4 de set de 2011

Frase do dia

"Mas o ministro do Turismo, amiguinho de Sarney, continua firme e forte no seu posto. Aliás, é só olhar para saber que ele é o homem certo para o lugar certo."
De Danuza Leão, de O Globo

Colhendo o que plantou

Ferreira Gullar
    Como disse aqui na ocasião em que Lula deixava o governo, não pretendia voltar a escrever sobre ele. Principalmente porque deixava o governo. Sucede que não se sabe ao certo se ele o deixou e, se o deixou, atua como se não o tivesse deixado - outro dia inaugurou um hospital na Bahia - e se preparasse para reassumi-lo de fato em 2014.
    Infelizmente não dá para falar bem dele, mesmo porque o que me traz de volta ao tema é, por um lado o que ele anda fazendo e dizendo e, por outro, a avaliação que a distância dele me possibilitou.
    Não tenho prazer nenhum em falar mal de ninguém, particularmente quando se trata de uma figura nacional em quem tanta gente acredita. Pode parecer má vontade ou rancor, mas não é nada disso.
    Penso como simples cidadão, atento ao que fazem os políticos e às consequências disso na sociedade. Tanto mais se esse político tem o peso e a influência de um líder como Lula.
    Basta ver o que conseguiu quando presidente da República, usando de carisma, habilidade e falta de escrúpulos para montar uma máquina de poder difícil de enfrentar.
    Não discuto a legitimidade de um partido ou de um líder pretender governar o país por mais de um mandato ou voltar ao poder, já que a lei o permite. A meu juízo, quanto mais alternância melhor, já que dificulta a manutenção de feudos no organismo do Estado. Se a permanência prolongada já oferece esse risco, tanto pior é quando se trata de um partido ou líder pouco confiáveis.
    E, se meu juízo a respeito de Lula já não era bom, o distanciamento e a revelação de novos fatos só vieram agravá-lo.
    Lula é, sem dúvida, um fenômeno. Poucos líderes possuem, como ele, tanta sagacidade aliada à falta total de escrúpulos. Hoje entendo por que Brizola referindo-se a ele disse que "era capaz de pisar no pescoço da mãe". Com isso, não quis apontá-lo como um sujeito de temperamento violento e, sim, destituído de qualquer compromisso com os valores morais. Só lhe importa o poder. De modo que, para conquistá-lo e mantê-lo, tudo vale.
    Não me esqueço da expressão que vi no olhar de Lula, em 2005, quando eclodiu o escândalo do mensalão: era um misto de pavor e perplexidade. "Fui traído", afirmou então, tentando safar-se, e o conseguiu, jogando a culpa sobre seus auxiliares imediatos. Pouco depois, dizia que o mensalão era uma espécie de caixa dois. Hoje afirma que tudo não passou de uma conspiração para tirá-lo do poder. Isso, muito embora o procurador-geral da República tenha aceito denunciar 34 dos 40 acusados no processo.
    Esse é o Lula, que se apropriou dos programas do seu antecessor, muito embora tudo tenha feito para impedir que fossem implantados.
    Forçado pelas circunstâncias, rendeu-se à aliança com o PMDB, mas manteve o pacto com a arraia miúda, já não a troco de grana, mas de cargos públicos e vista grossa para a corrupção que, em seu governo, se instalou nos ministérios.
    Enfim, posso ter hoje uma compreensão melhor de quem é Lula e quais os seus propósitos. Ele é produto deste momento histórico, quando o fim dos partidos comunistas e do revolucionarismo guerrilheiro abriu caminho para líderes neopopulistas que, arvorando-se em defensores dos pobres, negociam com os ricos a paz social em troca de apoio material e político.
    É o que Lula fazia como presidente, aliando o discurso antiamericano à oferta de empréstimos subsidiados do BNDES a grandes empresários. Se estava de acordo com as falcatruas praticadas por seus nomeados, pouco importava. Fez que de nada sabia, como convinha.
    Eis a herança maldita que ele deixou para Dilma: para não passar por conivente, teve ela de demitir dezenas de "companheiros", envoltos em falcatruas.
    No entanto, para ficar bem com os partidos da base, diz que a demissão dos corruptos não é faxina, que lembra sujeira. Aliás, corrupção também mudou de nome: agora se chama "malfeitos", como traquinagens de crianças... Haja eufemismos! E logo da parte de Dilma, que é a finesse em pessoa.
    Mas os escândalos não param e em apenas oito meses. Já imaginou o que acontecerá em quatro anos? O lulismo está colhendo o que plantou. Independentemente do nome que Dilma dê a isso, talvez seja o começo do fim da aventura neopopulista, a que o país foi arrastado nestes últimos oito anos.
Da Folha de S. Paulo

No claudiohumberto.com.br

PRENÚNCIO DE APOCALIPSE
O Ministério Público do Maranhão denunciou a prefeita de Timon, Socorro Waquim (PMDB-MA), por suposto calote nos servidores municipais, sem salário há mais de ano. Também seria a prefeita mais cara do país, recebendo R$40 mil mensais. Prenúncio de quebra-quebra.

Manchetes dos jornais

Maranhão
ITAQUI-BACANGA - Deu sete facadas e ainda quebrou as pernas e os braços da mulher
JORNAL A TARDE - Roseana inaugura UPA Cidade Operária
JORNAL EXTRA - Deputado dá golpe
JORNAL PEQUENO - Brasileiros organizam nas redes sociais o "Dia da indignação"
\O DEBATE - Concurso público do IBGE oferece mais de 4 mil vagas
O ESTADO DO MARANHÃO - Maranhão desponta no país como grande produtor de ouro
TRIBUNA DO NORDESTE - STF sepulta pretensão de Escórcio ser titular
Nacional
CORREIO BRASILIENSE:Brasília vira paraíso de grifes superluxuosas
FOLHA DE S. PAULO:Brasil perdeu uma Bolívia em desvio de cofres públicos
O ESTADO DE S. PAULO:Varejo adota cautela e já prevê Natal moderado
O GLOBO:A Justiça que tarda e falha - Estado do Rio arquiva 96% dos inquéritos de homicídio
ZERO HORA:Quem está por trás da insurreição dos PMs
Regional
DIÁRIO DO PARÁ:Diesel ilegal polui ruas de Belém
JORNAL DO COMMERCIO:Verão chega com velhos problemas
MEIO-NORTE:Guerra fiscal ainda é empecilho para indústria
O POVO:Luizianne e Cid - O que os une.O que os separa