6 de mar de 2011

Risco de desabamento reduz público nas arquibancadas na passarela do Samba

    Com o cisco da bajulação e a trave da vaidade nos olhos o prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB), mesmo presente na Passarela do Samba para prestigiar a festa, como destaca ad nauseam o texto da Secom, não se deu conta do que acontecia à sua frente.
    Por volta das 22 horas de sábado,5, segundo dia de desfile dos blocos tradicionais, a bilheteria encerrou a distribuição do ingressos gratuitos, como tanto ressaltam os organizadores, de acesso às arquibancadas.
    Na portões de entrada uma fila de pessoas com bilhetes na mão eram barradas por seguranças e guardas municipais. "Não pode mais entrar, pois a estrutura não suporta", avisavam os seguranças.
    Os próprios explicavam às pessoas a insegurança das arquibancadas: "Devido ao estado de conservação do material - madeira de compensado - a medida adotada foi reduzir o acesso do público".  Pos-e então em prática o revesamento: conforme saíam determinado número de pessoas, outras entravam.
    Enquanto isso, Castelo no camarote saboreava seu scotch, assistindo ao maior espetáculo da terra, conforme olhos dos organizadores.
 Na bilheteria não há controle sobre o número de ingressos disponíveis. É até o dono entender que tá bom... e boi não lambe.

Carnaval de São Luís (MA) 2011: Conheça os sambas e escolas que desfilam hoje na Passarela

MOCIDADE INDEPENDENTE DA ILHA
Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente da Ilha
Enredo: “Onde as sereias fazem rendas de luar”
Sede: Cohab-Anil
Fundação:1986
Presidente:
Carnavalesco: Guilherme Mendes
Compositores: José Raimundo Gonçalves e Samy do Cavaco
Intérprete:
Venho de longe
Minha gente sou de lá
Venho da Europa
Para a corte de Iemanjá
Se lá na encantaria
Enfeito o manto do meu rei
No mar e na pescaria
Da Raposa bem feliz eu viverei
Foi Chico Noca quem me trouxe
Das águas verdes do meu Ceará
Mas é como se eu sempre fosse
Batizado nas águas de cá
Pescador rema tua canoa
E vai pra as águas de alto mar
Que embora a saudade sempre doa
Pelas mãos de São Pedro vais voltar
Hoje a alegria tá cismada
Numa tristeza de matar
É que o poeta da sua madrugada
Mudou pro sonho do eterno sonhar
Mas nossa vida continua
E as rendeiras a rendar
Fazem dos bilros
Seus condões à luz da lua
Bordando rendas na almofada do luar
Ô lá no mar tem uma pedra
Onde ninguém pode sentar
Quem senta nela é João de Uma
Prá ver a Mocidade passar

TÚNEL DO SACAVÉM
Associação Recreativa Cultura Escola de Samba Túnel do Sacavém
Enredo: “Os poetas da Madre Deus”
Sede:Sacavém
Presidente: Babá
Fundação: 21 de novembro de 1997
Carnavalesco: Leo Lima
Compositores:Tião e J. Assunção
Intérprete:
No túnel da felicidade

Encontrei luz do paraíso
Chão de estrelas ilumina a cidade
Da Ilha a princesa é o sorriso
A Madre, a santa mãe divina
Chão da cultura, húmus da imaginação
Velha senhora, linda menina
Tão generosa de festivo coração
Queima coro na Fuzarca
Eu sou tradicional
Sou o bicho dessa terra
Que alegra o carnaval
Poetas sonham nas madrugadas
Entre versos e todas
As mãos tecem artesania
Entre delírios se faz a poesia
Operários da cultura
Pescadores de ilusão na maresia
É um capricho do povo
Te cantar de novo
Oh, nação, amado amante
Lágrimas caem de sorriso
Neste poema diamante
Meu sacavém traz barricada
Bumba meu boi, Piaçaba e arrastão
Na sublime Madre Deus
Lá vem a máquina arrastando a multidão

UNIDOS DE RIBAMAR
Escola de Samba Unidos de São José de Ribamar
Enredo: “Piui!piui! São Luis a Carajás, no vai e vem do leva e trás”
Sede: São José de Ribamar
Fundação: 2 de maio de 2001
Presidente: Agostinho Sousa
Carnavalesco:
Compositores: Darlan Oliveira e Lucas Neto
Intérprete: Vovô
Lá vai o trem
Nesse balanço que eu vou te levar,
No vai e vem do leva e trás;
Eu sou unidos, vou viajando
De São Luis a Carajás.
Vem nesta viagem fascinante;
O raiar do dia anuncia a partida,
Esperança pra quem parte, saudade pra quem fica.
O cheiro da melancia me levou Arari
Levo minha prancha pra surfar na pororoca
Nas margens do Mearim, aquele abraço ao povo de Vitória.
Em cada estação, uma nova emoção,
Um sobe e desce, um entre e sai
De Santa Inês a Açailândia
Vale a pena viajar
Me encantei com as castanhas e a sigeleza de Marabá.
É! Meu boi dançou o carimbo
Tem siribo e síria
Pelos trilhos da integração
Unidos Maranhão e Pará.
Oh! Quanta beleza
Deslumbrante a natureza
O por do sol avistei da janela
A lua iluminando a serra
Resplandece o el dourado
Terra abençoada de riquezas mil
Carajás tesouro do Brasil.

TURMA DA MANGUEIRA
Associação Recreativa, Beneficente, Cultural e Escola de Samba Turma da Mangueira
Enredo: “Mangueira, o berço do samba na melhor idade”.
Sede: Bairro do João Paulo
Fundação: 1929
Presidente: Cidália Costa
Carnavalesco:Airton Rolim
Compositores: Paulo Felipe e Kleber Costa
Canta meu povo, a Mangueira chegou
Pra exaltar felicidades
Com seus filhos fies
No berço do samba
Brincando na melhor idade
Eu sou
Sou eu verde e rosa, da Ilha do amor
Sou tradição... sou a primeira
Bela raiz... uma bandeira
A voz do samba da Atenas Brasileira
No compasso fiz o passo... eu sambei
E a minha identidade... eu firmei
No teu chão com batida do meu surdo encantei
Sou a raiz do deste canto de altivez
Mangueira, o teu passado é uma glória
Me inspira nessa história
Com teus sambas geniais
Bodas de ouro eu jamais esquecerei
Um relicário João Paulino sem igual
Berço do samba
Da cultura popular
Venho... Ôôô
Iluminar a passarela... lá lá lá
Mostra que a manga é tão bela
Com teu hino, explode coração
Mestre Dito... e Zé Pivó no palácio do samba... contemplei
Pereirinha é o novo bamba
Da nova geração que chegou pra dizer...
A cor da tua bandeira estampada no meu ser
Não deixe essa paixão morrer
TURMA DO QUINTO
Grêmio Recreativo Escola de Samba Turma do Quinto
Enredo: “Maranhão, Praia Grande das artes”
Sede: Madre Deus
Presidente: Alex Sandro Nascimento (Leleco)
Fundação: 1940
Carnavalescos: Sebastião Cardoso e Alaim Moreira Lima
Compositores: Luis Bulcão e Godão
Intérprete: Gabriel Melônio
Maranhão é quinto que a Madre Deus criou
A Praia Grande encanta
Meu Maranhão eu sou
Eh! Maranhão Eh! Maranhão
A terra de Gonçalves Dias
Em canto de João do Vale
De Chico, de Donato, de Maria Firmina
Eh! Maranhão
A Praia Grande das artes se revelou
Murilo Santos filmando
Raynaldo Faray dançando
E Carlos de Lima historiou
A Praia Grande ainda resplandece
Sobrado de azulejos e vitrais
Gullar estandarte da cultura
Mondego, um artista genial
Isaci estreia no cinema
Que Aldo Leite vem representar
É bumba daqui pra lá
É punga de lá pra cá
Euzita, Lili, divino cacuriá
Tambor de crioula
Tambor de crioula
Meu patrimônio, bloco tradiconal
Augusto Cassas poeta bandeira
Quem te pintou Fransoufer?
São teus amores Montello e Azoubel
Humberto e Alcione Nazaré

FAVELA DO SAMBA
Sociedade Recreativa Escola Favela do Samba
Enredo: “O boi é festa”
Sede: Avenida dos Africanos, Sacavém
Presidente: Jeiza Moraes
Fundação: 1940
Carnavalesco: Júlio Matos e Pedro Padilha
Compositores: Luzian Filho, Josias Filho, Jota Jr e Wesley Péricles
Intérpretes:
Contam que a ira de Moisés lá no Egito
Foi um bezerro de ouro
Na Grécia um minotauro apareceu
Metade home, metade touro
Pelos labirintos da vida
Cheguei a aos campos da China
Fartura na mesa não pode faltar
Então bota esse touro pra brigar
Meu boi é festa, é farra, virou moda
Na tourada dou olé (olé, olé)
Carnaval contagia, a dor perde pra alegria
Favela show de samba no pé
O sonho de Nassau fez meu boi voar (voar, voar)
Num laço de rodeio fui parar no Boi Bumbá
Azul anil desse céu vermelho a cor da paixão
Vou garantir e caprichar teu coração
Desci a duna de areia nos Lençóis do Maranhão
Fui no bailado de Dom Sebastião
Vem ouvir o som dos meus clarins
Misturo orquestra com zabumba,
Matracas e pandeirões
Eu vou com “carcará” em louvação
Pra São Pedro, São Marçal e São João
Vou acender fogueira
Incendiar a passarela (Eu vou, eu vou)
No auto do meu bumba boi
Vou Guarnicê minha Favela (Favela, Favela)

Carnaval de São Luís (MA) 2011 - Fantasia: Foliões do Japão na "Jamaica brasileira"

Haroldo Sabóia será correligionário de Jean Wyllys

    Está definido: ex-vereador e deputado constituinte de 1988, Haroldo Sabóia, será mesmo correligionário do deputado federal Jean Wyllys, ex-BBB e na Câmara  um dos defensores dos direitos da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).
    Na semana passada Sabóia, Franklin Douglas, Roberval Costa e Wasgner Baldez solicitaram filiação ao Partido Socialismo e Liberdade, PSOL, do Maranhão. Em nota a direção estadual do partido anunciou que os pedidos seriam analisados.
    Os pedidos de filiação foram recebidos com alvíssaras pelo presidente nacional do PSL, Afrônio Boppré. "“Eles bateram na porta certa. Saudamos a posição dos companheiros que decidiram entrar no PSOL, pois eles reúnem uma trajetória de vida no perfil do partido. Nascemos para ser uma alternativa de esquerda para aqueles que viram esgotar outras propostas partidárias”, afirmou Afrânio Boppré.

Carnaval de São Luís (MA) 2011: Na Passarela do Samba neste domingo,6


Desfiles dos Blocos Afros
18h às 18h20 – Bloco Afro Aruanda
18h30 às 18h50 – Bloco Afro Garotinhos Beleza
19h às 19h20 – Bloco Afro Ominirá
19h30 às 19h50 – Bloco Afro Juremê
Desfile das Escolas de Samba
20h às 21hMocidade da Cohab
21h10 às 22h10 - Túnel do Sacavém
22h20 às 23h20 - Unidos de Ribamar
23h30 às 00h30 - Turma de Mangueira
00h40 às 01h40 - Turma do Quinto
01h50 às 02h50 - Favela do Samba
Fonte: Secom-Prefeitura de São Luís

Carnaval de São Luís (MA) 2011 - Bloco Tradicional Vinagreira Show

Nunca antes?Nada disso

Clóvis Rossi
GENEBRA - Reinaldo Gonçalves é professor titular de economia internacional na Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos raros acadêmicos de esquerda que não se deixou cooptar por uma boquinha no governo ou até por menos, como um convite para jantar com os poderosos de turno.
    Fez o que deve ser o papel do intelectual: mergulhou nos dados do IBGE e do Fundo Monetário Internacional para desafiar a propaganda governamental sobre as incríveis façanhas do governo Lula.
Montou tabelas que mostram o seguinte, em resumo apertado:
1 - Os 4% de crescimento médio do governo Lula colocam-no apenas em 19º no campeonato nacional de progresso econômico, entre os 29 presidentes desde a proclamação da República.
Perde, por exemplo, para Itamar Franco e José Sarney.
2 - Quando começou o governo Lula, o Brasil representava 2,9% do PIB mundial. Quando terminou o governo Lula, o Brasil representava 2,9% do PIB mundial. Portanto, estagnou na competição global. E ficou longe dos 3,91% de 1980.
3 - Em matéria de variação comparativa do PIB, no período 2003/ 2010, o Brasil fica em humilhante 96º lugar, entre 181 países. Está no meio da tabela e abaixo até da média mundial de crescimento, que foi, no período, de 4,4%.
4 - Em matéria de renda per capita, a do Brasil evoluiu de US$ 7.547 para US$ 10.894, entre 2003 e 2010. Mas a sua posição no ranking mundial só piorou. Estávamos em 66º lugar e caímos para 71º.
Só para cutucar o cotovelo dos "argentinofóbicos", a renda per capital da Argentina é cerca de 50% maior que a do Brasil, com seus US$15.064. E ela melhorou, do 61º lugar para o 51º.
Não quer dizer com toda a numeralha que o governo Lula foi um desastre. Ao contrário. Mas tampouco foi o milagre que a sua propaganda apregoa. Simples assim.
Da Folha de S. Paulo

Ministério de Pedro Novais foi o que sofreu maior corte orçamentário

    O Ministério do Turismo comandado pelo deputado federal maranhense Pedro Novais (PMDB) foi a pasta com o maior corte orçamentário em termos percentuais, no que se refere às despesas discricionárias, tendo perdido 84,4% do que foi inicialmente previsto para 2011 para os gastos com diárias, passagens, compra de material, contratação de serviços etc, segundo a Agência Brasil.
    Dos R$ 3,655 bilhões, a pasta ficou com R$ 573 milhões. Foi o que informou a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, na divulgação da programação orçamentária e financeira do Orçamento Geral da União de 2011. O Ministério do Esporte sofreu o segundo maior corte percentual em seu orçamento de despesas discricionárias, reduzidas em 64%. Dos R$ 2,374 bilhões, ao Ministério do esporte coube R$ 853 milhões.
Com informações de agências

Ex-motorista do Incra se diz ameaçado pelo coronel Curió

    O ex-motorista do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Marabá, Valdim Pereira de Souza, que nos anos 70, durante a guerrilha do Araguaia - movimento que pregava uma revolução das massas camponesas para derrubar a ditadura militar implantada no país em 1964 -, colaborou com os militares, recolhendo ossos humanos de guerrilheiros mortos pelo Exército, prestou na semana passada em Marabá um depoimento em que acusa o coronel Sebastião Curió de usar pessoas a ele ligadas para ameaçá-lo de represálias caso colabore com o Grupo Tocantins, que busca localizar corpos dos insurretos que ainda estariam enterrados na região. Curió teve intensa participação, como major do Exército, na repressão ao movimento guerrilheiro.
    Souza já recebeu várias ameaças para ficar calado. Em dezembro do ano passado, em três ligações telefônicas para seu celular, ele foi aconselhado a “fechar a boca para não dizer besteiras”. Em uma das ligações, enfrentou quem o ameaçava: “Olha, nós não temos mais nada a perder”. A mãe do motorista também atendeu a um telefonema ameaçador em Macapá, onde o motorista morava: a voz advertia para ter muito cuidado com o que andava falando.
    Em depoimento gravado num vídeo, cuja cópia foi obtida com exclusividade pelo DIÁRIO, Souza afirma que, para ele, Curió está por trás das ameaças. O motorista diz que fala com conhecimento de causa, porque já trabalhou para Curió por sete anos, entre 1976 e 1983, quando o ex-patrão comandou com mão de ferro o garimpo de Serra Pelada. “O Curió é corajoso e me disse certa vez que quem fala muito morre”, contou, revelando que o ex-agente do SNI queria que Souza fizesse coisas que não gostava, como seguir e escutar pessoas, inclusive amigos do motorista. E dizia para ele que “inimigo bom é inimigo morto”.
LIMPEZA
    Um dos quatro ouvidores do Grupo de Trabalho do Tocantins e ex-representante do Pará junto ao Ministério da Defesa, no Programa Federal Comissão da Verdade, Paulo Fonteles Filho, que há vários anos luta para encontrar os corpos de guerrilheiros que militavam no PC do B, integrando uma força-tarefa de agentes federais, pediu a ex-soldados e outros militares das Forças Armadas, que hoje colaboram com o governo federal para localizar as vítimas, que denunciem as ameaças que também estariam sofrendo.
Para Souza, as ameaças não podem ficar impunes. Ele diz que ainda há militares, principalmente do 52º Batalhão de Infantaria de Selva, de Marabá, que tentam negar que no quartel daquela unidade do Exército pessoas foram torturadas. Ele afirma que os ex-militares que colaboram com o Grupo Tocantins estão sendo vigiados.

Ossos recolhidos ao DNER
    Em 1976, segundo o depoimento de Souza, ele participou da “Operação Limpeza”, denominação militar para o resgate de corpos e ossadas de guerrilheiros mortos na região. “Não tínhamos o direito de saber o que fazíamos, apenas cumprir a nossa obrigação e as determinações superiores”, revela. O trabalho dele era dirigir uma caminhonete do Incra. Era um carro descaracterizado, com placa fria. Foi várias vezes a Castanhal da Viúva, mas percorria também localidades como Bacaba, São Geraldo, São Domingos, Brejo Grande e Palestina.
    A missão era trazer para a sede do antigo Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), em Marabá, vários sacos amarrados com um cordão. Os sacos pesavam cerca de 100 quilos e dentro, soube depois, por servidor do próprio DNER conhecido por “Pé na Cova”, havia ossos humanos. O cheiro era insuportável. Os homens do Exército que comandavam a operação eram o doutor Luchini (Sebastião Curió) e os sargentos Santa Cruz e Ribamar.
PROIBIÇÃO
    Quem participava da “Operação Limpeza” era proibido de perguntar o que havia dentro dos sacos. Souza declarou que fez quatro viagens para transportar os sacos com as ossadas. Hoje, ele relembra, quem colaborou com o Exército “mal consegue levantar da cama, já morreu ou está muito doente, sem nada”. E desabafa: “não fizemos isso de livre e espontânea vontade, mas de livre e espontânea pressão”.
Sebastião Curió foi procurado pelo DIÁRIO em Curionópolis para apresentar sua versão do relato feito por seu ex-motorista, mas não foi localizado. A informação era de que ele morava em Brasília. Não foi possível localizá-lo na capital federal.
Do Diário do Pará

A obra necessária

Ferreira Gullar   
SE É verdade, como tenho dito, que a arte só revela a realidade inventando-a, devo logicamente admitir que as pessoas podem se sentir instigadas, para inventá-la, a lançar mãos de recursos expressivos novos.
    Por isso, seria um contrassenso afirmar que só as linguagens artísticas consagradas -pintura, escultura, gravura- podem servir à expressão dos artistas. Na verdade, eles podem se valer de todo e qualquer recurso para se exprimirem e se inventarem.
    Logo, não há por que rejeitar, in limine, as manifestações do que se chama de arte conceitual ou contemporânea. Tal afirmação, vinda de mim, pode surpreender os que me têm como crítico implacável dessas manifestações, mas a verdade é que, mais de uma vez, escrevi textos elogiosos sobre algumas delas.
    A questão, portanto, não é esta. De qualquer modo, como na maioria dos casos não me identifico com esse tipo de manifestação, procuro também rever minhas opiniões e tentar compatibilizá-las com aquela necessidade de invenção que define toda arte.
    Não resta dúvida de que o mundo de hoje pôs nas mãos das pessoas novos recursos tecnológicos, meios outros de comunicação e criação de formas, tanto no espaço como no tempo, e tudo isso gera novas possibilidades de inventar mensagens e imagens inusitadas.
    É natural, portanto, que os artistas se sintam tentados a abandonar as técnicas de expressão tradicionais e busquem criar, com os novos meios, um inesperado universo de relacionamentos semânticos.
    Essas novas experimentações diferem, no entanto, de outras que, de fato, visam negar a arte mais do que propor novos caminhos. Por exemplo, Marcel Duchamp, ao eleger um urinol como obra de arte, está afirmando que o objeto dito artístico pode ser feito sem o propósito de produzir arte.
    Essa visão negativa alcança um limite quando um cara põe merda numa lata e a envia a um museu. Não é difícil perceber o que o autor da proeza pensa da criação artística. Numerosos são os exemplos de manifestações, como essa, que não passam de "boutades" niilistas, cujo propósito é negar sentido ao trabalho do artista.
    Noutro plano, situam-se as instalações e performances que nos mostram a realidade, em vez de inventá-la ou reinventá-la, através da linguagem da arte. São os exemplos de Marina Abramovic -que pôs casais nus no MoMA- ou de Tunga, que leva as pessoas a observarem larvas de moscas pelo microscópio.
    O exemplo mais abjeto desse tipo de manifestação foi o do sujeito que prendeu um cão numa galeria de arte e o deixou lá até morrer de fome e sede. Ainda que diversas em seu propósito, tais manifestações resultam do fato de que, sem linguagem, o artista apenas mostra coisas reais em lugar de recriá-las, como a arte sempre fez.
    Isso não significa que, fora das linguagens artísticas consagradas, não se possam realizar obras expressivas, de indiscutível força, beleza e senso de humor. O problema talvez esteja no fato de que, não tendo uma linguagem própria, o artista se encontra a braços com uma experiência sem limites, que o leva, com frequência, a perder-se na gratuidade do que concebe.
    A tendência, por isso, é entregar-se ao exótico ou à extravagância, ao invés de buscar o rigor e os limites necessários à realização estética, qualquer que seja o meio que utilize. A obra tem que, por sua qualidade, afirmar-se necessária a quem a aprecia. Aí reside o xis da questão.
    Porque toda obra de arte é uma invenção, o artista, ao começá-la, nunca sabe como ela será quando concluída. É que, em sua elaboração, os fatores casuais têm papel decisivo: realizá-la é tornar necessário o que surgiu por acaso.
    Isso explica por que a maioria das obras de arte dita contemporânea -carentes de qualquer rigor na sua realização, já que não nasceram de uma linguagem- mostram-se como algo gratuito: falta-lhes esse traço de expressão "necessária" que define a criação artística.
    Exemplo: na "Monalisa", de Da Vinci, como na "Noite Estrelada", de Van Gogh, nada excede nem falta -tudo é necessário, isto é, tornou-se necessário.
*
Leio que o lucro do Itaú Unibanco, em 2010, atingiu o recorde de R$ 13,3 bilhões. Como cliente do banco, sugiro a seus diretores que melhorem o desempenho dos caixas automáticos que, na região em que moro (Copacabana-Lido), funcionam pessimamente. Estão velhos e a manutenção é precária.
Da Folha de S. Paulo

No claudiohumberto.com.br

RESISTÊNCIA 
Ministro Paulo Bernardo (Comunicações) tenta barrar a indicação do PMDB de Renan Calheiros e José Sarney para a vaga na Anatel.

DINHEIRO EM CAIXA
Os prefeitos não podem reclamar do governo Dilma. A Confederação Nacional dos Municípios revela que o Fundo de Participação cresceu 7,7% de janeiro para fevereiro. Mais de 25,5%, em relação a 2010.

Manchetes dos jornais

ITAQUI-BACANGA - Homem é degolado e jogado no lixão
JORNAL PEQUENO - Blocos tradicionais abrem o carnaval de São Luís na passarela do samba
O ESTADO DO MARANHÃO - É carnaval
O IMPARCIAL - 62 mulheres assassinadas em um ano no Maranhão

NO PAÍS
CORREIO BRASILIENSE: MPF abrirá inquérito contra Jaqueline Roriz
FOLHA DE S. PAULO:Brasil estuda mudar regra da Fifa sobre TV na Copa
O ESTADO DE MINAS: Como a mesada do seu filho move a economia
O ESTADO DE S. PAULO: Maior ataque de Kadafi provoca mais de 100 mortes
O GLOBO: Escolas de samba do Rio vendem carnaval no exterior
ZERO HORA: Tragédia gaúcha em SC
JORNAL DO COMMÉRCIO: O mesmo sucesso em novo roteiro
MEIO-NORTE: No carnaval, governo quer combater o crack
O POVO: O efetio Dilma e o novo papel da mulher