9 de mai de 2010

Escoamento da soja preocupa agricultores maranhenses

A colheita da soja no sul do Maranhão está terminando e os agricultores comemoram a boa safra. A preocupação agora é com o escoamento do produto. As estradas estão em péssimas condições e, por conta disso, o custo do frete aumentou.

Os agricultores maranhenses estão colhendo 1,127 milhão de toneladas de soja. São 15% a mais que no ano passado segundo a Conab, Companhia Nacional de Abastecimento.

O agricultor Nicodemus Guimarães plantou 6,5 mil hectares com soja no município de São Domingos do Azeitão, na região sul do Estado. A falta de caminhões para transportar os grãos provocou atraso na colheita.

“Eu acho que é excesso de produtividade no Brasil. Os caminhões do Sul, como sempre, vem para o Nordeste nesta época de colheita”, falou seu Nicodemus.

Outro fator está complicando a vida dos agricultores. As estradas da região estão em péssimo estado. A BR-324 vai de Balsas, no Maranhão, a Salvador, na Bahia. Pelo trecho maranhense, de 120 quilômetros, são transportadas cerca de 300 mil toneladas de soja.

O caminhoneiro João Tavares ficou no meio da estrada. “É devagarzinho, segurando direto. Não tem estrada, não”, disse.

Os agricultores maranhenses gastam até R$ 50,00 para transportar uma tonelada de soja por um percurso de cem quilômetros entre a lavoura e o armazém.

O seu Paulo Dalforno semeou 4,9 mil hectares de soja no cerrado maranhense. Metade das lavouras fica no município de Loreto, ás margens da BR-324. Por causa das estradas, as despesas com frete subiram 15% este ano.

“Muitos caminhoneiros não querem puxar esta safra acaba estragando os caminhões e estourando pneu. Eleva muito o custo dessa produção pra escoamento”, falou Dalforno.

Essa rodovia é conhecida como BR e seria de responsabilidade federal. Mas, o Denit, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, não reconhece que a estrada seja da União. O órgão informou que a pavimentação da rodovia está em fase de planejamento, mas não há data prevista para o início da obra.

Homenagem do Jornal Extra

Na Folha de S. Paulo: Filho de Sarney enviou verba desviada, vê PF

LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A Polícia Federal levantou indícios de que o empresário Fernando Sarney (na foto entre Roseana e Sarney Filho), filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), enviou ilegalmente para fora do país dinheiro desviado de obras públicas. Por isso ele foi indiciado anteontem por evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Conforme a Folha antecipou em março, autoridades da China confirmaram ao Ministério da Justiça brasileiro, no final do ano passado, que Fernando remeteu US$ 1 milhão para a província chinesa de Qingdao a partir de uma conta nas Bahamas, paraíso fiscal do Caribe.

A PF comprovou na Receita Federal que esse dinheiro não foi declarado no Brasil pelo filho do presidente do Senado.

Segundo o inquérito policial, uma das fontes do dinheiro mandado para fora do país seria a obra da ferrovia Norte-Sul, um dos projetos prioritários do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O projeto da Norte-Sul é gerido pela Valec, estatal federal há décadas sob o domínio do presidente do Senado.

Fernando Sarney ajudou a montar um "consórcio paralelo" de empreiteiras acusado de desviar cerca de R$ 60 milhões de um dos trechos da Norte-Sul, conforme a Folha revelou.

Uma das construtoras que integram esse grupo é a Lupama, apontada pela PF na Operação Faktor (antiga Boi Barrica) como uma empresa de fachada, que não tem capital social "nem sequer para construir uma ponte".

Seus sócios são Flávio Lima e Gianfranco Perasso, ambos amigos de Fernando Sarney. Perasso é apontado pela polícia como o operador de contas da família Sarney no exterior.

O segmento da ferrovia sob a responsabilidade da Lupama liga os municípios goianos de Santa Isabel e Uruaçu. Auditoria do Tribunal de Contas da União nesse trecho constatou sobrepreço de R$ 63,3 milhões. Segundo perícia da PF, a fraude chegou a R$ 59 milhões.

De acordo com a PF, parte do dinheiro obtido pelo "consórcio paralelo" nessa obra ficou com Fernando Sarney.

Segundo a Folha apurou, os policiais constataram que as datas em que Fernando e seus amigos da Lupama receberam os recursos das empreiteiras coincidiram com a movimentação financeira realizada no exterior. Daí a associação feita pela PF entre o dinheiro supostamente desviado da Valec e as transações fora do país.

Em telefonema grampeado em maio daquele ano, Flávio Lima cobra de um funcionário da EIT (uma das empresas do "consórcio paralelo") parte do pagamento referente ao trecho Santa Isabel-Uruaçu. A expressão usada é "pagar a diferença", interpretada pela polícia como sinônimo de propina.

Os diálogos mostram que, sem o pagamento, a EIT não seria incluída em novo contrato negociado com a Valec.

Segundo a PF, após essas ameaças, a EIT aceitou pagar R$ 160 mil aos sócios da Lupama. Com o dinheiro do depósito, Fernando deu ordens a Flávio para fazer pagamentos em seu nome, segundo a PF.

Outro lado

Empresário nega relação com desvio de verba pública
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O empresário Fernando Sarney tem negado sistematicamente, desde que a Polícia Federal iniciou a Operação Boi Barrica (rebatizada de Faktor), em 2008, envolvimento em esquemas de desvio de dinheiro público ou transações irregulares, no Brasil ou no exterior.

A Folha não conseguiu entrar em contato ontem com Fernando. Na sexta-feira, seu advogado, Eduardo Ferrão, confirmou que o empresário prestou depoimento à PF sobre transações financeiras no exterior, mas disse que não tinha informações sobre o indiciamento.

Em março, quando a Folha noticiou que a Suíça havia bloqueado uma conta de US$ 13 milhões de Fernando naquele país, o empresário, sem confirmar nem negar controlar os depósitos, disse que não se manifestaria "sobre o que não conhece".

No início daquele mês, Fernando já tinha se recusado a comentar a movimentação de recursos em uma conta na China -assim como o dinheiro na Suíça, também não declarados à Receita.

Manchetes dos jornais

ATOS & FATOS - Milhomem diz que oposição não tem aptidão para vencer
CORREIO DE NOTÍCIAS – Roseana faz balanço positivo de itinerância
JORNAL EXTRA – Prefeitura guarda abrigos e povo fica no sol e no “sal”
JORNAL PEQUENO – Indiciamento de Fernando pela PF atrai toda a “grande imprensa”
O ESTADO DO MARANHÃO – ZPE de São Luís deve ser instalado em junho
O IMPARCIAL – Estado suspende concurso
TRIBUNA DO NORDESTE –Mulher de ministro do TCU é contratada por Zé Sarney