19 de dez de 2010

Terra Legal inicia entrega de títulos de terra no Maranhão

    O Terra Legal entregou, nesta semana, os 18 primeiros títulos de terra no Estado da Maranhão. A solenidade foi no município de Zé Doca, Território da Cidadania Alto Turi Gurupi, e contou com a presença do secretário extraordinário de regularização fundiária, Carlos Mário Guedes de Guedes. O ato foi realizado no encerramento do mutirão de cidadania promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
    Aderson (79) e Maria Dionízia Sousa (77) esperaram 48 anos para receber o título definitivo da fazenda São Luis de 16 hectares onde criaram o filho e netos com a renda do que plantavam. No evento de entrega dos títulos, relembraram a chegada ao imóvel e as dificuldades de viver e investir numa terra sem documento.
    – Sofremos, mas agora ninguém nos tira. Esse pedacinho é nosso – comemoraram.
    O casal contou como conseguiu viver da terra durante 48 anos, sem, de acordo com os dois, "ninguém falar em preservar a natureza".
    – Tivemos que abrir, derrubar. Era o único jeito porque precisávamos plantar – conta Aderson.
    – Se fosse hoje não faria de jeito nenhum. Agora vou colocar as plantas de volta.
    Para o coordenador do Terra Legal no Maranhão, Jowberth Frank, com o Terra Legal a região inicia um novo momento com foco na segurança jurídica da terra e no desenvolvimento sustentável.
    – Estamos reconhecendo o direito dessas famílias e ajudando-as a produzir e preservar a floresta.
    O Terra Legal inovou o processo de regularização fundiária, inclusive introduzindo como condicionante para permancer na terra, cláusulas resolutivas ambientais. O novo proprietário torna-se responsável pela preservação da Amazônia.
    As 18 famílias do Maranhão ganharam um incentivo para cumprir a legislação ambiental. A associação de apicultores TuriMel do município de Santa Luzia do Paruá doou às famílias tituladas mudas de açaí para simbolizar o início da regularização ambiental.
    A regularização fundiária no Maranhão vai ser acompanhada pelo colegiado do Território da Cidadania Alto Turi Gurupi. O colegiado aprovou a criação de uma câmara temática fundiária para contribuir no trabalho do Terra Legal nos dezoito municípios que compõem o território. A demanda de regularização fundiária é uma das principais pautas da região.
    As equipes de campo do Terra Legal já cadastraram e mediram 2,3 mil imóveis em sete municípios e mais 1,5 mil começam a ser medidos ainda este ano.
    – O colegiado deve olhar o cadastro desses imóveis para titular só quem tem direito à terra. São os moradores de cada município que nos ajudam a titular com segurança – destacou Carlos Guedes.
    A primeira reunião da câmara foi marcada para o início de janeiro quando será definida a agenda de trabalho.

Do Ministério do Desenvolvimento Agrário

Reencontro com Antonin Artaud

Ferreira Gullar
    NOS MEUS primeiros anos no Rio de Janeiro, tornei-me rato de livraria, não apenas porque gostava de livros, mas também porque, muitas vezes, necessitava encher o dia.
    Meu emprego era na "Revista do IAPC", que ficava na rua Alcino Guanabara, quase em frente ao bar Amarelinho. Se nenhum amigo passava em minha sala para bater papo nem me ocorria nenhuma ideia para um poema, começava a me sentir ansioso e saía a andar pelas ruas.
    Ia parar em alguma livraria ou numa loja de aves, rua Sete de Setembro, quase esquina com rua Primeiro de Março.
    Essa loja fedia muito, tantas eram as aves que havia ali, presas em grande gaiolas. Havia de tudo, de canários-da-terra e araras coloridas até aves estranhas, como um nhambu, pernalta e meditativo. Voltei várias vezes só para vê-lo e tomar um caldo de cana gelado num boteco que havia perto.
    Mas, afinal, o que me atraía àquela loja de aves? É que algo ali me lembrava "Les Chants de Maldoror" ("Os Cantos de Maldoror"), de Lautréamont, que lera recentemente na Biblioteca Nacional e, por mais que fuçasse, não o achava em nenhuma livraria.
    Mas achei uma coisa inesperada: um exemplar da revista "Les Cahiers de la Pléiade" (primavera de 1949), que me deixou maravilhado: é que uma parte dela era dedicada a Antonin Artaud, incluindo um poema inédito e um testemunho de Claude Nerguy, contando a visita que lhe fizera, poucos dias antes de sua morte, numa casa de repouso, em Ivry, para onde tinham-no transferido depois de várias internações em manicômios. Nerguy e sua companheira ficaram chocados ao encontrá-lo tão magro, de camisa suja e olhar alucinado.
    Durante aquela visita, Artaud tomou de um martelo e começou a bater violentamente num bloco de madeira, enquanto declamava exasperado um poema incompreensível: "É assim que marco o ritmo de meus versos", berrava.
    No final da visita, quando Nerguy lhe pediu que autografasse um livro, escreveu: "Para Claude, sob a condição de manter-se só, uma vez que sou inimigo da sexualidade". Quando deixam aquele quarto opressivo, a moça diz: "Em lugar de olhos, ele tem relâmpagos".
    Na revista, havia um poema inédito de Artaud em que ele se dizia "um puro espírito" e insultava Deus. Era um poema estranho, impactante e belo. Foi então que decidi datilografá-lo em várias cópias e distribuí-las entre meus amigos.
    Certo dia, um deles pediu-me a revista emprestada, alegando estar escrevendo um artigo sobre Artaud para um suplemento literário. Hesitei em emprestá-la, mas ele jurou que a devolveria em quatro dias, no máximo. Terminei cedendo. Ele pegou a revista e sumiu.
    Passados os quatro dias, tentei localizá-lo em vão. Meses depois, deparo-me com ele na rua. Desculpa-se, alegando que viajara inesperadamente porque sua mãe adoecera, acabava de voltar e ia me procurar para devolver a revista. "Vou buscá-la agora", disse, e sumiu de novo.
    "Livro não se empresta" -advertiu minha amiga Lucy Teixeira-, "ainda mais uma preciosidade como essa". Tinha razão. Mesmo assim, ao longo dos anos, não me emendei, continuei a emprestar livros preciosos ou raros, que nunca me devolveram.
    E, ao longo desses anos -mais de 50-, de vez em quando, se lia ou ouvia algo sobre Artaud, sofria de novo a perda da revista e maldizia o caráter daquele sujeito que descarada e insensivelmente se apropriara de uma coisa que, para mim, tinha valor inestimável.
    Faz pouco, falei disso com Kaira Cabañas -crítica de arte e curadora de importantes mostras internacionais-, que prepara uma exposição sobre Antonin Artaud, a se realizar no Museu Reina Sofía, de Madri.
    Ela deseja expor ali alguns exemplares daquela edição pirata que fiz do poema de Artaud, em 1954. Só que aqueles a quem dei os exemplares já se foram e nem mesmo a que guardei comigo existe mais. Nem poderia imaginar que teriam importância no futuro. Em compensação -pasmem vocês-, Kaira Cabañas acaba de me enviar um exemplar daquela revista, de cuja perda jamais me refizera.
    Ao abrir o pacote e me deparar com ela, de capa amarelo-ocre, pensei estar vivendo um sonho. E, como se sonhasse, procurei nela o texto sobre Artaud, o poema que copiara... estava tudo lá. Maravilha! É, de uns tempos para cá, deu para chover na minha horta.

Márcio Vasconcelos "Na Trilha do Cangaço"

    O fotógrafo maranhense Márcio Vasconcelos lança na próxima quarta-feira,22, sua nova exposição: “Na Trilha do Cangaço”, um ensaio fotográfico pelo Sertão que Lampião pisou.O vernissage está marcado para as 20h no Espaço Armazém, na Rua da Estrela, Praia Grande, em São Luis.
    A mostra é resultado do projeto vencedor do XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia. Além das fotografias, Márcio Vasconcelos reuniu informações sobre o trabalho em um site que será lançado na abertura da exposição.
   

Escuta da PF flagra ministeriável do PMDB, ligado a Sarney

    O futuro ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB-MA), foi flagrado em escutas da Polícia Federal pedindo ao empresário Fernando Sarney que beneficiasse um aliado na Justiça Eleitoral.
    Filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Fernando é investigado há três anos pela PF. As conversas interceptadas pela polícia mostram que ele foi procurado pelo futuro ministro por manter uma relação próxima com a tia, a desembargadora Nelma Sarney, à época corregedora do Tribunal Eleitoral do Maranhão.
    Indicado ao Ministério do Turismo pela bancada do PMDB da Câmara, Novais, que diz não se recordar das conversas gravadas pela polícia, é alinhado politicamente aos Sarney no Maranhão.
    O pedido ao empresário seria em favor do prefeito de Bacuri (MA). Ele enfrentava problemas com a Justiça Eleitoral por não ter participado da convenção que escolheu o candidato do PSB à prefeitura e, a seguir, fez a própria reunião para ser aclamado como representante do partido para disputar o cargo.
    Em 14 de julho de 2008, uma hora depois da primeira tentativa frustrada de falar com Fernando Sarney, o deputado e futuro ministro ligou novamente, por meio do gabinete na Câmara, em Brasília. Na conversa, ele pede ao empresário que interceda junto à desembargadora Nelma para ajudar o prefeito.
    Novais diz que uma ala do PSB da cidade maranhense fez convenção paralela para impedir a candidatura do prefeito, que tentava a reeleição.
DIÁLOGOS
    "Como o juiz local é uma pessoa ligada à Nelma, o prefeito me pediu para falar com você pra ver se você interfere no sentido de que o prefeito, que é o Washington [Oliveira], que votou em mim, [tenha decisão] favorável a ele", diz o deputado.
    "Manda um fax ou e-mail com informações detalhadas para eu falar com ela", responde Fernando, dizendo que se encontraria com a desembargadora naquele dia.
    No dia seguinte, Novais liga novamente para o empresário. Fernando Sarney diz estar com o prefeito naquele momento e que está "vendo como resolver" a situação.
    Na ocasião, Novais e o prefeito aliado trocaram algumas palavras: "Está tudo encaminhado, né?", pergunta o deputado. Diante da resposta positiva e do agradecimento a Novais, eles desligam.
    O prefeito ganhou o caso com a decisão do juiz local. O processo seguiu ao TRE um mês depois, e Nelma Sarney foi nomeada relatora. Como estava de licença, um juiz substituto deu voto favorável ao prefeito, contrariando parecer do Ministério Público Eleitoral. Washington foi reeleito prefeito de Bacuri.
    O advogado João da Hora, que defendeu a coligação adversária, está convencido de que foi derrotado pela ação de políticos poderosos.
    Ele conta que foram muitas as pressões e diz que sempre suspeitou de tráfico de influência -definido como crime de solicitar ou obter vantagem para influir em órgão público, que prevê de dois a cinco anos de prisão.
    "Ele [Washington] teve muita gente ao lado dele. Correu tudo ao arrepio da lei", disse o advogado.
Além do pedido de Pedro Novais, as escutas da Polícia Federal indicam ao menos outras duas situações em que Fernando recebe pedidos de aliados, e os casos acabam passando pelas mãos de Nelma, com decisões favoráveis na Justiça Eleitoral.
Da Folha de S. Paulo

Manchetes dos jornais

JORNAL PEQUENO - Procuradoria do Município pede a prisão de diretores da CEMAR
O ESTADO DO MARANHÃO - Imóvel de São Luís terá valor venal maior e IPTU mais caro
O IMPARCAL - Crime  e castigo: A falência do sistema carcerário

Escuta da PF flagra Pedro Novais

O futuro ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB-MA), foi flagrado em escutas da Polícia Federal pedindo ao empresário Fernando Sarney que beneficiasse um aliado na Justiça Eleitoral.

    Filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Fernando é investigado há três anos pela PF. As conversas interceptadas pela polícia mostram que ele foi procurado pelo futuro ministro por manter uma relação próxima com a tia, a desembargadora Nelma Sarney, à época corregedora do Tribunal Eleitoral do Maranhão.
    Indicado ao Ministério do Turismo pela bancada do PMDB da Câmara, Novais, que diz não se recordar das conversas gravadas pela polícia, é alinhado politicamente aos Sarney no Maranhão.
    O pedido ao empresário seria em favor do prefeito de Bacuri (MA). Ele enfrentava problemas com a Justiça Eleitoral por não ter participado da convenção que escolheu o candidato do PSB à prefeitura e, a seguir, fez a própria reunião para ser aclamado como representante do partido para disputar o cargo.Do Blog do Noblat