20 de jun de 2010

Roseana adotou duas logomarcas em um ano de governo

Em maio de 2009














Em maio de 2010


Jornal Extra: Prefeita de Paço do Lumiar troca de logomarca em menos de dois anos

São João 2010 - Bela Mocidade com Francisco Naiva do Boi de Axixá

Federação estabelece pedágio para grupos se apresentarem no parque folclório da Vila Palmeira

Os boieiros estão reclamando horrores do pedágio cobrado pelo presidente da Federação de Umbanda e Cultos Afros-Brasileiros do Maranhão, Paulo de Aruanda, como taxa de locação do espaço nas apresentações da programação do São João do Maranhão no Parque Folclórico da Vila Palmeira. No espaço, Prefeitura e Estado dividiram a programação durante o período que perfaz quase 30 dias.
     Em nome de não sei quem, mas dizendo de pés juntos que os recursos são para fundos da Federação, Aruanda exige aos amos a contribuição de R$ 150,00 por cabeça, principalmente dos grupos de bumba-meu-boi. Muitos se recusam e não pagam a taxa. Mas, há notícias, de alguns que caíram na lábia do preposto.
     Sede da Federação, o Parque inaugurado nos idos anos do governo João Castelo - quando este era filiado ao PDS -, há tempos está sob o controle do vereador Astro de Ogum (PMN).
     Amigo do peito da ex primeira-dama do estado, Alexandra Tavares, em pleno governo de José Reinaldo Tavares, Ogum contou com privilégios que os chegados ao Palácio dos Leões contam em todos os governos, do amarelo ao vermelho.
     Ponta de lança do rompimento entre Tavares e a família Sarney, Alexandra deu status à sede da Federação nunca antes visto na história do folclore deste estado. No terreiro do pai de Santo foi dada a largada do São João em 2005. Para sacramentar sua amizade, Astro financiou o desfile da escola Túnel do Sacavém - com recursos do além - cujo tema não poderia deixar de ser a Grande, Alexandra.
     Astro de Ogum é ex-presidente da entidade fundada em 1962 por José Cupertino, um tótem espiritual do bairrro do João Paulo que, assim como Sebastião do Coroado, seu sucessor na Federação, amplificou sua atuação acumulando os trabalhos do terreiro com os da Câmara Municipal. Cupertino e Coroado, já se foram. Astro, quase em um atentado à bomba em sua casa, no bairro do Barreto.
    Bastou a filha do senador José Sarney (PMDB-AP) receber a chave do Palácio dos Leões, para que Astro do Ogum fosse pelas, forças do seu orixá que atua sobre a linha divisória entre a razão e emoção, novamente guiado até as fileiras sarneystas. Em troca, recebeu a garantia de usufruir do Parque em beneficío próprio, ops, da Federação. A programação financiada pelo recursos dos impostos do povo não está sendo suficiente para garantir o apaziguamento de todos os espíritos. Ao menos assim calcula Aruanda, o presidente da Federação de Umbanda e Cultos Afros-Brasileiros do Maranhão, entidade instalado no parque estadual do foclore, espaço de direito público hoje entregue a um contrato de comodato sem prazo de validade.

Adeus ao corpo de José Saramago

Artes & Espectáculos

As cinzas de José Saramago vão ficar na cidade de Lisboa
      Foi o que anunciou o Presidente da autarquia, na cerimónia que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, já depois da viúva do escritor também o ter confirmado. António Costa saudou o regresso de Saramago à cidade onde o escritor trabalhou, onde presidiu à Assembleia Municipal e onde ficará sediada a fundação com o seu nome. A Fundação José Saramago vai funcionar na Casa dos Bicos e tem inauguração marcada para 13 de Junho de 2011.
Do noticias.rtp.pt

O feitiço de Sarney

     O Maranhão é o quarto secreto onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esconde, como Dorian Gray, uma resistente decrepitude moral de seu governo. Assim como o personagem da obra de Oscar Wilde, Lula se mantém jovial e brilhante para o Brasil e o mundo, cheio de uma alegria matinal tão típica dos vencedores, enquanto se degenera e se desmoraliza no retrato escondido do Maranhão, o mais pobre, miserável e desafortunado estado brasileiro. Na terra dominada por José Sarney, Lula, o anunciado líder mundial dos novos tempos, parece ser vítima do feitiço do atraso.
     Dessa forma, em nome de uma aliança política seminal com o PMDB, muito anterior a esta que levou Michel Temer a ser candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, Lula entregou seis milhões de almas maranhenses a Sarney e sua abominável oligarquia, ali instalada há 45 anos. Uma história cujo resultado funesto é esta sublime humilhação pública do PT local, colocado de joelhos, por ordem da direção nacional do partido, ante a candidatura de Roseana Sarney ao governo do estado, depois ter decidido apoiar o deputado Flávio Dino, do PCdoB, durante uma convenção estadual partidária legal e legítima, por meio de votação aberta e democrática.
     Esse Lula genial, astuto e generoso, capaz de, ao mesmo tempo, comandar a travessia nacional para o desenvolvimento e atravessar o mundo para evitar uma guerra nuclear no Irã, não existe no Maranhão. Lá, Lula é uma sombra dos Sarney, mais um de seus empregados mantidos pelo erário, cuja permissão para entrar ou sair se dá nos mesmos termos aplicados à criadagem das mansões do clã em São Luís e na ilha de Curupu – isso mesmo, uma ilha inteira que pertence a eles, como de resto, tudo o mais no Maranhão.
     Lula, o mais poderoso presidente da República desde Getúlio Vargas, foi impedido sistematicamente de ir ao estado no curto período em que a família Sarney esteve fora do poder, no final do mandato de Reinaldo Tavares (quando este se tornou adversário de José Sarney) e nos primeiros anos de mandato de Jackson Lago, providencialmente cassado pelo TSE, em 2009, para que Roseana Sarney reocupasse o trono no Palácio dos Leões. Só então, coberto de vergonha, Lula pôde aterrissar no estado e se deixar ver pelo povo, ainda escravizado, do Maranhão. Uma visita rápida e desconfortável ao retrato onde, ao contrário de seu reflexo mundo afora, ele se vê um homem grotesco, coberto de pústulas morais – amigo dos Sarney, enfim. Logo ele, Lula, cujo governo, a história e as intenções são a antítese das corruptas oligarquias políticas nacionais.
     Lula, apesar de tudo, caminha para o fim de seus mandatos sem ter percebido a dimensão da imensa nódoa que será José Sarney, essa figura sinistramente malévola, no seu currículo, na sua vida. Toda vez que se voltar para o mapa do país que tanto vai lhe dever, haverá de sentir um desgosto profundo ao vislumbrar a mancha difusa do Maranhão, um naco de terra esquecido de onde, nos últimos 20 anos, milhares de cidadãos migraram para outros estados, fugitivos da fome, do desemprego, da escravidão, da falta de terra, de dignidade e de esperança. Fugitivos dos Sarney, de suas perseguições mesquinhas, de sua megalomania financiada pelos cofres públicos e de seu cruel aparelhamento policial e judiciário, fonte inesgotável de repressão e arbitrariedades.
     Contra tudo isso, o deputado Domingos Dutra, um dos fundadores do PT maranhense, entrou em greve de fome no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. Seria só mais um maranhense a ser jogado na fome por culpa da família Sarney, não fosse a grandeza que está por trás do gesto. Dutra, filho de lavradores pobres do Maranhão, criou-se politicamente na luta permanente contra José Sarney e seus apaniguados. Em três décadas de pau puro, enfrentou a fúria do clã e por ele foi perseguido implacavelmente, como todos da oposição maranhense, sem entregar os pontos nem fazer concessões ao grupo político diretamente responsável pela miséria de um povo inteiro. Dutra só não esperava, nessa quadra da vida, aos 54 anos de idade, ter que lutar contra o PT.
     Assim, Lula pode até se esquivar de olhar para o retrato decrépito escondido no quarto secreto do Maranhão, mas em algum momento terá que enfrentar o desmazelo da figura serena e esquálida do deputado Domingos Dutra a lembrá-lo, bem ali, no Congresso Nacional, que a glória de um homem público depende, basicamente, de seus pequenos atos de coragem.
Do Blog de Leandro Fortes

José Serra diz que envolvê-lo no Caso Lunus é estupidez

Revista ISTOÉ
ENTREVISTA - JOSÉ SERRA
O candidato José Serra diz, em entrevista exclusiva à ISTOÉ, que o presidente do Banco Central será subordinado ao ministro da Fazenda, fala sobre dossiês e troca de acusações durante campanha e comenta detalhes de sua relação com os netos e relativiza a exposição de sua vida pessoal na campanha.

A equipe que entrevistou o candidato do PSDB, da esquerda para a direita: Carlos José Marques, diretor editorial; Luiz Fernando Sá, diretor editorial-adjunto; Ricardo Amorim, colunista de ISTOÉ; Delmo Moreira, editor executivo de ISTOÉ; Amauri Segalla, editor da revista Dinheiro, Octávio Costa, diretor da sucursal de Brasília; Hélio Gomes, editor executivo de ISTOÉ ON LINE ; Gisele Vitória, diretora de redação da revista GENTE; Leonardo Attuch, redator-chefe da revista DINHEIRO ; Mário Simas Filho, diretor de redação de ISTOÉ; e Caco Alzugaray, presidente executivo da Editora Três.

“A ordem já está garantida, agora falta ver o progresso.” Este comentário do candidato do PSDB, José Serra, feito ao final da longa entrevista que ele concedeu à ISTOÉ na segunda-feira 14, não se dirigia ao mundo da política. Serra, palmeirense da Mooca, falava sobre a contratação do treinador Luiz Felipe Scolari por seu clube do coração. Ele se diz grato a Felipão. Lembra que no passado, quando era ministro da Saúde e o treinador cumpria sua primeira temporada no Palmeiras, agiu como implacável corneteiro após uma derrota: “Na saída do estádio, eu disse numa rádio que tínhamos perdido porque o técnico não entendia nada de futebol.” No dia seguinte, Felipão afirmou que se sentia autorizado a palpitar sobre a saúde, mas não levou a pendenga adiante. “Ele foi condescendente comigo”, lembra Serra. “Depois que ganhou a Copa, não voltou ao assunto, como poderia ter feito.”
Fazendo uma analogia com o futebol, na política também tem muito “técnico” dando palpite. Alguns apontam que o candidato tucano levou um tranco pesado, dado o avanço da candidata Dilma Rousseff, que arrancou um empate com ele ainda no primeiro tempo dessa peleja eleitoral. Serra, um candidato cheio de táticas, com experiência de quase 50 anos no campo político, sabe que ainda há muito jogo pela frente, e nesta entrevista a editores de ISTOÉ se apresentou com a tranquilidade dos artilheiros. Convencido de que ainda não mostrou toda a sua cancha para a disputa, sugeriu vários dribles para a retranca econômica do câmbio, dos juros e das diferenças entre o BC e a Fazenda. A seguir, publicamos os principais trechos desta entrevista:

ISTOÉ – A economia acaba de registrar um crescimento de 9% no trimestre, a taxa de desemprego tem baixa recorde e 35 milhões de brasileiros foram incorporados à classe média. Sua campanha prega que o Brasil “pode mais”. Em que campos aconteceriam estes avanços?
Serra – Bom, manter uma taxa de crescimento elevada já significa poder mais. Crescimento sustentado ao longo dos anos sempre é objetivo ambicioso, difícil de ser alcançado. Para se obter isto é preciso enfrentar os problemas que vêm por diante, que são basicamente a insuficiência de investimentos na infraestrutura e a área do comércio exterior. Nós estamos com uma evolução negativa nas contas externas, com muitos problemas pelo lado da produção. Há pouco dinamismo das exportações, comparadas às importações, e temos que agir. É necessário ter uma outra política de comércio exterior, muito mais agressiva.

ISTOÉ – O que falta na política externa brasileira?
Serra – Falta maior agressividade econômica. Nossa capacidade de negociação, de abertura de mercados, foi utilizada justamente em áreas que não rendem muito.Temos uma negociação comercial tímida. Precisamos de uma política mais agressiva também pelo lado da defesa comercial, reagindo a práticas ilegais.O Brasil adotou uma abertura comercial na época do Collor no estilo cavalaria antiga: rápida e malfeita. Se descuidou da alfândega e desses mecanismos de proteção nos quais os Estados Unidos são os melhores do mundo.

ISTOÉ – O governo Fernando Henrique não teve tempo de corrigir esta abertura equivocada?
Serra – Tentou, mas não conseguiu. E o governo Lula também tentou e não conseguiu.

ISTOÉ – O sr. não teme ser tachado de protecionista?
Serra – Não. Este seria um julgamento ignorante, pois protecionismo é diferente de defesa comercial contra práticas criminosas.

ISTOÉ Como se deveria agir?
Serra – Tanto o governo Fernando Henrique quanto este têm uma dificuldade: a falta de centralização da área de comércio exterior. Todo país campeão em comércio internacional tem uma coordenação centralizada e coerente nesta área.

ISTOÉ – O sr. fala em falta de investimentos em infraestrutura. O que privatizaria nesta área?
Serra – Privatizar, nada. Defendo concessões, que são um instrumento crucial para aumentar a taxa de investimento em cima de bens públicos. É diferente de privatizar: você cobra aluguel pela concessão e pode até acabar com ela.

ISTOÉ O sr. acha que as privatizações do governo Fernando Henrique foram benfeitas?
Serra – Algumas foram. A própria Dilma disse aqui na Istoé que a privatização na área das telecomunicações foi muito positiva. Já com o transporte ferroviário, não é que a privatização não foi benfeita. O setor é difícil e mesmo que continuasse estatal não teria andado.

ISTOÉ O sr. também tem falado em mudanças no câmbio e nos juros. O que aconteceria em seu governo?
Serra – Há uma combinação ruim de câmbio e juros. O Brasil é o país cuja moeda mais se valorizou no mundo, sem que a conta comercial externa estivesse melhorando. Você pode ter muito ingresso de capital, mas é dinheiro que só vem enquanto o juro estiver alto. Não é um investimento sólido. Nós estamos batendo alguns recordes: temos, disparado, a maior taxa de juros do mundo...

ISTOÉ – Mas há muito tempo, não?
Serra – Não estou dizendo que é neste governo. Olhando para a frente, temos a maior taxa de juros do mundo e a maior carga tributária dos países emergentes. Isto é dado do Fundo Monetário, não invenção maquiavélica de oposição. Nossa taxa de investimento governamental é a penúltima do mundo.

ISTOÉNo atual governo, o Ministério da Fazenda e o Banco Central têm praticamente o mesmo nível. Como seria no seu governo?
Serra – No meu governo serão instituições absolutamente entrosadas. O ministro da Fazenda, o ministro do Planejamento, o presidente do Banco Central e o secretário do Tesouro vão estar todos afinados. Eu não sou de botar contrapesos. No meu governo não terá um que pensa de uma maneira e outro que pensa de outra maneira. Tem que trabalhar junto.

ISTOÉ – O presidente do Banco Central será subordinado ao ministro da Fazenda?
Serra – Como foi sempre. É o presidente que escolhe. Mas não será alguém que o ministro da Fazenda não queira. Ele vai ter que dar o aval. Na verdade, o presidente do Banco Central só ganhou status de ministro para evitar um processo contra o Meirelles. Lembram? Não foi nenhuma doutrina econômica. Veja, o Fernando Henrique trocou duas vezes o presidente do Banco Central, sem problemas.

ISTOÉ Como o sr. acha que se deve conduzir a relação entre juros e câmbio?
Serra – É muito difícil, tem que ser levado com muita maestria. Agora, num período de aceleração da inflação, segundo o Banco Central, não é momento de se fazer isto. Já no auge da crise, no final de 2008, certamente era. O Brasil foi o único país do planeta que não baixou os juros. Sem ameaça de inflação, com deflação, esta conjuntura não foi aproveitada. Nove entre dez personalidades do mercado financeiro, em conversas não públicas, diziam que era hora de ter feito isto. Esta coisa de inflação versus estabilidade, em que o monetarista procura estabilidade e o estruturalista prefere a inflação à estabilidade, é tudo bobagem. Nenhum estruturalista jamais disse isto.

ISTOÉ O sr. é centralizador, como o acusam?
Serra – É engraçado... Eu não sou centralizador no trabalho de governo. As pessoas têm uma liberdade enorme para trabalhar comigo. Eu monitoro, o que é diferente. Acompanho, cobro resultados e, quando o assunto não está andando, eu mergulho. A centralização é ineficiente e eu procuro sempre render naquilo que estou fazendo. Se você ficar centralizando tudo, prejudica os resultados. Sou demasiado racional para viver num esquema dessa natureza.

ISTOÉ O sr. ainda não tem um vice. Isto não o preocupa?
Serra – Sinceramente, não estou angustiado. Acho que há muitos nomes bons, muitas pessoas que aceitariam e temos ainda duas semanas para decidir.

ISTOÉ O Aécio Neves era o vice ideal? Foi uma grande perda?
Serra – Não foi perda no sentido de que você só perde o que tem. Para mim, sempre ficou claro, desde o início, que o Aécio não topava ser vice. Ele me disse isto lá no final do ano. Há pouco, teve o pessoal de Minas querendo que o Aécio fosse vice. Não é que eu não quisesse, mas não levantei esta bandeira em respeito a ele. Se alguém me diz que não quer fazer isto, eu vou ficar depois insistindo?

ISTOÉ – Neste quadro de empate técnico na disputa, com que trunfos o sr. conta para voltar à dianteira?

Serra – Se eu tivesse esses trunfos, não contaria numa entrevista. Mas não tem nada milagroso. O Lula não é candidato. A partir de 31 de dezembro ele não será mais presidente e a população vai ter que escolher quem vai continuar levando o Brasil para a frente. O eleitor vai julgar, com base nos apoios que os candidatos têm, com base no que fizeram, no conhecimento, nas propostas para a frente, na credibilidade. Mesmo nas fases em que eu estava liderando, nunca achei que a eleição ia ser moleza. Será uma eleição dura e disputada.

ISTOÉ – Que outros problemas o sr. observa no governo?
Serra – De economia a gente já falou. Há outras questões vitais como a saúde. Existe uma clara percepção da população, não minha, a respeito da deterioração do atendimento da saúde no Brasil. Outro aspecto fundamental é a segurança, que deixou de ser um problema lateral, como sempre foi visto historicamente.

ISTOÉ – A legislação trata a segurança como um problema estadual, não federal. O sr. vai mexer nesta legislação?
Serra – Se for preciso, mexemos na própria Constituição. Mas não creio que seja. O governo federal não pode mais ser só um observador da segurança, dando um dinheirinho aqui, fazendo uma coisinha ali. O crime não tem fronteiras, nem entre países, o que dizer entre Estados. O assunto da fronteira também tem que ter uma solução. Não podemos ter uma fronteira seca deste tamanho praticamente desguarnecida.

ISTOÉ – O sr. está falando em envolver as Forças Armadas?
Serra – Não. Um soldado ou um oficial das Forças Armadas não é preparado para olhar notas fiscais, uma série de documentações, etc. Precisamos de uma força que, embora militarizada como as PMs estaduais, tenha uma preparação específica para isto.

ISTOÉ – Apareceram nos últimos dias notícias sobre dossiês na campanha. O sr. está se sentindo espionado?
Serra – Eu não estava, mas descobriu-se que estamos sendo espionados.

ISTOÉ – O sr. acha que estamos vivendo num Estado policial?
Serra – Não chega a isto. Não quero fazer comparações, vou falar apenas o que eu penso sobre esta questão. Para uma grande parte da esquerda, a democracia era vista como uma coisa tática, menor. Nunca se debruçaram sobre questões como a forma de governo, por exemplo. Para a direita, a democracia era vista apenas como consequência. Curiosamente, os dois lados sempre tiveram um enfoque economicista a este respeito. Os dois casos são insuficientes.

ISTOÉ – Agora o sr. é vítima desses dossiês. Mas seus adversários dizem que o sr. também perseguiria inimigos políticos. Colocam na sua conta, por exemplo, o caso Lunus, que atingiu a Roseana Sarney.
Serra – O que é evidentemente uma estupidez. Falam, mas nunca apareceu o mais remoto indício para começar a ser investigada qualquer coisa a este respeito. Já no dossiê Cayman o pessoal foi preso. O dossiê dos aloprados deu prisão. E agora deu a maior confusão a ponto de mandarem gente embora. Eu não tenho cabeça para este tipo de coisa.

ISTOÉ – O sr. acha que a candidata Dilma é responsável por estes dossiês?
Serra – Como dirigente da campanha, claro. Não estou dizendo que foi ela quem fez a coisa. Mas quando acontece algo assim se deve agir imediatamente. Abominar aquilo ou assumir a responsabilidade e tomar medidas. Mas se passaram dias e não aconteceu nada. Se vocês pegassem o blog da Dilma tinha lá boa parte das ignomínias que estavam nos dossiês. Parece que eram dois dossiês: um que já estava pronto, e que dignatários da campanha da Dilma comentaram com a imprensa, e outro que iria ser preparado. Pois todo este material está posto, a cada dia, no blog da Dilma. Nos últimos dias retiraram.

ISTOÉ – Como seriam, no seu governo, as relações do Brasil com Cuba e Venezuela, por exemplo?
Serra – Normais. Sou ferrenho defensor da autodeterminação. Agora, se tiver chances de fazer pesar uma posição em defesa dos direitos humanos, por exemplo, eu faria. Se houver uma votação num órgão de direitos humanos em prol da maior liberdade em Cuba, o Brasil votará a favor.

ISTOÉ – E quanto às relações do Brasil com o Irã?
Serra – Eu dou ao governo o crédito da boa vontade que tiveram. Agora, eu não confiaria no parceiro. Eu não confiaria no Ahmadnejad. Convenhamos, um país que condena um jornalista a 16 anos e condena à forca manifestantes não é um país que respeita direitos humanos. Eu não acho que o Lula tenha simpatia pelo regime de lá. Mas deu um crédito de confiança que eu não teria dado.

ISTOÉ – Sua campanha vai abordar agora aspectos mais pessoais, falando sobre sua infância humilde. O sr. está decidido a mostrar uma outra face ao eleitor?
Serra – Eu nunca gostei muito de expor essas coisas assim. Acho que não tem muito a ver, sabe. Mas o pessoal acha importante e sei que isso acabou virando importante no Brasil. Eu disse que aprendi o que é a pobreza não estudando, não numa reunião política. Eu aprendi vivendo. Para mim, não é teoria quando falo de saúde, de deficiente físico, de andar em ônibus apertado, de pegar condução ruim.

ISTOÉ – E sua fama de mal-humorado? É só pela manhã?
Serra – Eu só sou mal-humorado quando durmo pouco.

ISTOÉ – Como são os seus vínculos com os netos?
Serra – São muito fortes. Eles são todos pequenos. O mais velho tem 7 anos, a menina, que é terrível, tem 3, e o outro está caminhando para 2.

ISTOÉ O sr. viveu a experiência trágica de perder uma neta recém-nascida. Como isso pesa hoje na relação com os seus netos?
Serra – A relação já era forte com o irmão dela, o Antônio, que foi o primeiro filho. A Sofia, que morreu, foi a segunda. Isto aí não tem muito conserto, viu? Nem para os pais, nem para mim, nem para o irmão. Fica uma marca. Você pensa sempre... Essa história de que você vai esquecer e tal... Não há hipótese.

ISTOÉ – O sr. não acha que o país ideal, em termos de educação, é aquele em que seus netos poderiam estudar numa escola pública?
Serra – Eu acho. Na Mooca, onde eu morava, estudar em escola particular era mal considerado. Era para quem não ia bem na escola. “Fulano precisou ir para uma escola particular”, era um estigma. Acho que a situação de hoje é reversível, mas será demorado. Na minha época o Brasil tinha 50% de analfabetos. Houve uma correspondência entre a abertura do ensino e a deterioração. Hoje são máquinas gigantescas. O governo do Estado tem cinco milhões e tanto de alunos, cinco mil escolas. Tudo centralizado. A prefeitura aqui tem um milhão de alunos. A estratégia para mudar deve estar na valorização da sala de aula. Como prefeito e governador eu dava aulas de verdade na quarta série. Era muito divertido. Aí vi com muita clareza qual é o problema. Em geral, as escolas são boas. Essa história de que as construções são ruins é conversa. O problema é que não se aprende na sala de aula. Na quarta série o sujeito não sabe tabuada. Eu aprendi na pré-escola. Não sabem mais ler em voz alta. Vi que não tinham currículo, guia para professor. Isto tudo virou ­ideologia: ah, compromete a liberdade do ensino... Como assim? Tem que ter um guia, um programa mínimo. E o aluno precisa de material para estudar. Ele vai embora e não tem onde ler aquilo que foi ensinado.

ISTOÉ – O sr. é favorável ao sistema de cotas para negros?
Serra – Sou a favor de políticas afirmativas diversas, como a Unicamp fez. É um bom esquema que leva em conta escola pública, cor e conhecimentos.

ISTOÉ – Por cor apenas, não é a favor?
Serra – Eu acho que a gente tem que fazer um balanço das diferentes experiências. Mas, em geral, sou a favor das ações afirmativas.

ISTOÉ – O sr. apoiou ou não a revisão da Lei de Anistia?
Serra – Acho que a gente tem que saber a verdade. Mas, do ponto de vista jurídico, não teria andamento. O Judiciário não faz coisas retroativas.

ISTOÉ – O sr. pediu indenização por seu período no exílio?
Serra – Não. Eu mandei uma carta tratando de tempo de trabalho, porque efetivamente trabalhei 11 dos meus 14 anos no Exterior. E nessa carta eu renunciei explicitamente a qualquer ajuda financeira.

ISTOÉ – O sr. acha que houve abusos nas indenizações da chamada bolsa-ditadura?
Serra – Há abuso, claro. Tem gente que ajudei a obter, dando meu testemunho. Mas tem gente que acho um absurdo completo receber. Essa do Glauber, por exemplo. Se é compensação financeira, supõe-se que você deixou de ganhar, ou virou abuso.

ISTOÉ Dizem que o sr. sempre se preparou para ser presidente. Quando este desejo realmente apareceu?
Serra – Aí é muito folclore. É que uma tia e algumas senhoras que foram amigas da minha mãe, que teria agora 94 anos, diziam que “o Zezinho (nome pelo qual me chamavam), quando tinha 5 anos, já dizia que queria ser presidente”...

ISTOÉ – É verdade?
Serra – Não sei, não me lembro.Tem uma tia que falava em 10 anos. Mas é verdade que eu discutia política com adultos, quando tinha 8, 10 anos. Não tenho a menor ideia do que eu devia dizer...

ISTOÉ Nessa época, o sr. pensava em grandes estadistas, certamente. Quem eram?
Serra – Churchill e Roosevelt, até hoje.

ISTOÉ – Ninguém pela esquerda?
Serra – Eu tinha pelo Fidel, mas aí quando já era estudante. Ele me desiludiu. Conheci o Fidel, estive com ele uma noite conversando e não vi motivos para ficar entusiasmado.

ISTOÉ E no Brasil, alguma referência?
Serra – Juscelino, sem dúvida. Eu tinha alguma admiração por ele.

ISTOÉ – E Getúlio Vargas?
Serra – Sobre Getúlio eu tinha ideias contraditórias. É que na Mooca havia muitos comunistas. E desde criancinha eu vi gente sendo perseguida. Meu bairro era um reduto de comunistas e sindicalistas que, na época do Estado Novo, sofreram muito. Isto sempre me deixou com um pé atrás com Getúlio.

ISTOÉ – E o Jango, com quem o sr. se reuniu quando era presidente da UNE?
Serra – Eu cometi erros eleitorais. O primeiro foi ter votado no Jânio, em 60, na minha primeira eleição. Votei nele embora fosse simpático ao Lott. Foi um voto errado. O Jango, que conheci, era um boa-praça, um bom coração. Mas acho que ele não estava bem preparado para a complexidade que o Brasil já era. Pegou um rabo-de-foguete.

ISTOÉ – Em relação ao governo Lula, o sr. está à esquerda ou à direita?
Serra – Do ponto de vista da análise convencional, eu estou à esquerda. Só que eu acho que esta análise hoje é muito pobre. Hoje você pega pessoas que se dizem de esquerda e são, na verdade, reacionárias, defendendo interesses estritos de uma corporação. Esquerda, tal como existia, não existe mais, praticamente desapareceu. Este debate, então, fica uma espécie de ficção.

Lambe-Lambe: Monumento ao boi no Parque Folclórico da Vila Palmeira

No Painel da Folha de S. Paulo

Festa no apê Do candidato Flávio Dino (PCdoB) que depois de ter perdido o PT para Roseana (PMDB) passou a fletar com o PSDB de Serra: Terei um palanque-condomínio. Eu sou o síndico. Entra quem quiser mudar o Maranhão".

Há vagas Dino ofereceu composição na chapa, tanto para a vice quanto ao Senado, ao PSDB, PPS e PDT.

Herança Além do impedimento de candidaturas com a Lei da FIcha Limpa, atormenta as direções dos partidos a dúvida sobre se valerá ou não a pena esses políticos como cabo eleitorais. São os casos de Jackson Lago (PDT) e Joaquim Roriz (PSC), donos de grandes estoques de votos no Maranhão e no Distrito Federal, respectivamente.

Levantados do chão


De Milton Nascimento e Chico Buarque

Como então? Desgarrados da terra?
Como assim? Levantados do chão?
Como embaixo dos pés uma terra
Como água escorrendo da mão?

Como em sonho correr numa estrada?
Deslizando no mesmo lugar?
Como em sonho perder a passada
E no oco da Terra tombar?

Como então? Desgarrados da terra?
Como assim? Levantados do chão?
Ou na planta dos pés uma terra
Como água na palma da mão?

Habitar uma lama sem fundo?
Como em cama de pó se deitar?
Num balanço de rede sem rede
Ver o mundo de pernas pro ar?

Como assim? Levitante colono?
Pasto aéreo? Celeste curral?
Um rebanho nas nuvens? Mas como?
Boi alado? Alazão sideral?

Que esquisita lavoura! Mas como?
Um arado no espaço? Será?
Choverá que laranja? Que pomo?
Gomo? Sumo? Granizo? Maná?

Inspirado no romance "Levantado do chão", de 1979, em que José Saramago conta a luta do povo de Alentejo, região de Portugal dominada pelo latifúndiom contra a opressão em um ambiente de mísério.

Manchetes dos jornais

ATOS & FATOS - Jackson Lago pode lançar mulher ou filho para o governo
GAZETA DA ILHA - Execução a domicílio
JORNAL EXTRA - Dutra dá "birolha" eacaba greve de fome
JORNAL PEQUENO  - Brizola Neto defende união de Jackson Lago com Flávio Dino
O ESTADO DO MARANHÃO -Washington (PT) é indicado para vice de Roseana

PTC apoiará Jackson Lago e Zé Reinaldo para o Senado Federal

     “Jackson Lago pode ser candidato, é candidato e vai ser governador do Maranhão”, disse ontem o deputado estadual Edivaldo Holanda durante a convenção estadual do Partido Trabalhista Cristão, PTC. Foi a primeira convenção do arco de aliança formado pelo PDT, PSDB e PPS, de apoio à candidatura do pedetista Jackson Lago ao governo do estado nas eleições de outubro deste ano.
     Realizada no auditório Fernando Falcão, da Assembleia Legislativa, a convenção do PTC contou com a participação do pré-candidato Jackson Lago, além de lideranças dos quatro partidos da base e mais representantes de outras legendas. O deputado estadual Marcelo Tavares, presidente do legislativo estadual e o ex-governador José Reinaldo Tavares, ambos do PSB, também compareceram à convenção, junto com o prefeito de São Luís, João Castelo, o deputado federal Roberto Rocha e a deputada estadual Gardênia Castelo, todos do PSDB.
     Bastante aplaudido por quase 800 pessoas que participaram do ato político, Jackson Lago reafirmou a candidatura justificando que não poderia abrir mão de devolver ao povo maranhense o respeito à soberania, desconsiderada pela decisão do TSE que cassou o seu diploma de governador.
     “Sou candidato porque devo respeito à vontade de cada homem e de cada mulher que depositaram seu voto de confiança em mim e foram desrespeitados pela vontade de quatro senhores que entenderam que eu tinha cometido um crime. E também para dar continuidade à cruzada de democratização do estado iniciada com as realizações dos fóruns regionais”, justificou o pré-candidato ao governo.
     O PTC vai apoiar a candidatura do ex-governador José Reinaldo Tavares ao Senado Federal. “Só colocaremos o Maranhão no rumo quando derrotarmos para sempre a família Sarney”, ponderou Zé Reinaldo. Ele criticou a propaganda oficial do estado que com objetivo de dar mais um mandato, o quarto, à filha do senador José Sarney (PMDB-AP), tenta convencer a população que a construção de 72 hospitais vai resolver o problema da saúde no estado.
     Segundo José Reinaldo, a construção dos hospitais é uma obra para atender a interesses de empresários que certamente irão contribuir para a campanha de reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB).
     Para o deputado Marcelo Tavares (PSB) o crescimento do PTC no estado se deve à coesão e transparência imprimida pelo deputado Edivaldo Holanda. “Mais uma vez teremos o enfretamento que faz parte da história política do estado. Há 35 anos estamos na mesma página. Se tivermos competência e compromisso alcançaremos a vitória para passarmos esta página de uma triste história”, disse o presidente da Assembleia Legislativa.
     O PTC estará na base de apoio à candidatura da candidatura de Jackson Lago juntamente com o PSDB, PTC e PPS. O partido deve participar das eleições com uma lista de 45 candidatos a deputado estadual e 14 deputados federais, dentre eles o vereador de São Luís, Edivaldo Holanda Junior, o mais votado nas eleições de 2008.