26 de jul de 2010

"As Cores de Frida" está de volta ao Arthur Azevedo

     Está de volta em cartaz a partir de amanhã no Teatro Arthur Azevedo o espetáculo de dança "As Cores de Frida". No mesmo local  estreou em janeiro de 2009 ; participou da programação da V Semana do Teatro no Maranhão (2010); do Conexão Dança-Teatro (2009). e fez parte do Circuito SESC Amazônia das Artes em 2010 para circulação nacional.
     O espetáculo resulta de pesquisa sobre a dança-teatro alemã a partir de releituras do diário, pinturas, cartas, tintas e esquadros da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954),  uma artista revolucionária que agonizou em suas telas a degradação em etapas de seu corpo durante sua vida.

Vá nessa
AS CORES DE FRIDA - Espetáculo de teatro/dança com elenco de bailarinos da Companhia Núcleo Atmosfera de Dança Teatro, baseado na vida da pintora mexicana Frida Khalo. (SL) Na terça (27), quarta (28) e quinta (29) às 20h. Produção: Leônidas Portela.Ingressos: Preço Único R$ 5,00. Indicação: LIVRE. Duração: 2h

Dutra divulga coligação "O Maranhão não pode parar"

      O deputado federal Domingos Dutra (PT) fez greve de fome em protesto pela intervenção do diretório nacional do partido no Maranhão  que não aprovou aliança com o PMDB, e agora divulga em seu boletim eletrônica mensagem sobre a coligação "O Maranhão não pode parar", encabeçada por Roseana Sarney (PMDB). O deputado defendeu com o estômago a aliança com do PT maranhense com o PCdoB de Flávio Dino, candidato da coligação "Muda Maranhão".
     Na sessão Saiu na imprensa, Dutra divulga o pacote. Veja abaixo:

ELEIÇÕES 2010
35 candidatos da coligação “O Maranhão não pode parar” querem reeleição
Publicado em 09/07/2010, repórter Thamia Tavares
Trinta e cinco candidatos da coligação “O Maranhão não pode parar”, composta pelas siglas PMDB, PT, PTB, PV, PR, PSC, PRB, PRTB, PSDC, PSL, PHS, PMN, PTN, PTDOB e DEM pleitearão a reeleição neste ano. Ao todo são 400 candidatos a deputado estadual, subdivididos em cinco chapas e 84 candidatos a deputado federal distribuídos em duas.
O PT sairá sozinho na corrida à Assembléia Legislativa do Maranhão (AL-MA) formando a quinta chapa proporcional. As siglas que desejam vaga ou permanecer com vaga na Câmara Federal estão divididas em duas chapas. A primeira agrega o PMDB, DEM, PV, PP, PTB, PRB, PR, PFL e PT.
Entre os postulantes à permanência no posto está o deputado federal Domingos Dutra. (O número dele é 1313)

Lambe-Lambe: Fachada da antiga Biblioteca Pública Benedito Leite

Biblioteca virtual do MEC está ameaçada por falta de acesso

     Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:
· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
· escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
· Ler obras de Machado de Assis Ou a Divina Comédia;
· ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
· e muito mais....
Esse lugar existe!
     O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso,basta acessar o site:  www.dominiopublico. gov.br
     Só de literatura portuguesa são 732 obras!
     Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.
     Divulgue para o máximo de pessoas!

Dívida com negros não pode ser paga em dinheiro, diz Lula

     O presidente Lula disse hoje (26), em seu programa Café com o presidente, que a dívida do Brasil com os negros não pode ser paga em dinheiro, mas com "solidariedade". Ao comentar a sanção do Estatuto da Igualdade Racial, ocorrida na semana passada, Lula relembrou a dívida histórica que o país tem com os negros e afirmou que esse débito tem que ser pago com ajuda aos países africanos.
     "O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão. Acho que nós temos uma dívida enorme com o continente africano, com o povo africano. É uma dívida que a gente nunca vai poder pagar em dinheiro. A gente vai poder pagar em solidariedade, em ajuda humanitária, em ajuda ao desenvolvimento, em ajuda no conhecimento científico e tecnológico que o Brasil tem a ajudar o povo da África", afirmou.
     Entre as formas de pagamento, o presidente citou a criação da Universidade Federal de Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab). A lei que cria a instituição foi sancionada também na semana passada. "É o Brasil assumindo a sua grandeza, assumindo a condição de um país que, a vida inteira, foi receptor e, agora, é um país doador. Nós queremos ajudar os outros a se desenvolverem", disse.
     No programa semanal, Lula afirmou que o Estatuto da Igualdade Racial garante que, "a partir de agora, não exista nenhuma diferença entre negros e brancos". "Na verdade, a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, transformado em lei, vem reforçar aquilo que a gente já tinha previsto na Constituição de 1988: fazer do Brasil uma República efetivamente democrática em que todos, sem distinção, sejam tratados em igualdade de condições", considerou.
     O estatuto prevê garantias e políticas públicas de valorização da raça negra e propõe uma nova ordem de direitos para os brasileiros negros, que hoje são cerca de 90 milhões de pessoas. O documento, formado por 65 artigos, tem como objetivo "a correção de desigualdades históricas no que se refere às oportunidades e aos direitos dos descendentes de escravos do país".
Do Congresso em Foco

Indecisos serão determinantes em escolha de senadores

     A disputa pelas duas vagas que cada Estado tem direito no Senado Federal ainda está longe de ter um cenário definido. A pesquisa Datafolha, primeira feita após a oficialização das candidaturas, aponta que o eleitor tem preferência por candidatos conhecidos, mas que a maioria das regiões consultadas ainda tem os indecisos na liderança da pesquisa.
     É o caso de Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. Todos possuem percentual de indecisos acima de 50%. Na Bahia, indecisos somam 60%. No Paraná, 56%. Rio Grande do Sul, 60% e DF, 72%. Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo possuem índices inferiores à metade e apresentaram, respectivamente, 44%, 42% e 40%.
Do ÍG

Vicentine vai anunciar o candidato José Serra nos palanques do NE

     Vicentine, locutora oficial do palanque da coligação "O Povo é Maior", causou tamanha e boa impressão ao candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB), que seu destino será outro daqui pra frente.
     Quando esteve em São Luís, no dia 13 de julho, após receber o título de cidadão ludovicense, o tucano participou de um ato público na Praça Benedito Leite.
     Foi no trio elétrico montado no centro histórico de São Luís que Serra conheceu Vicentine. A locutora entusiasmou o adversário de Dilma Rousseff a tal ponto que este quis logo saber como fazer para contratá-la. Muitos pensaram que não passava de um galanteio do candidato.
     Desde que mostrou a bela estampa e voz potente durante a convenção da coligação no Grêmio Lítero, o nome de Valentine alimenta comentários favoráveis.
     Dias após a visita de Serra que desagradou repórteres oficiais as coordenadorias da campanha de Serra e da coligação "O Povo é Maior" negociaram o contrato.
     Providências tomadas e Vicentine será a voz que anunciará José Serra em todo os palanques montados na região Nordeste.

Violência marca volta da exploração em Serra Pelada

     A violência marcou o período em que a empresa Colossus Minerals Inc., com sede em Toronto, e a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) fecharam contrato para explorar ouro na região sul do Pará. Houve três assassinatos, um suposto suicídio, tiroteios e a intervenção de um ex-araponga indicado pelo então ministro, hoje senador, Edison Lobão (PMDB-MA).
     O jornal O Estado de S. Paulo revelou ontem que o grupo de Lobão montou um esquema com empresas de fachada e caixa 2 e tomou o controle da Coomigasp para garantir a exclusividade na exploração do ouro subterrâneo da jazida, localizada no município de Curionópolis.
     A execução do sindicalista Josimar Barbosa, presidente afastado da Coomigasp e rival do grupo ligado a Lobão, facilitou o avanço da Colossus. Morto em maio de 2008 com 13 tiros por dois motociclistas até hoje não identificados, Barbosa tinha obtido na Justiça o direito de voltar ao posto. À época, a Coomigasp estava sob controle de Valdemar Pereira Falcão, aliado de Lobão. Na Justiça, Josimar alegou que o rival havia sido eleito em uma assembleia sem quórum. O argumento funcionou, mas a liminar não chegou a ser cumprida. Houve o assassinato.
     Associados passaram a apontar o grupo de Falcão como culpado. A contenda enfraqueceu a turma ligada a Lobão. Fragilizado, em outubro de 2008 Falcão pediu à Justiça do Pará que determinasse intervenção na Coomigasp. A desembargadora Maria Rita Lima Xavier aceitou o pedido e coube a Lobão, à época ministro de Minas e Energia, indicar o interventor. A parceria com a Colossus seguiu firme.
Velho amigo
     Lobão indicou como interventor um velho amigo, o coronel da reserva do Exército Guilherme Ventura, ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI). Ele fora secretário de Segurança Pública do governo de Lobão no Maranhão, em 1993 e 1994, e tem no currículo ações de repressão a movimentos de posseiros. Quando Ventura apareceu no garimpo, em 2008, a Colossus tinha fechado o primeiro contrato com a Coomigasp, que garantia à empresa participação de 51% na sociedade para extrair ouro.
     Em janeiro de 2009, Ventura conduziu uma eleição para escolher o novo presidente da Coomigasp. O vencedor foi Gessé Simão, ex-vereador de Imperatriz e homem de confiança de Lobão, que nos anos 1980 assessorou o ex-deputado e ex-prefeito de Imperatriz Davi Alves Silva - assassinado em 1992. Foi com Gessé no comando da cooperativa que a Colossus conseguiu fechar, em setembro de 2009, um aditivo aumentando para 75% a sua participação no negócio
Agência Estado

Sistema estadual de segurança vive de aparência irresponsável


Há crise no sistema estadual de segurança pública. Evidente, não apenas no sistema penitenciário, mas no conjunto que capenga na capital e no interior do Estado. Diante desse quadro, a violência campeia.
     Ao assumir o governo do Estado do Maranhão, a filha do senador José Sarney (PMDB-AP), compenetrada no seu papel de fada, prometeu: "Na segurança pública, vou reequipar a polícia, reestudar os salários da Polícia Militar, capacitar os policiais civis e militares, instalar uma rede de postos policiais em povoados e bairros, construir novos presídios, trabalhar incessamente pela redução da criminalidade para devolver ao cidadão a paz e a tranquilidade”. Palavras vãs com tantas outras.
     Na realidade, a segurança é mais que um calcanhar de Aquiles da atual administração. Primeiro a ser anunciado na equipe tampão de Roseana Sarney, o deputado estadual Raimundo Cutrim (DEM), ficou no verbo, antes ferino. Os números se multiplicaram no campo da violência indiscriminada. Por sua vez, Cutrim transformou a secretaria em comitê eleitoral, muito antes do período propriamente dito.
     Aos olhos do país, o Maranhão mostra mais uma deficiência no rol de inúmeras. Na cadeia em Bacabal, presos chafurdam como outrora nas masmorras mais degradantes, algo quase não imaginável no Estado onde as pessoas se dizem tão satisfeitas com tudo (segundo a Escutec).
     Dirigido hoje pelo delegado Aluísio Guimarães - envolvido com o vazamento de informações no inquérito que investiga Fernando Sarney, irmão da governadora, por série de crimes - , a segurança pública no Estado está carcomida em todos os aspectos.
     Em alguns lugares, o sistema tem a cara do governo: é pura fachada. Em Riachão, a delegacia de polícia (foto) tem pintura quase fresca para disfarçar uma aberração. As paredes de "adobro" (tijolo de barro cozido ao sol) facilitam fugas. Sem muro ou cerca, pular é brincadeira de preso, animais e tudo que se move. Para sustentar a varinha da fada filha do presidente do Senado, as fugas da delegacia jamais ganharão manchetes nos jornais do sistema, como acontecia há dois anos.

Maranhão: Torre Pisa erguida em 1995 pelos Capuchinhos em Montes Altos

Uso da imagem de Lula e Dilma gera disputa em Estados do Nordeste

     Em Alagoas, o eleitor ouve “É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma” no jingle do ex-presidente, mas também “O povo contente sabe que o Lula é Lessa” no de seu opositor.
     No Piauí, vê cartazes parecidos, com Lula de um lado e Dilma Rousseff do outro. Só muda a figura central: Wilson Martins (PSB) ou João Vicente Claudino (PTB). Candidatos ao governo, eles disputam o uso das imagens de Lula e Dilma no material de campanha. A situação se repete em outros Estados do Nordeste, onde Lula tem sua maior aprovação.
     Em Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT) tentou impedir o uso da dupla petista no jingle de Collor (PTB), mas seu pedido de liminar foi negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O PTB nacional apoia José Serra (PSDB), mas a campanha de Collor afirma que não há irregularidade.
     Na Paraíba, o PT cogita impedir na Justiça que Ricardo Coutinho (PSB) faça referência a Lula e Dilma no jingle. O PT apoia José Maranhão (PMDB). Para Coutinho, alianças regionais não impedem que ele cite ambos.
    O argumento usado no Piauí pelo governador Wilson Martins é a aliança “histórica” com o PT. Mas o senador João Vicente diz apoiar Lula desde 2006.
     No Maranhão, a briga é entre militantes do PT. Os ligados a Flávio Dino (PC do B) dizem que cartazes dele com Dilma foram tirados da sede local do PT pela ala petista ligada à governadora Roseana Sarney (PMDB).
     Parte do PT estadual queria apoiar Dino, mas a direção nacional impôs aliança com Roseana, filha do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Segundo o TSE, não há especificação sobre o assunto na lei eleitoral.”
Folha de S. Paulo

Esquema de Lobão paga R$ 900 para 96 garimpeiros

     A estratégia do grupo do senador Edison Lobão (PMDB-MA) para se apossar do ouro de Serra Pelada inclui o pagamento de um benefício mensal no valor de R$ 900 para 96 pessoas que vivem na área da antiga mina.
     O esquema, batizado de "mensalinho da Serra", é alimentado por recursos repassados pela empresa Colossus à Cooperativa Mineral dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp).
     A reportagem teve acesso a uma lista com nomes de beneficiários do mensalinho. Procurado para falar sobre o pagamento das mesadas, o diretor social da Coomigasp, Carlos Jovino, confirmou os repasses, que chamou de "contribuições".
     "A empresa repassa o dinheiro como ajuda social", disse Jovino. "Esse dinheiro não é dinheiro garantido por contrato, a empresa que está dando uma ajuda mesmo."
     Os beneficiários do esquema não prestam serviço à cooperativa. Eles só comparecem na Coomigasp uma vez por mês para receber a mesada.
     Ex-diretor da entidade e um dos opositores do grupo de Lobão, o sindicalista Edinaldo Aguiar diz que o esquema de mesadas foi a forma encontrada pela empresa para conseguir calar os garimpeiros que costumavam ter um posicionamento crítico dentro da cooperativa.
Assistencialismo. A empresa canadense recorreu a velhas práticas assistencialistas e políticas para ganhar a confiança e a simpatia dos garimpeiros, trabalhadores reconhecidos pela postura independente e o temperamento arredio.
     Além do "mensalinho", a Colossus realizou, até agora, três festas para distribuição de cestas básicas a famílias do povoado onde está a mina.
     Além disso, para amainar a poeira do começo da tarde nas ruelas de Serra Pelada, paga uma empresa de caminhões-pipa para esguichar água sobre o chão batido.
     O diretor da Colossus Darci Lindenmayer diz que a empresa é apenas uma "aliada" da prefeitura na distribuição de cestas básicas. Lindenmeyer afirma que a empresa já gastou R$ 800 mil em "ações sociais" na área do projeto. Ele diz, orgulhoso, que a ação social da Colossus vai muito além das cestas. A empresa, observa, reformou o hospital de Curionópolis, o posto de saúde e a Escola Maria Antônia Pimenta de Moura, em Serra Pelada.
Novo escritório. Quem anda pelo antigo garimpo, porém, tem outra impressão da chegada da empresa ao lugar. A Escola Municipal Novo Morumbi foi fechada pela prefeitura e repassada para a Colossus, que deverá aproveitar a estrutura para instalar um escritório.
     Desde o declínio do garimpo de Serra Pelada, no final dos anos 1980, os moradores do povoado não têm alternativas de renda e emprego.
     A exploração do ouro depende do processo de mecanização. Mesmo assim, ainda hoje, dezenas de garimpeiros tentam encontrar o metal na superfície, de forma manual.
O Estado de S. Paulo





Lobão e aliados montam esquema para ter domínio sobre Serra Pelada

Leonencio Nossa e Rodrigo Rangel - O Estado de S.Paulo
     Uma operação articulada pelo senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA) está por trás do projeto de retomada da exploração de ouro no lendário garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará. A operação envolve pagamentos suspeitos a cabos eleitorais de Lobão e um emaranhado de empresas - algumas de fachada - abertas no Brasil e no Canadá.
     O projeto de retomada da exploração do garimpo ganhou força quando Lobão esteve no comando do ministério, de janeiro de 2008 a março deste ano. Com aval do governo, a exploração será feita pela Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, empresa criada a partir de um contrato entre a desconhecida Colossus Minerals Inc., com sede em Toronto, no Canadá, e a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), que reúne 40 mil garimpeiros e detém os direitos sobre a mina.
     Este ano, por duas vezes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a programar visita a Serra Pelada para anunciar a reabertura do garimpo. Mas as duas viagens foram canceladas de última hora. Nas palavras de um auxiliar do presidente, a desistência se deu porque o Planalto avaliou que o acordo com a Colossus é prejudicial aos garimpeiros. "Os leões querem ficar com todo o ouro", disse o assessor.
     Por ordem da Presidência, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e o ministério tiveram de firmar um termo de compromisso com a Colossus em que a empresa canadense se compromete a ajustar cláusulas do contrato com potencial de prejuízo aos garimpeiros. Até o fechamento desta edição nada havia mudado.
     Como senador e depois como ministro, Lobão atuou pessoalmente em várias frentes, dentro e fora do governo, para possibilitar o negócio. Primeiro, operou para formalizar a Coomigasp como proprietária do garimpo.
      Nos bastidores, ainda em 2007, como senador, Lobão atuou para conseguir que o governo federal convencesse a Vale, até então detentora da mina, a transferir à cooperativa seus direitos de exploração de ouro e outros metais nobres em Serra Pelada. A Vale submeteu a proposta a seu conselho de administração, que concordou em atender ao pedido de Brasília e, em fevereiro de 2007 assinou um "termo de anuência" repassando à cooperativa dos garimpeiros o direito de explorar a mina principal.
     No ano passado, já com Lobão ministro, o governo fez nova gestão em favor do negócio e obteve da Vale os direitos sobre mais 700 hectares de Serra Pelada.
     Ao Estado, o secretário de Geologia e Mineração, Claudio Scliar, que elogia o desempenho de Lobão na condução da reabertura de Serra Pelada, admitiu ser amigo de geólogos brasileiros que integram o comando da Colossus, como Pérsio Mandetta, Darci Lindenmeyer e Augusto Kishida. "O Darci chegou a ser meu chefe no passado", diz.
Controle. Garantido formalmente o direito da Coomigasp de operar no garimpo, Lobão lançou outra ofensiva. Desta vez, para tomar o controle da cooperativa. Num processo conturbado, marcado por ações judiciais e violência, garimpeiros do Maranhão ligados ao ex-ministro conseguiram assumir a Coomigasp.
     É justamente nessa época que surge a Colossus. A proposta de contrato com a empresa foi aprovada a toque de caixa pelos associados da cooperativa. Pelo acerto, a Colossus entra com capital e tecnologia e a cooperativa cede seus direitos sobre a mina. Pesquisas autorizadas pelo DNPM indicam haver pelo menos 20 toneladas de ouro no subsolo de Serra Pelada. Geólogos com acesso às sondagens mais recentes afirmam, porém, que a quantidade pode passar de 50 toneladas.
     O potencial de sucesso da mina é a principal razão da trama. Um ex-funcionário do gabinete de Lobão no Senado encarregou-se de articular e defender o contrato com a Colossus. Antonio Duarte (o radialista maranhense Toni Duarte), que se apresenta como assessor do ex-ministro, chegou a criar uma entidade, a Associação Nacional dos Garimpeiros de Serra Pelada (Agasp-Brasil), para funcionar como linha auxiliar da Coomigasp na defesa do consórcio.
     No escritório em Brasília que serve como sede da Agasp e sucursal da Coomigasp, fotos de Lobão na parede evidenciam a relação de proximidade entre o ex-ministro e os encarregados de tocar o negócio com a empresa canadense.
     "Quem é contra esse projeto é contra os garimpeiros", diz Raimundo Nonato Ramalho, de 77 anos, vice-presidente da Agasp, apontando para um dos quadros de Lobão. "Esse aí é o nosso patrono, o melhor ministro de Minas e Energia que o Brasil já teve porque conseguiu reabrir Serra Pelada."
     Antônio Duarte, o presidente da associação, não é o único egresso do Senado. Na joint venture surgida da associação da Colossus com a Coomigasp, há outro ex-funcionário da Casa, o advogado Jairo Oliveira Leite. Também ligado a Lobão, Leite representa a cooperativa de garimpeiros na direção da companhia.
     Além de facilitar o negócio a partir do cargo, o ex-ministro e candidato à reeleição ao Senado chegou a participar pessoalmente das articulações em torno do negócio. O Estado teve acesso a um vídeo que mostra Lobão, no ministério, reunido com representantes da Colossus e da Coomigasp para tratar da parceria.
Lama. Apesar do discurso de que o consórcio com a Colossus traria bons resultados, o texto inicial do contrato firmado entre a cooperativa e a empresa canadense já indicava prejuízo para os garimpeiros: eles ficam, literalmente, com a lama da mina e com uma fatia menor do lucro.
     A Colossus já entrou na sociedade com 51% de participação na nova empresa. A Coomigasp ficou com 49%. Pouco depois, sempre com a anuência dos diretores da cooperativa ligados a Lobão, a Colossus conseguiu ampliar sua participação para 75%.
O Estado de São Paulo - 25/07/2010

Manchetes dos jornais

JORNAL PEQUENO - Demissão de Carlos James gera crise no sistema penintenciário
O ESTADO DO MARANHÃO - Lobão e João Alberto lideram disputa para o Senado Federal
O IMPARCIAL - Mulheres cumprem tabela nas eleições