governo Jango. Segundo Morhy, que se considera um socialista independente, Jango chamou a diretoria da UNE, no início de março de 1964, para uma conversa no Palácio da Alvorada, em Brasília. Ao lado do líder do PTB, Bocayuva (Baby) Cunha, e do chefe da Casa Civil, Darcy Ribeiro, o presidente pediu o apoio da UNE às reformas de base. Ouviu de Serra que a entidade era a favor das mudanças, com ênfase na reforma universitária e na reforma agrária. Mas não iria se atrelar ao governo. “Na prática, a gente confundiu a defesa da UNE com as reformas de base. Mas tínhamos uma linha de ação independente”, conta Morhy, que foi reitor da UnB entre 1997 e 2005. “A UNE era temida e bajulada. E me lembro do Serra liderando aquele processo. Muito combativo e destemido”, afirma a psicóloga Nazaré Pedroza, que era tesoureira e a primeira mulher a participar da direção da entidade. “Os militares achavam que fazíamos parte de um esquema internacional de dominação do Brasil”, completa Morhy.
Comício da Central – Embora tenha se negado a atrelar a UNE, Serra participou do famoso comício da Central do Brasil, em 13 de março, que serviu como estopim para o golpe militar. Com o aval da diretoria, Serra fez um discurso de apoio às reformas de base e com o que entrou de vez para a lista negra dos militares de direita. Morhy conta que quando os estudantes viram “o mar de cabeças” no comício, ao lado do Ministério da Guerra, a sensação geral foi: “Não tem quem derrube um movimento desses. Vamos fazer uma revolução no Brasil.” Diante da movimentação nos meios militares, a UNE emitiu uma nota oficial no dia 30 de março, assinada por Serra, para “reafirmar seu inteiro apoio às últimas medidas progressistas do governo” e “denunciar a trama golpista”. Um dia depois, o general Olímpio Mourão Filho adiantou-se aos conspiradores e pôs suas tropas em movimento de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, dando início ao golpe militar.
     Na manhã do dia 1º de abril, Serra e Cerqueira se dirigiram à sede do Departamento de Correios e Telégrafos (DCT), no Paço Imperial, na Praça XV, no Rio. Lá encontraram o coronel Dagoberto Rodrigues, diretor-geral do órgão, brizolista roxo, que tentava organizar a resistência das forças legalistas. De repente, os tanques que defendiam o prédio voltaram seus canhões na direção do gabinete de Rodrigues. Diante da mudança do vento, o coronel recomendou que os dirigentes da UNE se retirassem imediatamente. E pediu a Serra que guardasse uma joia que ele comprara para dar de presente. Temia que os militares golpistas o acusassem de corrupção. Com a joia no bolso, Serra foi dormir na casa do deputado Tenório Cavalcanti, temível político de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que andava de capa preta e com uma inseparável metralhadora, batizada de Lurdinha. Entregou a joia a uma assessora de Tenório. A joia nunca mais foi vista.
Longe do País – Dias depois do golpe, Serra caiu na clandestinidade. Considerado “muito perigoso” pelos generais, refugiou-se na embaixada na Bolívia, onde ficou três meses. Depois partiu para o exílio. Tentou voltar em 1965, mas, numa reunião na casa da atriz Beatriz Segall, foi aconselhado a deixar o País. Já a tesoureira Nazaré Pedroza, hoje com 72 anos, não conseguiu escapar dos militares. Viveu clandestinamente por sete anos sob o codinome de Nara Leão, mas acabou presa em Brasília, grávida de quatro meses. Torturada por três meses, sofreu um exílio de 13 anos na África. Morhy conseguiu sobreviver semiclandestino no interior de São Paulo. E Serra só voltou ao Brasil em 1978. Um de seus primeiros atos públicos, ao retornar, foi fazer um discurso na UNE. Em respeito ao seu ex-presidente, a atual direção da UNE, atrelada ao PCdoB e simpática à candidatura de Dilma Rousseff, tomou a decisão de se manter imparcial na eleição para a Presidência. Afinal, como diz o slogan, “a UNE somos nós, nossa força é nossa voz”.
Revista ISTOÉ

Museu de tudo: Chalé da fábrica Santa Izabel, no Canto da Fabril, patrimônio do INSS

Pacote turístico para São Luís ainda é um dos caros em operadoras

     São Luís é o destino mais caro entre os pacotes de viagens nacionais vendidos pela operadora CVC, uma das maiores do país. Finalmente incluída entre os roteiros da agência que ocupa espaço publicitários nos grandes jornais de circulação nacional, para chegar em São Luís a partir de São Paulo e por aqui permanecer por oito dias e sete noites, o turista tem que desembolsar R$ 1.398,00 ou pagar em dez suaves prestações de R$ 139,00.  
     Para passar o mesmo período em Fortaleza, os gastos ficam abaixo cerca de R$ 200,00. Embora ainda alto, houve redução nos preços dos pacotes para São Luís em cerca de 20%. Os pacotes comercializados pela CVC não inclue passeio aos Lençóis Maranhenses.
     Os pacotes vendidos pela operadora incluindo além de São Luís a cidade de Barreirinhas são ao menos 20% mais caros.

Manchetes dos jornais

ATOS & FATOS -Mais confusão:PT quer fim de alinaças com partidos nos estados
ITAQUI-BACANGA - Execução a tiris e golpes de faca na Vila Embratel
JORNAL EXTRA - Argentina leva de quatro
JORNAL PEQUENO - Zé Reinaldo diz que segundo turno está garantido
O ESTADO DO MARANHÃO - Definido o quadro da disputa
O IMPARCIAL - Vai começar a caça aos votos

Poesia brasileira perde Roberto Piva

Jotabê Medeiros
     O poeta Roberto Piva morreu no sábado, aos 72 anos, em São Paulo, com falência múltipla dos órgãos decorrente de uma insuficiência renal. Ele estava hospitalizado desde maio no Incor (Instituto do Coração), no Hospital das Clínicas, com um câncer na próstata, que posteriormente se espalhou pelos ossos. Antes do diagnóstico do câncer, ele já havia ficado internado duas vezes neste ano, uma delas para passar por uma cirurgia no coração.
     Nascido em São Paulo, Piva foi um dos mais destacados poetas do País nas últimas décadas. Sua obra-prima, Paranoia, foi publicada quando ele tinha 23 anos, em 1963, sob edição de Massao Ohno, o pioneiro editor de poetas independentes, que morreu há menos de um mês. De sua geração, destacaram-se também poetas como Hilda Hilst e Claudio Willer. Sua obra hoje está disponível em três volumes de uma compilação da editora Globo - o mais recente, Estranhos Sinais de Saturno, saiu em 2008. O corpo foi velado ontem, no Cemitério do Araçá, e seria cremado na manhã deste domingo, no crematório da Vila Alpina.
     E para que ser poeta em tempos de penúria?, perguntava o poeta Roberto Piva em um de seus mais recentes poemas. Mais do que seus contemporâneos, ele sabia o que era viver à margem: de opiniões firmes, visionário, feroz contra as unanimidades de laboratório, Piva também bradou orgulhosamente seu homossexualismo por becos e praças de São Paulo. Diagnosticado com o Mal de Parkinson, viveu modestamente nos últimos anos, sendo evitado por quem o bajulava e pelos círculos literários bem postos do País.
     Aos 72 anos, tornou-se fundamental para a poesia brasileira em 1963, quando, ainda um garoto, lançou Paranoia, poemas-instântaneos da metrópole cinza, contraditória e brutal que se formava. O livro foi reeditado em novembro pelo Instituto Moreira Salles (R$ 60, tem 208 páginas) - o IMS chegou a anunciar um lançamento na Casa das Rosas, no dia 7 de novembro, mas Piva já estava muito debilitado para participar da noite de autógrafos, que foi cancelada.
     Paranoia tem um efeito meio alucinógeno, é um livro que inocula imagens na mente do leitor a todo instante. Nenhum verso é vulgar, nenhuma imagem é estranha - e ainda assim, todas são surpreendentes, como "terraços ornados com samambaias e suicídios" e "as galerias do meu crânio não odeiam mais a batucada dos ossos".
     É um grande livro de poesia sobre uma complexa metrópole, um retrato de São Paulo como poucos ousaram fazer. Também é, simultaneamente, um desafio para que se dê à palavra um status de essencialidade e um poder de contágio: nenhum verso é vulgar, nenhuma imagem é estranha - e ainda assim, todas são surpreendentes.
Em 2008, a Editora Globo lançou o terceiro volume de sua obra completa - além de sua produção a partir dos anos 80, o volume continha, de quebra, um livro de inéditos. Tratava-se de Estranhos Sinais de Saturno. No emaranhado de epígrafes desse novo livro, se destacava uma de Georges Bataille: "A verdadeira poesia se encontra fora das leis."
Cultivava uma notável independência de escolas, patotas e panelinhas. Em entrevista publicada em 1983, vociferava contra a cultura oficial: “A maioria dos que você chama de 'mandarins bem-pensantes da cultura' não passa de um bando de galinhas assustadas. Eles tentam fazer pressão sobre minhas assumidas irregularidades de comportamento como forma de me enquadrar. Se eu me enquadrasse, eu ganharia página inteira na imprensa conformista. Eles gostariam que eu me calasse sobre tudo, mas eu não me calo sobre nada. Para essa canalha, o meu pecado é ser poeta e intelectual na total insubordinação". (colaborou Raquel Cozer)
De O Estado de S. Paulo