11 de fev de 2011

Herbert Richers ajudou Sarney a eliminar Cafeteira

Cine Roxy, em São Luís
    Com a ajuda de Herbert Richers,aquele da "versão brasileira" dos filmes hollywoodianos, Sarney apagou parte de sua história política em que contracenou com Epitácio Cafereira.
    Ex-governador do Maranhão, eleito com ajuda do Presidente Costa e Silva, lá pelos idos de 1970 Sarney era candidato ao Senado.
    Certo dia, acompanhado do produtor cinematográfico, Sarney foi até o cine Roxy, na rua do Egito, assistir a um filme contratado a Richers. Foi recebido por Moisés Tajra, dono de uma cadeia de cinema em São Luís. Era intervalo entre a vesperal e a soirèe, que começava às 8h30 da noite. O Cine Roxy era considerado o templo dos cinéfilos abastados ludovicenses. Tanto que carregava o codinome de cinema das estrelas.
O senador Epitácio Cafeteira
    O franzino Herbert Richers ocupou a cabine de projeção do cinema para instruir o projecionista. A sessão de pré-estreia do filme de campanha reuniu o então candidato ao primeiro mandato no Senado (vaticínio), a esposa Dona Marly Sarney; os filhos Fernando, Roseana e Zequinha; e Jaime, filho do governador que o sucedeu Pedro Neiva de Santana.
    Ao fim da exibição Sarney foi até a cabine e pediu que fossem cortadas todas as cenas em que o prefeito de São Luís, Epitácio Cafeteira, aparecia em solenidades de inaugurações de obras. De pronto, foi atendido.
    Pensava que desta forma retiraria do imaginário popular a figura de Cafeteira (hoje senador aliado de Sarney) que por anos a fio seria seu adversário mais satiricamente feroz.
    É tudo verdade. Ou, melhor traduzindo, it´s true, como diria o cineasta Orson Welles.

Além da imaginação

Nelson Mota
    Eu confesso: sou um sarney-dependente, preciso de pelo menos uma dose dele por dia para me divertir, ou me enfurecer. Virou um vício. Há 40 anos acompanho fascinado a sua história com olhos de ficcionista. Porque só numa ficção de alta qualidade poderia existir um personagem verossímil com as características e a trajetória de Sarney, um pobre poeta maranhense que construiu um império sem nunca ter exercido outra atividade que não a politica e os cargos oficiais.
    A vida pública de Sarney é um livro aberto, mas os estudiosos continuam debatendo o enigma do seu sucesso.
    Uma das teses mais polêmicas é que ele empregaria, com verbas publicas, uma grande rede de pais-de-santo do Maranhão para baterem seus tambores dia e noite por ele, enquanto se garante comungando na capela do Curupu. Só o sobrenatural poderia explicar alguém com tão pouco ter ido tão longe. Os mais céticos acham que ele é um homem de fé e sorte.
    Dizem que Sarney, como pessoa física, é até cordial e agradável, um amigo antigo de amigos por quem tenho imenso apreço e respeito, como Ferreira Gullar e Marcos Vilaça. Claro, deve ter lá suas qualidades, mas também seus poderes mágicos, para conseguir sobreviver e crescer tendo feito tudo que fez. Com quem fez. E o que não fez. E não deixou fazer. Pelo que disse, do jeito que disse. Pelo que fala, e como escreve. Além de estilo, Sarney tem sorte. O seu Maranhão, não: há 40 anos mantém o pior IDH do Brasil.
    Mas ele diz que o Senado é transparente e tem o orçamento enxuto, e que fará o sacrifício de presidi-lo mais uma vez. Todos aplaudem. Até ele acredita.
    O meu Sarney é tão grande que se tornou um símbolo. Como uma síntese dos piores vícios e atrasos da política brasileira, ele se agiganta, sobranceiro (êpa ! peguei o estilo), como um grandioso personagem épico, que é como ele mesmo se vê. Mas como o seu talento ficcional é menor que o político, o personagem que ele imagina para si mesmo em seus discursos e entrevistas sempre parece tosco, inverossímil e cômico. Como o real.
    Nem Jorge Amado, Dias Gomes e João Ubaldo, juntos, conseguiriam criar um Sarney.
De A Folha de S. Paulo

Site "A Fronteira" aproxima árabes e brasileiros

   Um canal capaz de aproximar árabes e brasileiros. “A Fronteira/Al Hudud” nasce com o desafio de levar notícias sobre a realidade nacional aos “brimos” e fazer uma leitura do mundo árabe para a "braziliada". Sediado em Foz do Iguaçu, o site bilíngüe será mais uma ponte em busca da integração dos povos.
   A versão em português está programada para estrear nesta sexta-feira, 11, no endereço www.afronteira.com. Nela, o leitor encontra matérias ligadas aos árabes da Tríplice Fronteira e também reportagens envolvendo o Oriente Médio – em especial Palestina e aos países que enfrentam conflitos internos e intromissão imperialista em seus territórios.
   Já o site em árabe está no ar desde 5 de dezembro do ano passado, no endereço www.alhudud.com. Ele reúne os principais fatos do dia a dia da política, da cultura e da economia brasileira, noticiados no idioma pátrio dos imigrantes, facilitando a compreensão dos acontecimentos nacionais.
Idealizadores

   Quebrar a barreira do idioma na hora de acompanhar e produzir as notícias é possível porque o veículo de comunicação tem à frente dois libaneses, radicados há anos em Foz do Iguaçu e formados em jornalismo na cidade. Eles contam ainda com apoio de três colaboradores, especialistas em ciências políticas, administração e direito.
   Os coordenadores do projeto são os libaneses naturalizados brasileiros Ali Salman Farhat (a direiita na foto) e Yassine Ahmad Hizaji. Ali Farhat nasceu em Beirute, capital daquele país, tem 34 anos e veio para cá em 1993. Yassine tem 37 anos, é natural de Kabrikha, no Sul do Líbano, e mora no Brasil desde 1988. Ambos dominam os dois idiomas e conhecem in loco o universo que pretendem retratar.
Conteúdo e público – “A Fronteira” começa sua jornada oferecendo aos internautas notícias, entrevistas, opiniões, fotos e vídeos, em especial das áreas de política, economia e cultura. Tudo num design bem organizado e atraente. O site, atualizado diariamente, também vai priorizar a interatividade entre seus leitores, com espaço para comentários e enquetes.
    Yassine explicou que a maior parte dos conteúdos é diferente. “A versão em português noticia, de uma forma muito peculiar, aquilo que mais interessa aos brasileiros a respeito do mundo árabe. Você não encontrará nela notícias que podem ser facilmente lidas em sites com UOL e G1. Já a versão em árabe insere a realidade brasileira para o idioma dos libaneses e palestinos”, completou.
   O jornalista Ali Farhat, por sua vez, ressaltou a independência e liberdade de expressão do projeto editorial – que em sua linha evita partidarismo e interferência religiosa. “A versão em árabe já está dois meses no ar. Nesse tempo demos espaço para diferentes opiniões, como o artigo de uma mulher que criticou o machismo. Deu muita repercussão e gerou muitos comentários dos leitores”, contou.
Site quer incentivar o
diálogo entre os povos
   “A Fronteira/Al Hudud” propõe um diálogo entre brasileiros e árabes. A idéia é navegar entre diferentes searas, como cultura, reivindicações, mudanças nas relações sociais, enfim abrir a segunda maior comunidade árabe do Brasil e ao mesmo tempo inserir os brasileiros no cotidiano de 12 mil imigrantes e descendentes.
    A origem dos comunicadores é uma vantagem do projeto editorial. Afinal, eles estão enraizados na comunidade árabe, diferentemente dos repórteres brasileiros, que muitas vezes encontram dificuldades nesse campo de trabalho. Isso devido à natural desconfiança dos “brimos” para com os reais interesses da mídia em torno da comunidade.
    Outro diferencial será o filtro que os comunicadores prometem aplicar na produção de notícias relativas ao Oriente Médio. Eles pretendem trazer um retrato e interpretação peculiar sobre os fatos do mundo árabe. Ou seja, nada de mesmice da visão ocidental estereotipada e preconceituosa reproduzida da maior parte da imprensa brasileira.
Do Portal HSFOZ

Galeria do SESC em São Luís deve ficar às moscas em 2011

    O Sesc do Maranhão mostra sinais de crise. Na Galeria de Arte da instituição do Sistema S, por exemplo, estão previstas apenas três exposições para este ano. Uma delas, do francês Nicolas Picat, é programada para o primeiro semestre.
    Na tentativa de atrair artistas plásticos e curadores interessados em expor na galeria situada no centro de São Luís, o Sesc-MAdeve lançar novo edital de convocação para a agenda da galeria.
    A relação fria e distante com a classe artística que norteia o Sesc-MA é resultado de anos de mando de José Arteiro, há quase meio século à frente da instituição. No ano passado Arteiro renovou o mandato em meio a uma enxurrada de denúncias de manobras de perpetuação. Concorreu a seu oitavo mandato participando da sétima eleição na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão, Fecomércio, controladora do Sesc e Senac. No final, logrou êxito com a ajuda dos que sempre o quiseram no comando do Sistema S no estado para ficar por mais quatro anos na presidência da Fecomércio.
    Sob a alegação da crônica falta de recursos o Sesc-MA oferece aos artistas plásticos expositores apenas o serviço de coquetel e um folder (folheto) de divulgação. No fim das contas o folder entra como material de publicidade do Sesc-MA, mas é debitado como despesa do expositor.

Na coluna da Dora Kramer

Poder de veto.
O governo sinalizou, e José Sarney vetou, a nomeação do ex-deputado Flávio Dino para um posto no Ministério da Justiça.
Dino foi candidato ao governo do Maranhão pelo PC do B e protagonista de um dos mais graves confrontos entre PT e PMDB na última eleição.
Os petistas queriam apoiar Flávio Dino, mas a direção nacional os obrigou a fechar com o clã Sarney (Roseana) que agora não se conformou com a "colocação" do adversário.
De O Estado de S. Paulo

Na coluna do Ilimar Franco

Embaraçado
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) sofre pressão para nomear Flávio Dino (PCdoB), derrotado na eleição para o governo do Maranhão, para a Secretaria da Reforma do Judiciário. Cardozo teme a reação da família Sarney.

Manchetes dos jornais

ATOS & FATOS - Empresário morre esmagado por caminhão na Guajajaras
CORREIO DE NOTÍCIAS - Deputados do PDT reagem a críticas de Marcelo Tavares
JORNAL A TARDE- Governadora se reúne com dirigentes de clubes de futebol
JORNAL PEQUENO - Associação dos Magistrados acusa o governo pelo caos nos presídios
O DEBATE - Preso bando envolvido em vários homicídios e assaltos
O ESTADO DO MARANHÃO - Sobe em mais de 1.300% os casos de dengue em SL
O IMPARCIAL - Oposição encolhe na Assembleia Legislativa