5 de mar de 2011

Carnaval de São Luís (MA) 2011: PH manda "dá taca" em cambistas na porta do Pestana

Dentro do Pestana tudo era alegria, enquanto lá fora o pau comia
    Policiais apreenderam na noite de sexta-feira, 4, todos cambistas que estavam vendendo ingressos do Baile de Gala na porta do Hotel Pestana, antigo Quatro Rodas construído por Victor Civita na década de 60. Sob o pretexto de que os ingressos eram falsos, a polícia efetuou as apreensões. Os cambistas perderam os ingressos e o dinheiro investido. Segundo eles, a  abordagem foi de uma violenta desnecessária, mas ninguém fez registro contra violência policial.
   O baile foi organizado pelo jornalista Pergentino Holanda, de O Estado do Maranhão, jornal da família da governadora Roseana Sarney (PMDB). Os ingressos foram vendidos ao preço de R$ 300,00. A cantora Alcione e o carnavalesco Joãosinho Trinta abrilhantaram a festa, prestigiada pelo prefeito João Castelo. "O PH mandou dá taca em todo mundo", contou um cambista que conseguiue escapar.

Carnaval de São Luís (MA) 2011: Tradicionais do ritmo em homenagem aos Fuzileiros da Fuzarca

Carnaval de São Luís (MA) 2011: Na Passarela do Samba neste sábado,5

Desfile dos Blocos Tradicionais do Grupo A (Ordem de apresentação)
18h00 às 18h20 - Dragões da Liberdade
18h25 às 18h45 - Pierrot
18h50 às 19h10 - Os Trapalhões
19h15 às 19h35 - Príncipe de Roma
19h40 às 20h00 - Os Fanáticos
20h05às 20h25 - Originais do Ritmo
20h30 às 20h50 - Os Indomáveis
20h55 às 21h15 - Os Feras
21h20 às 21h40 - Os Foliões
21h45 às 22h05 - Os Versáteis
22h10 às 22h30 - Os Magnatas
22h35 às 22h50 - Os Vampiros
23h00 às 23h20 - Vinagreira Show
23h25 às 23h45 - Os Vigaristas
23h50 às 00h10 - Kambalacho do Ritmo
00h15 às 00h35 - Mensageiros da Paz
00h40 às 01h00 - Os Tremendões
01h05 às 01h25 -  Os Reis da Liberdade
01h30 às 01h50 - Os Brasinhas
01h55 às 02h15 - Os Guardiões
02h20 às 02h40 - Arlequim de Ouro
02h45 às 03h05 - Os Diplomáticos

Euclides Moreira Neto culpa os "pobres" pelo blackout na passarela

"Os culpados são eles", segundo Euclides
     "Isso não estava programado", justificou o presidente da Fundação Municipal de Cultura da Prefeitura de São Luís, Euclides Moreira Neto,o blackout na passarela do samba . Por volta da meia noite de sexta-feira,4, quando desfilavam os blocos tradicionais a passarela mergulhou no breu. Para Euclides a explicação era uma só: "A pirataria provocou a queda de energia". Evitou usar os termos "gambiarra" ou  "gato", mais popular nesses casos.
    Foi precedido pelo locutor de pista que encandeou o público exaltando a próxima atração. "A culpa é Citè luz, da Cemar, enfim...", tentou explicar o competente Frank Matos.
    O presidente da Func atrabuiu o incidente às ligações clandestinas feitas pelos barraqueiros no entorno da passarela. Euclides Neto criticou "o grande feirão livre" que se instala no local durante o período do desfile. Como se a Prefeitura - que ele integra - não tivessem responsabilidades com uso e ocupação do solo urbano e, por consequência, com a organização do evento. Fácil concluir que Euclides Moreira Neto responde por uma ilha no governo Castelo, sem interação com outras secretarias.
Escuridão expõe insegurança
    "Tudo é culpa dos pobres que montam seus negócios informais em busca de uma renda", quis dizer o presidente da fundação de cultura de São Luís. Estranho era a presença de geradores da Valentia, inoperantes em volta da passarela. Ninguém da Prefeitura atentou que a escuridão em eventos como carnaval incuba insegurança e violência.
    Desde que chegou à Func, de maneira pro forma, o professor do Departamento de Comunicação da UFMA e ex-diretor do DAC por uma vida, só tem olhos para eventos. É o que norteia sua trajetória. Com um detalhe: com arroubos de personalismo. O assunto merece um capítulo à parte.
Passarela à meia luz
    O carnaval de passarela é sua obsessão. Egresso da Favela do Samba, Moreira Neto não dá a mínima para extender as ações da Func a outros pontos da cidade. Durante o São João, toda a festa apoiada pela prefeitura se concentra na Praça Maria Aragão. O carnaval é na passarela e ponto final.
    Aproveitando o momento obscurantista e com o intuito de levantar a plateia - pouco maior que seu pensamento de gestor - anunciou que neste sábado a governadora Roseana Sarney (PMDB) prestigiaria sua festa. E se não, com certeza no domingo a comitiva da governadora seria muito vem vinda.
    Com as devidas proporções, se a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, foi chamada de "autista" pelo sociólogo Emir Sader, imediatamente, defenestrado pela declaração, o que diria então do presidente da Fundação Municipal de Cultura de São Luís, Euclides Moreira Neto.

Carnaval de São Luís (MA) 2011: Bloco Tradicional Companhia do Ritmo na passarela do samba

Na coluna do Cláudio Humberto

PODER SEM PUDOR
Inimigos íntimos
Desafeto visceral de José Sarney, o deputado Wagner Lago (PP-MA) cobrou certa vez mais empenho em favor do Estado dos "quatro senadores do Maranhão". Um colega alertou:
- Três senadores, deputado.
Lago ratificou:
- Quatro senadores: um foi eleito pelo Amapá.

No Painel da Folha de S. Paulo

Frevo ideológico
O PSTU distribuirá leques contra o que classifica de "exacerbação do machismo" durante a folia de rua em Aracaju, Recife, São Luís e Salvador. O material, que tem como slogan "Neste Carnaval, respeite as mulheres", será entregue até terça-feira.
De Renato Lo Prete

Era carnaval

Miguel Reale Júnior*
    O escritor Josué Montello, no romance Largo do Desterro, faz delicioso relato sobre o dia do Entrudo em São Luís do Maranhão, no final do século 19, dia em que comemorava seu centenário o Major Taborda. Ao tomar a carruagem, em companhia da filha, para ir à igreja assistir à missa comemorativa de seu aniversário, o major já encontra o cocheiro, Chico Bento, embriagado. Descreve, então, os percalços do caminho: "ao comprido da Rua da Palma os limões-de-cheiro e as cabacinhas voavam sobre a carruagem... na volta da Rua Santana, um balde de água apanhou em cheio o Chico Bento... na direção do Largo do Quartel e da Rua dos Remédios crescia o ruído dos bumbos e das caixas de rufos, acompanhando a cantoria das caninhas verdes, dos baralhos e dos blocos de mascarados. O major olhava em frente, trombudo... a filha ponderou: Não adianta o senhor se zangar. Hoje é carnaval... Um frade gordo, imensamente barrigudo, dançava à frente dos cavalos, requebrando-se a estalar os dedos, a sacudir para os lados as ancas avantajadas, cantando..."
    O Entrudo foi a brincadeira pela qual pessoas dos mais variados extratos, na terça-feira de carnaval, jogavam líquidos e farinha pelas janelas das casas ou em provocações durante desfile pelas ruas, com muita alegria e batuque. Espalhavam-se as escaramuças pelas cidades, em confrontos campais por vezes grosseiros, mas sempre em busca de divertimento.
    Ainda no século 19 começaram os desfiles de mascarados, os cordões com fantasiados os mais diferentes a dançar em fila reunindo diabos, anjos, príncipes, palhaços, bruxas, mendigos esfarrapados ao som de tambores e em obediência a um mestre cujo comando se dava por meio de apitos. No Rio de Janeiro apareceram os cordões dos bairros, como foi exemplo o cordão Destemidos do Catete ou o Triunfo da Glória.
    Mais tarde, na primeira década do século 20, com o surgimento do automóvel, aparece o corso, formado por veículos abertos a desfilar, com os foliões a provocar os demais, lançando confetes, serpentinas ou flores a exemplo do carnaval de Nice, que perdurou até os anos 50. Cheguei a participar de corso nas Avenidas Nove de Julho e Paulista, onde imperava a alegria e se misturavam confete e lança-perfume. Era divertido.
    Desde o final do século 19, no entanto, organizaram-se os primeiros bailes de carnaval. Lembra Helenise Monteiro Guimarães, em artigo na coletânea Carnaval em Múltiplos Planos, o baile do Imperial Theatro D. Pedro II em 1879, no Rio de Janeiro. Ganham fama, na década de 1920 e 1930, os bailes do Teatro Municipal do Rio e do Hotel Copacabana Palace, com fulgurantes concursos de fantasia, que consagraram o museólogo Clovis Bornay.
    Malgrado houvesse uma divisão das formas de divertimento conforme a classe social, com os corsos e bailes mais frequentados pelas categorias ricas da sociedade, enquanto nos cordões de rua predominavam as pessoas pobres e a pequena burguesia, o carnaval, como ressalta Roberto DaMatta, era um tempo em que se reduziam as distâncias sociais, a se poder visualizar por trás de um mendigo um nobre; por trás de um príncipe um pobre homem; por trás de uma estrela de cinema uma pobre mulher.
    Como escreveu Jorge Amado, em artigo no livro de fotografias de Claudio Edinger, havia uma intensa participação popular, enquanto mais recentemente a população passou de partícipe a mera testemunha. Os desfiles se tornaram apresentações gigantescas a ser vistas pelo povo, nos sambódromos ou na televisão. A explosão de alegria popular desapareceu, as brincadeiras cessaram para surgir apenas o espetáculo.
    O carnaval significava, também, um momento de expansão da permissividade, em que o rigor das proibições e dos interditos, especialmente no campo sexual, se flexibilizava às vésperas da entrada da Quaresma, época de preparo para a ressurreição do Senhor. A Quaresma, a começar na quarta-feira de cinzas, significava abstinência, penitência e caridade, mês e meio durante o qual se deveria limitar a fruição dos prazeres da carne, seja como alimento seja como atividade sexual.
    O âmbito do proibido se reduzia. O correto a ser seguido pelas pessoas em geral ganhava elasticidade. Sair à rua para jogar água no vizinho, vestir-se o homem de mulher grávida, embebedar-se, saírem as mulheres semidespidas, provocantes nos bailes e nos desfiles, beijarem-se os casais em plena rua, tomar banho de mar ou de chafariz fantasiados eram permissividades acolhidas naturalmente nos dias de carnaval.
    Essa catarse às vésperas da Quaresma formava um contraponto curioso entre a flexibilização do proibido e o rigor das contenções a serem respeitadas no mês e meio que se seguiria à "terça-feira gorda". Esse contraste não deixou de existir com a mudança dos costumes no plano moral, com redução da repressão sexual e a autonomia das mulheres diante do machismo que permitia às mulheres apenas uma sexualidade contida, restrita ao casamento e de forma a não se escandalizar o "anjo da guarda".
    A liberdade de se unirem homem e mulher sem ser pelo casamento, o reconhecimento de dignidade dos divorciados, a queda do tabu da virgindade não desfaziam a importância do pudor, da contenção pública dos comportamentos, da preservação da vida privada, do respeito à própria sexualidade a não ser vivida como libertinagem. O carnaval perdurava a partir dos anos 70 como momento de maior permissividade.
    Mas hoje a exposição pública a que as pessoas se permitem pela internet e pela televisão, de que é exemplo o BBB, e a vivência sem limites da sexualidade retiram do carnaval o caráter de expansão sadia da espontaneidade. Quando tudo é permitido, não há razão para flexibilizar o proibido. Como era bom o carnaval dos corsos, e não do espetáculo. Tinha, de outra parte, sentido dizer: "não se zangue, é carnaval", o que justificava a permissividade ampliada por uns poucos dias.
* Advogado, professor titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, membro da Academia Paulista de Letras, foi ministro da Justiça
De O Estado do S. Paulo

Manchetes dos jornais

O ESTADO DO MARANHÃO - Governo vê situação nas áreas alagadas
O IMPARCIAL:Onze cidades ameaçadas pelas águas

NO PAÍS
CORREIO BRAZILIENSE:Vídeo ameaça mandato da filha de Roriz
FOLHA DE S. PAULO:SP muta um motorista a cada cinco segundos
O ESTADO DE MINAS: A conta chegou, a poupança sumiu
O ESTADO DE S. PAULO:Em vídeo, pivô de escândalo dá dinheiro a filha de Roriz
O GLOBO:'O Pibão foi bom, mas...’
ZERO HORA:Alegria no Porto Seco
DIÁRIO DO PARÁ: PM acusado de fazer sexo em viatura
MEIO-NOITE:Serfaz divulga aumento de 140% nas receitas
O POVO:Reforma do PV vai atrasar.De novo

Carnaval politicamente correto

Nelson Motta
    Como seu próprio nome antecipava, o bloco carnavalesco "Que merda é essa?", usando camisetas com Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, enfrentou protestos irados de militantes que denunciaram o escritor por racismo contra Tia Nastácia e recomendaram ao Ministério da Educação o seu banimento das escolas públicas.
    Com o avanço do politicamente correto, "Índio quer apito" será um dos próximos alvos, pela forma pejorativa de se referir aos nossos silvícolas, os verdadeiros donos da terra brasileira, enganados e explorados pelos brancos.
    Por seu desrespeito à diversidade sexual e sua homofobia latente, Cabeleira do Zezé não deverá mais ser cantada nas ruas e em bailes, por estimular preconceitos contra homossexuais. Nem Maria Sapatão, a correspondente feminina da violência homofóbica contra o Zezé ("Corta o cabelo dele!" ). Além da ofensa ao profeta Maomé, ao compará-lo a um gay cabeludo. Por muito menos Salman Rushdie teve de passar anos escondido da fúria islâmica.
    Precursor do politicamente correto, o fundamentalismo islâmico exigirá a proibição de Alá-Lá-Ô por usar com desrespeito o Nome Supremo em festas devassas e ofender o Islã. Um aiatolá dos Emirados Sáderes pode até emitir uma fatwa condenando os autores da blasfêmia à morte.
    Pelo uso do termo pejorativo e racista "crioulo" não escaparão da condenação nem os ilustres afro-brasileiros Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Anescarzinho e Jair do Cavaquinho, criadores do clássico Quatro Crioulos, em 1965. Além da palavra maldita, a música diz que eles ocupam boquinhas públicas, em plena ditadura:
    "São quatro crioulos inteligentes / rapazes muito decentes / fazendo inveja a muita gente / muito bem empregados numa secretaria ?"
    O Samba do Crioulo Doido, de Sérgio Porto, é pior: por sugerir que a burrice e a ignorância seriam exclusivas dos negros e associá-las ao mundo do samba. Puro preconceito: a estupidez não escolhe cor e também abunda no rock, na política e no esporte. E cada vez mais nos meios acadêmicos racialistas e politicamente corretos.
Bom carnaval multicultural!
Do Estado de S. Paulo