31 de mai de 2010

PT de Bacabal nega denúncia de constrangimento a delegado

O presidente do PT de Bacabal, Reinaldo Pereira da Silva, negou enfaticamente que o delegado do partido, Manoel Silva Araújo, tenha sofrido qualquer tipo de constrangimento para mudar de opinião acerca da aliança PT-PMDB, pela qual votou no Encontro Estadual dos dias 26 e 27 de março.
     A notícia circulou nesta segunda-feira pelo portal do Sistema Mirante de Comunicação. Coincidentemente, no dia em que desembarca em São Luís o secretário geral do partido, José Eduardo Cardoso, e uma comitiva da Direção Nacional do PT para investigar a compra de delegados que aderiram à alianca PT-PMDB. Adesão teria ocorrido após a realização do encontro tático de 27 de março que optou pela aliança com o PCdoB por apertados 87 X 85 votos.
     Segundo Reinaldo, Manoel Silva Araújo teria manifestado aberta e espontaneamente sua decisão de mudar de lado dentro da legenda, afirmando que “não votaria em Roseana”, e que só havia votado a favor da aliança com o PMDB por pressões sofridas pelo companheiro de legenda Rodrigo Comerciário.
     No último mês, Manoel chegou a solicitar uma reunião com o candidato Flávio Dino, para comunicar-lhe oficialmente a sua decisão de apoiá-lo. A reunião foi realizada no Hotel Brasil, em Bacabal, no dia 16 de maio. Na ocasião, participaram cerca de dez militantes petistas.
     De lá, por iniciativa própria, Manoel acompanhou a caravana que se dirigia ao município de São Mateus do Maranhão para participar de ato político. Lá, ele integrou a mesa dos trabalhos e foi inclusive aplaudido pela multidão, quando foi divulgado que ele passara a integrar a pré-campanha da aliança entre PCdoB, PT e PSB.
     Reinaldo classificou de absurda a acusação de que Manoel teria sido constrangido. “Ele aderiu à campanha de forma transparente e participou animadamente do evento. Portanto, não houve constrangimento algum.”, disse o presidente do PT de Bacabal.

Governar é cuidar das pessoas - ao vivo




Imagens registradas por câmeras de segurança flagraram o momento em que um menor de 16 anos praticava um assalto a lan house 'Sb Net', localizada na rua Ademar de Barros, nº. 190, no Bairro de Fátima, em São Luís (MA), na noite do último sábado (29). O suspeito estava armado com um facão e ameaçava a funcionária da loja e os clientes.
     O vídeo mostra o momento quando o acusado (camisa escura) entra no local e a anuncia o assalto. Ele exibe um facão na cintura e ameaça corta a atendente, caso a mesma reagisse ao assalto. Depois de revirar as gavetas, o assaltante segue até o local onde estavam os computadores.
     Na sequência, as imagens mostram o menor revistando os clientes em busca de objetos de valor. Depois, o suspeito foge levando celulares, dinheiro, cheques, câmera digital, cartões e documentos.
     De acordo com informações das vítimas, já é a terceira vez que o jovem invade a loja para praticar o crime. A primeira vez ocorreu no mês de novembro do ano passado, só que desta vez, o suspeito não teve a mesma sorte que antes. Ele fugiu, mas foi apreendido pela Policia Militar e está à disposição dos órgãos responsáveis na delegacia da Refsa, na Beira Mar.

Por Isaías Rocha

Ferreira Gullar ganha Prêmio Camões 2010

LISBOA — O Prêmio Camões, a mais importante premiação literária da língua portuguesa, foi concedido neste ano ao poeta brasileiro Ferreira Gullar, anunciou nesta segunda-feira o Ministério da Cultura de Portugal.
     "É para um grande homem da lusofonia que o Prêmio Camões rende homenagem", declarou em uma coletiva à imprensa a ministra portuguesa de Cultura, Gabriela Canavilhas.
     Nascido no dia 10 de setembro de 1930, José Ribamar Ferreira,  conhecido como Ferreira Gullar, é "poeta, dramaturgo, cronista e tradutor, considerado entre as 100 personalidades brasileiras mais influentes na atualidade", disse Canavilhas.
     A ministra falou ainda da importância de "sua atividade cívica e política como cidadão e autor". Ferreira Gullar publicou sua primeira coletânea de poemas em 1949. "Dentro da noite veloz" e "Poema sujo", da década de 1970, figuram entre suas obras mais famosas.     O Prêmio Camões, de 100 mil euros, foi criado em 1988 por Portugal e Brasil para homenagear autores lusófonos que tenham contribuído para enriquecer o patrimônio cultural e literário de língua portuguesa.
     O prêmio foi outorgado antes aos portugueses Antonio Lobo Antunes (2007) e José Saramago (1995), ao brasileiro Jorge Amado (1994) e ao angolano Pepetela (1997).

Casa onde nasceu Ferreira Gullar na rua dos Prazeres

Jackson Lago tem apoio de maioria da classe política de Presidente Dutra

O ex-governador Jackson Lago (PDT) continua sendo o preferido da classe política de Presidente Dutra. No município onde foi construído o primeiro Socorrão do interior do Estado pelo então governador, antes de ser cassado pelo que chama de "golpe judicial", a maioria dos vereadores está apoiando sua reeleição.
     Na pré-convenção dos quatro partidos (PSDB-PDT, PPS e PTC) que apoiam a pré-candidatura de Jackson Lago, realizada na sexta-feira em São Luís, metade da Câmara Legislativa de Presidente Dutra marcou presença.
     Além do vice-prefeito Zezão, os vereadores Aristeu Nunes,Tony Veloso, Pedro Cabral, Sauaia e Abreu fizeram questão de prestigiar o ato político que reuniu mais de duas mil lideranças políticas e comunitárias do estado.
     Entre as lideranças comunitárias, esteve presente uma das mais antiga militante do movimento social da capital; Vovó Raimunda, especialmente saudada pelo ex-prefeito de São Luís e pré-candidato ao governo do estado nas eleições de outubro deste ano.

Roseana deve atender cunhado e manter Fátima Travassos como Procuradora Geral de Justiça

A governadora do Estado, Roseana Sarney (PMDB), deve manter a procuradora Maria de Fátima Travassos Cordeiro como Procuradora-Geral de Justiça do Estado. Ao menos era essa a convicção interna no Ministério Público Estadual até sexta-feira passada. O prazo para nomeação do Procurador Geral de Justiça pelo Exectuivo termina nesta segunda-feira, 31 de maio.
     Segunda colocada na eleição que escolheu a lista tríplice para que a chefe do executivo manifestasse sua preferência, Fátima Travassos, repete o mesmo caminho da primeira escolha feita pelo governador Jackson Lago. À época da escolha pela  procuradora, o pedetista justificou como sendo uma homenagem e demonstração de prestígio às mulheres.
     A Constituição Federal estabelece que o procurador-geral de Justiça do Estado seja eleito pelos membros do Ministério Público estadual, mas não garante a posse ao mais votado. O que vale é a caneta do governador, não o resultado das urnas. O governador pode escolher qualquer um da lista tríplice formada pelos três mais votados pelo colégio eleitoral.
     Na eleição do dia 17 de maio, o procurador Raimundo Nonato Carvalho Filho, ex-procurador geral de Justiça, conquistou o maior número de votos, 152, contra 146 dados à atual procuradora geral. Francisco Barros, também ex-procurador, obteve 74 votos, e o quarto colocado, o promotor Gilberto Câmara, com 66 votos.
     Ao escolher Fátima Travassos e não o mais votado, Roseana estaria cedendo a mais um pedido do cunhado Ricardo Murad, denunciado na gestão de Raiumundo Nonato por impobridade administrativa.

Ibope: Uma entre cada sete mulheres já fez aborto

Uma pesquisa feita pelo Ibope e elaborada pelo Instituto Bioética Direitos Humanos com 2.000 mulheres revela que uma em cada sete, com idade entre 18 e 39 anos, já fez aborto.
     O resultado preocupa especialista porque representa 35 milhões de mulheres no auge da idade reprodutiva. A maioria dos casos está na região Sul do país.
     Muitas delas recorrem a remédio proibido desde 2005 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para interromper a gestação.

Do R7

Museu de tudo: Zeca Baleiro toca violão acústico na década de 80 em São Luís

Governo atua para que PT se alie a Roseana no MA

ANDREZA MATAIS

ENVIADA ESPECIAL A SÃO LUÍS
     O governo federal interveio para assegurar o apoio do PT à reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB). O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) se reuniu nas últimas semanas com dois dirigentes petistas do Maranhão para tratar do assunto, segundo a Folha apurou.
     O esforço tem como objetivo rever a decisão do partido no Estado em apoiar a candidatura de Flávio Dino (PC do B) sem a necessidade de uma intervenção.
     O PT tenta evitar problemas à aliança nacional do partido com o PMDB em torno da pré-candidata Dilma Rousseff.
     Alexandre Padilha entrou em campo logo após o PT ter decidido por 87 a 85 votos que iria apoiar a candidatura do PC do B, no fim de março.
     Uma das pessoas que Padilha procurou para tentar reverter o apoio ao comunista foi seu amigo Marcio Jardim. "Ele tem ascensão sobre mim, mas jamais me faria essa proposta [de mudar de lado]", disse Jardim. Padilha nega a conversa.
     O ministro também tratou do assunto com o ex-deputado federal Washington Luiz. "O que a direção nacional do PT me fala e o próprio ministro Padilha é que gostariam que nós resolvêssemos a questão aqui [pelo Maranhão] porque é melhor, menos ônus para eles fazerem essa pressão junto ao partido do Estado", afirmou Luiz.
     Padilha confirma o encontro com Luiz, mas nega ter falado sobre o Maranhão.
     No dia seguinte à reunião entre Padilha e Luiz, em 12 de maio, o ex-deputado começou a coletar as assinaturas para o abaixo-assinado em favor de Roseana.
     Esse documento está sob suspeita de ter sido elaborado mediante compra de votos dos partidários de Dino para mudarem de lado e passarem a apoiar a candidata do PMDB.
INVESTIGAÇÃO
     Nesta segunda-feira, o deputado federal Eduardo Cardozo, secretário-geral do partido, desembarca em São Luís para investigar o caso. Reportagem da revista "Veja" mostrou petistas denunciando a compra de votos, que teria sido intermediada por pessoas do próprio partido da ala pró-Roseana no Maranhão.
     A Folha apurou que está em curso uma "operação abafa". Cardozo telefonou na última semana a dirigentes do partido no Estado para saber se há prova documental ou testemunhal da propina. Ouviu que não.
     Três das quatro pessoas ouvidas pela Folha disseram ter recebido a proposta de compra de voto por até R$ 40 mil e negaram ter gravações. Todos foram orientados a não falar mais no assunto.

Da Folhaonline

OAB-MA quer esclarecimentos sobre mortes de moradores de rua em Bacabal

     O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil-Seccional do Maranhão, o advogado Luis Antonio Pedrosa, vai encaminhar expediente ao Secretário de Estado de Segurança Pública, Aluisio Mendes, exigindo a apuração das circunstâncias da morte de dois moradores de rua na cidade de Bacabal antes que esse tipo de crime se alastre pelo Estado.
     Em menos de 20 dias foram registrados dois assassinatos de moradores de rua no município. No dia 9 de maio um morador de rua teve o corpo queimado. Na sexta-feira passada, um homem identificado como sendo Adriano dos Santos Lima, 21, foi encontrado morto na Rua Gonçalves Dias, local onde dormia há cerca de três meses. Segundo o delegado regional de Bacabal, Jáder Alves, não havia sinais de luta no local e nenhum tipo de lesão de defesa nos braços da vítima.
     Sem um órgão responsável por levantamento estatísticas dessa população, o governo do estado tenta tornar o problema invisível. Para Pedrosa, a situação nos municípios ainda é mais grave diante da miopia dos administradores que não acessam programas de amparo a essa população com verbas disponíveis nos ministérios específicos.
     "Corremos o risco de está copiando mazelas das grandes metrópoles, inclusive com este tipo de criminalidade", alerta o presidente da Comissão da Ordem. Ele acredita que os crimes podem envolver diversos fatores, inclusive de ordem econômicas, já que muitos comerciantes e donos de restaurantes acham que o morador de rua espanta sua freguesia.
     Outro fator apontado pelo Antonio Pedrosa é a facilidade com que no município de Bacabal seja contratado um jagunço. "É uma área bastante violenta no estado. Há jagunços contratados a preço de banana para cometer assassinatos", afirma.
     Daí o advogado achar necessária uma pronta reação do aparelho de segurança. Pedrosa aponta problemas de gestão na secretaria de Segurança Pública: "Desde que o secretário de Segurança Raimundo Cutrim assumiu o Gabinete de Segurança Integrada, GSI, não mais se reuniu. Isso mostra que do ponto de vista da segurança pública, essa gestão do governo do estado faliu", constata Pedrosa.
     No entendimento do advogado a indicação do Policial Federal Aluisio Mendes para substituir Cutrim se constitui em um erro de escolha, já que o treinamento de manobra do atual titular da Secretaria não inclui conhecimento de gestão, o que só piora o quadro.
     Sobre a política de amparo à população de rua, o advogado indica: "É preciso dar início a criação de abrigos. Diariamente se observa um grande número, principalmente de jovens, em esquinas e sinais das avenidas de grande trânsito, maltrapilhos e que tem a rua como casa". Segundo Pedrosa, o mesmo expediente que endereçará ao secretário de Segurança também será encaminhado à Secretaria de Estado dos Direitos Humanos.

Governo de Sarney espionou a oposição após fim da ditadura

Na Folha de S. Paulo:
Governo espionou críticos mesmo após fim da ditadura
Documentos liberados após 25 anos de sigilo revelam alvos na gestão Sarney
Entre os investigados estão o PT, os sem-terra, sindicatos, grupelhos de esquerda e membros de entidades como OAB
RUBENS VALENTE
DE SÃO PAULO
Documentos liberados à Folha pelo Arquivo Nacional após 25 anos de sigilo demonstram que o governo do atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), espionou os principais focos de críticas na sociedade civil.
     O governo interceptou cartas, infiltrou agentes e produziu listas de nome e endereços dos principais protagonistas da oposição.
     Criado após o golpe de 64 e mantido por Sarney (1985-1990), o Serviço Nacional de Informações centralizava as informações na chefia do órgão em Brasília, que tinha status de ministério e ocupava sala ao lado da de Sarney, no Palácio do Planalto.
     Os relatórios revelam os principais focos de preocupação do governo: partidos de esquerda, entidades de trabalhadores rurais sem terra, especialmente o MST -largamente o mais visado dentre todos-, religiosos da Teologia da Libertação, sindicatos e setores da mídia.
     O SNI recebia e retransmitia relatórios produzidos por inúmeros outros órgãos que formavam a chamada "comunidade de informações" -o arquivo contabilizou pelo menos 248 órgãos que integravam o sistema do SNI.
REUNIÃO DO PT
     Em 11 de dezembro de 1988, o SNI acompanhou a "primeira reunião da executiva nacional" do Partido dos Trabalhadores. A reunião era fechada, com cerca de 30 pessoas, dentre as quais Luiz Inácio Lula da Silva e José Dirceu. Todos os líderes do PT tinham fichas no SNI.
     Os arapongas escreveram que os petistas atacaram a inflação e os baixos salários e afirmaram que Lula defendeu a antecipação das eleições. Lula teria dito: "O centro da crise é Sarney".
     O relatório descreve as disputas dentro do PT e "certo descontentamento" com a gestão da então prefeita paulistana, Luiza Erundina.
     Na Polícia Federal, dirigida pelo atual senador Romeu Tuma (PTB-SP), o serviço de espionagem era exercido pelo Centro de Informações.
     A PF se valia de sua estrutura nos Estados para investigar os partidos que incomodavam o governo Sarney. Em 24 de junho de 1985, a superintendência de Minas emitiu "ordem de busca" para investigar "a tática do PCB [Partido Comunista Brasileiro] para o movimento sindical". O documento orientava os policiais a "verificar se houve alterações táticas que modifiquem a orientação sindical determinada pelo partido em março de 85".
     Em maio de 1988, a unidade da PF no Paraná elaborou um relatório sobre um grupelho chamado PRC (Partido Revolucionário Comunista), formado por Tarso Genro (PT-RS), pelo hoje deputado José Genoino (PT-SP) e pela atual pré-candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva, desconsiderada no relatório.
     Na campanha de 1989, os arapongas deram destaque aos possíveis apoios que o MST prestaria a candidatos. "O MST vem difundindo a "campanha dos 11 pontos" para os presidenciáveis. Isto é, são propostas do MST para a reforma agrária que devem ser incluídas na plataforma do candidato. Aquele que se dispuser a aceitar integralmente os "11 pontos" terá o apoio do MST, menos Paulo Salim Maluf, Fernando Collor de Mello e Ronaldo Caiado", apontou relatório datado de julho de 1989 -na eleição, o MST apoiou Lula.
     Futuro ministro da Justiça no governo Lula, o advogado Márcio Thomaz Bastos foi muito acompanhado pelo SNI até, pelo menos, 17 de agosto de 1988, data do último relatório com referências ao ex-presidente da OAB paulistana. Sua ficha inclui uma acusação de participação num caso de contrabando, nos anos 70. Bastos havia defendido um acusado desse tipo de crime. "A ditadura acusava os advogados dos acusados para poder envolver todos num suposto crime. Era uma forma de intimidação", disse.
     Bastos conheceu Lula nos anos 70 e, na fase da abertura política, integrou o grupo de advogados que levou a OAB apoiar as Diretas-Já. Naquela época, sabia ser seguido. Ele disse que a OAB-SP até encontrou um gravador no teto da sala da presidência.

Folha.com
Veja mais documentos, outros detalhes de espionagem e as íntegras das entrevistas com os principais envolvidos
folha.com/po743061

"Sarney não foi militar, regime sim", diz autora
DE SÃO PAULO
A professora do departamento de história da Universidade Federal de Minas Gerais Priscila Brandão Carlos Antunes, autora de "SNI e Abin: Entre a Teoria e a Prática", disse que a lei que regulava o SNI "tinha uma amplitude muito grande".
Para Antunes, "no final dos anos 80, o SNI passava por um processo de reconstrução de sua identidade. Contudo, a maioria dos seus quadros achava que o inimigo estava na própria sociedade brasileira. (...) O presidente [Sarney] não foi um militar, mas o governo foi".

Trabalho do SNI era "rotina", diz general
Ministro do Exército de Sarney, Leônidas Gonçalves afirma que todo governo precisa de serviço de inteligência
Para um dos chefes do Centro de Informações do Exército na época, objetivo era ver se havia "risco à democracia"

DE SÃO PAULO
O chefe do SNI no governo Sarney foi o general Ivan de Souza Mendes (1922-2010), morto em fevereiro último.
     Em 2002, Mendes recebeu a Folha em seu apartamento, no Rio. Indagado sobre os segredos que poderia deter, brincou: "O que tenho a dizer, você não vai se interessar em publicar, pois já é conhecido. Mas o que você gostaria de publicar, porque é inédito, ah, isso não posso dizer".
     Chamando sua mulher à sala como "testemunha", Mendes contou te   r queimado todos os documentos que levou para o apartamento.
     O então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, disse que os trabalhos do SNI eram "de rotina", e que todo governo "do mundo" necessita de um serviço de inteligência para subsidiar as decisões dos presidentes.
     "O Sarney se valia, sim, das informações do SNI. Mas isso era a rotina, a prática, não havia nada de irregular."
     Ele afirmou não ter conhecimento específico sobre "alvos" determinados pelo SNI. "Eu não tinha essas informações detalhadas. O chefe do SNI despachava com o presidente", disse Gonçalves.
     Chefe do CIE (Centro de Informações do Exército) por um ano no governo Sarney, o general reformado Sérgio Augusto Coutinho, 78, disse à Folha, em 2009, não se recordar de relatório de análise assinado por ele em julho de 1989 e que tratou do MST.
     Ele diz que o CIE produzia "conhecimento que pudesse auxiliar o comandante [do Exército] a tomar decisões".
ORDEM DO COMANDANTE
     Indagado sobre o grau de interesse do governo acerca do MST, o general disse não se recordar. "Um serviço de inteligência, agora estou falando em tese, se interessa por tudo que possa instruir a autoridade", disse. "Quem estabelece o que quer saber é o próprio comandante, não é o serviço que inventa."
     "Hoje eu vejo o MST, tenho um entendimento pela imprensa, é um movimento campesino revolucionário, socialista, no socialismo agrário", afirmou o general.
     Outro chefe do CIE no governo Sarney, o general de divisão Tamoyo Pereira das Neves, disse no ano passado que não comenta relatórios que assinou na época.
     "Eu estou afastado já há alguns anos e eu não tenho a intenção, assim, de conversar sobre esse assunto."
     Falando em termos gerais sobre "organizações subversivas", o general afirmou: "Essa é uma preocupação que eu acredito que sempre existiu, de acompanhar todos os movimentos, não na intenção de cerceá-los, mas na intenção de prevenir. É esse o grande objetivo", disse.
"É acompanhar para ver se aquilo podia resultar em alguma coisa que pudesse por em risco a democracia. Esse era o grande objetivo nosso", completou o general. (RV)

ENTREVISTA
Sarney afirma que vetou casos sobre 'vida particular'

DE SÃO PAULO
Ao longo de seu mandato na Presidência (1985-1990), o senador José Sarney (PMDB-AP) se reuniu diariamente, às 8h30, com o chefe do SNI, general Ivan de Souza Mendes, e outros funcionários do Palácio do Planalto. Para o então presidente, contudo, as atividades do SNI estavam "praticamente hibernadas". Leia os principais trechos da entrevista, por e-mail. (RV)
Folha - Como o sr. qualifica o trabalho do SNI naquele período, sob o ponto de vista da organização, dos métodos e da transmissão das informações ao governo?
José Sarney - O trabalho do SNI pareceu-me sempre burocrático, e o seu ministro-chefe encontrava-se comigo em reuniões de trabalho, das quais participava com os chefes da Casa Civil e da Casa Militar, e se restringia a me transmitir notícias que, em geral, já eram do conhecimento da mídia.
     Logo que assumi, dei instruções para que suspendesse toda e qualquer atividade no que se referia a investigar a vida particular das pessoas, dizendo que isso não correspondia a nenhum interesse de Estado.

Olhando em retrospecto, o sr. concorda com as atividades do SNI sobre os movimentos sociais?
     Nunca recebi nenhum relatório sobre movimentos sociais. Atribuo isso ao fato de o general Ivan de Souza Mendes ter certa reserva sobre a posição do presidente.
     Depois que já deixara de ser presidente, tive acesso a uma entrevista dele fazendo críticas ao próprio governo, bem como a um documento dirigido ao presidente [Ernesto] Geisel com restrições graves à minha pessoa, cuja fonte era o senador Vitorino Fernandes, seu particular amigo.
     No fim do governo, pedi ao SNI que fizesse um levantamento de todas as greves que tivessem sido realizadas no meu governo, com as horas de trabalho perdidas, para fins estatísticos.
     Por outro lado, pedi que as análises sobre conjunturas internacionais do SNI me fossem mandadas com regularidade, pois as considerava de boa qualidade.

O SNI tinha autonomia para escolher as "áreas de interesse" de seus trabalhos ou, de alguma forma, o sr. colaborava para indicar essas áreas? Qual era o grau de autonomia do SNI?
Jamais entrei no âmago das atividades do SNI, que me pareciam, praticamente, hibernadas. Se o SNI tinha informações e escolhia áreas, nunca levou isso ao meu conhecimento.

Manchetes dos jornais

AQUI-MA - Caso Paulino: Morte e problema
O ESTADO DO MARANHÃO - Revista encontra "arsenal" em Pedrnhas
O IMPARCIAL - Murad é campeão de faltas na Assembleia