31 de ago de 2011

Dutra: há integrantes dos três Poderes envolvidos com trabalho escravo

O deputado federal Domingos Dura
O presidente da Frente Parlamentar Mista pela Erradicação do Trabalho Escravo, deputado Domingos Dutra (PT-MA), disse nesta terça-feira, durante chat promovido pela Agência Câmara de Notícias, que “há, com certeza, parlamentares federais, estaduais e municipais, integrantes do Poder Executivo das três esferas e até membros do Judiciário envolvidos com o trabalho escravo”.
    Segundo ele, esse é um dos motivos pelos quais ainda não foi aprovada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438/01, que determina o confisco de terras onde for constatada exploração de trabalhadores em condições análogas à de escravidão.
    Questionado se o envolvimento de parlamentares não justificaria a cassação, ele afirmou que sim. “Porém, até o momento, nenhum partido e nenhuma entidade da sociedade civil provocou a Câmara e o Senado a respeito da quebra de decoro, o que é lamentável, já que pessoas físicas e parlamentares individualmente não podem requerer a cassação de colegas”, afirmou.
Boicote
    Dutra classificou de absurdo o caso das lojas Zara, que recentemente foram denunciadas por trabalho escravo. “Essas empresas aumentam seus lucros por meio da forma mais degradante de exploração humana, que é o trabalho escravo. Ainda bem que ela foi flagrada pelo Estado, sendo punida pecuniariamente, porém a melhor punição deve ser da sociedade, rejeitando os seus produtos”, disse.
    O internauta Mineiro citou outras empresas acusadas de utilizar trabalho escravo, como Ecko, Tyrol e Cobra D´Água, e questionou o deputado sobre qual a melhor punição nesses casos.
    O deputado citou também as Casas Pernambucanas e disse que a punição mais efetiva “deverá ser a perda da propriedade e dos bens nelas encontrados, conforme estabelece a PEC 438/01. Por isso, até o momento a proposta está enganchada e não é votada no Plenário da Câmara”.
   A PEC já foi aprovada pelo Senado e pela Câmara, em primeiro turno, mas aguarda a segunda votação em segundo turno na Câmara desde agosto de 2004.
Dilma
    Perguntado sobre o que a frente parlamentar poderia fazer pela aprovação da PEC, Dutra disse que está solicitando audiência à presidente Dilma Rousseff, para pedir que ela oriente a sua base na Câmara a votar a proposta. “Já conversamos com o presidente Marco Maia, e ele garantiu que neste ano pautará a PEC. Estamos mobilizando a sociedade civil para pressionar a Câmara e o governo e vou sugerir à executiva da frente que, se a PEC não entrar na pauta, façamos greve de fome”, acrescentou.
    O internauta Rodrigo questionou o deputado sobre a razão pela qual os governos do PT (Lula e Dilma) não aprovaram essa proposta há muito mais tempo.
    Em resposta, Dutra disse que, “no Governo Lula, a PEC foi aprovada no Senado e teve a primeira votação na Câmara, empacando na segunda votação. As causas são muitas, mas a principal é a composição conservadora do Congresso”.
   O deputado observou que o presidente da República pode muito, mas não pode tudo, em razão da autonomia dos Poderes. “A situação estaria melhor se o eleitor, ao votar em um presidente progressista, escolhesse também um Congresso progressista. Infelizmente, a maioria do Congresso ainda é atrasada e acaba impedindo avanços legislativos e chantageando o Poder Executivo. Dilma está começando, enfrentando dificuldades, como o combate à corrupção. Acho que ela é forte e que vai nos ajudar a aprovar a PEC”, disse.
    A internauta Sarah ainda perguntou sobre as ações do Governo Dilma contra o trabalho escravo. Dutra citou o programa Brasil sem Miséria; a fiscalização das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para evitar abusos; e as ações do Ministério do Trabalho, com os grupos móveis de fiscalização. “Porém, a presidente precisa abraçar, se apaixonar pela PEC 438”, disse.
Agronegócio
    O internauta José Tomaz questionou o deputado sobre a postura da presidente da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), “que insiste em negar a existência da escravidão contemporânea”.
    Dutra afirmou que “a senadora é dinossaura e continua com a mentalidade dos portugueses que importaram negros da África para serem escravos em suas fazendas”, além de ser “cega pelo agronegócio e pelos lucros”.
Da Agência Câmara

Barbara Heliodora viu e comenta peça de Ferreira Gullar

No túnel do tempo

Barbara Heliodora
    Quando se trata de poesia, Ferreira Gullar é sempre representativo do inovador; e fora de seu campo principal, ele foi parceiro na criação de algumas obras dramáticas significativas. Na criação solo de “Um rubi no umbigo”, no entanto, Gullar se mostra superado até mesmo na década de 1970 do século passado, pois essa modestíssima comédia de costumes, cuja frágil trama se desenvolve a partir de uma premissa sem credibilidade, é mais aparentada com a dramaturgia pré-Nelson Rodrigues do que com o que aos poucos vem sendo conquistado desde então. A peça nos fala de uma família em que o pai responsabiliza por sua falência a falecida sogra riquíssima que gastou toda a fortuna em viagens e, ao que parece, sequer deu à filha uma educação decente; tudo dependeria, agora, de se vender o rubi que fora incrustado no umbigo de Vitor, filho do casal, com risco de vida para este último. Nem a incrustação e nem o risco da operação têm qualquer explicação, e a visão da família não vai além de uma vida mansa enquanto durar o dinheiro da venda.
    A montagem é modesta, com uma solução razoável para o cenário de Carlos Alberto Nunes, figurinos muito modestos de Ney Madeira e Dani Vidal e uma estranha luz de Renato Machado, que busca efeitos de luz ampla e concentração em quem fala que pouco ou nada têm a ver com a ingenuidade da dramaturgia. A direção de André Paes Leme insiste em buscar recursos mais novos, que deem ao texto uma vida mais próxima aos dias de hoje, porém estes ficam artificiais e falsos em um texto com trama tão antiquada e precária.
    A direção leva o elenco, na verdade, para o mundo do texto, e a linha de interpretação é a de há algumas décadas. Bruno Quaresma, Felipe Kouri e Lenita Lopes fazem pequenos papéis de apoio com desenho óbvio, Fábio Enriquez e Ícaro Silva fazem o filho e seu amigo de forma bastante superficial, restando a Stela Freitas e principalmente Cláudio Mendes a tarefa de dar vida ao casal falido, que são também os que têm maior coerência em suas ações. O resultado é modesto, deixando a impressão de túnel do tempo, com volta a um teatro de outros tempos. Não é sequer justo com o autor ir buscar essa obra tão fora de nossa época.
De O Globo

Cultura oficial do estado celebra com festa o Bumba-meu-boi que ajuda a deturpar

    Na festa promovida pelo Palácio dos Leões para comemorar o registro do bumba-meu-boi do Maranhão como patrimônio cultural do Brasil nem um só crédito ao trabalho da Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artísticico Nacional, IPHAN. Nem de longe - de Brasília - foi citado o nome da superintendente Kátia Bogea.
    Foram os técnicos do IPHAN no Maranhão, sob coordenação geral da pesquisadora Izaurina Maria de Azevedo que prepararam o dossiê sobre o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi enviado à conselho consultivo. Álbuns de fotografia, CDs (106 ao todo), livros, vídeo, três livros de tese (sendo dois de autores de outros estados), artigos de trabalhos científicos, entrevistas (mais de 200), partituras, tudo fez parte do dossiê recolhido pelo IPHAN. O inventário somou 1.440 páginas.
    Não houve, no entanto, nenhum trabalho ou participação da Secretaria de Estado da Cultura para a formatação do dossiê. O reconhecimento, além da consequente viusibilidade ao folclore maranhenses, implicará em responsabilidades. Competirá à Secma salvaguardar o bumba-meu-boi apontando o que poder ser feito para preservá-lo.
    Essa postura não tem sido a dos governos. Uma declaração de Luiz Phelipe Andrés, conselheiro do Iphan e relator do processo, demonstra a política adotada pelops órgãos de cultura, tanto estadual como municipal: “Em alguns arraiais oficiais, foram construídos palcos que, além de distanciar o público, modificam as práticas de sociabilidade tradicionais do bumba-boi, baseadas na aproximação entre brincante e espectador”. O arraial da Liga, de Ricardo Murad, montado na Lagoa da Jansen, área nobre de São Luís efrequentado pelo cast do governo, é um exemplo maior desta prática. O da Maria Aragão segue o mesmo pensamento rastaquera, com direito a camarote para a cúpula da prefeitura e doses de uísque na bandeja para João Castelo.

Iphan realiza fórum de discussões sobre o Bumba-meu-boi do Maranhão

    O Teatro Alcione Nazaré será palco do fórum Bumba-meu-boi do Maranhão: Patrimônio Cultural do Brasil no dia 2 de setembro, de 8h às 22h. O evento realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão – Iphan-MA é uma oportunidade para discutir aspectos históricos, estéticos e religiosos do Bumba-meu-boi.
    No início do encontro será apresentado o dossiê de Registro do Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão. Durante o dia serão realizadas três mesas redondas com a proposta de discussão sobre as dimensões do Bumba-meu-boi. Ao final da tarde será lançado o vídeo Bumba- boi: festa e devoção no brinquedo do Maranhão. A obra ressalta toda a tradição do Bumba-boi e sua influência e importância para o Maranhão e para o Brasil.
    Outro lançamento é do livro Bumba-meu-boi: som e movimento. Após os debates e os lançamentos, grupos de Bumba-meu-boi de orquestra se apresentarão: a Costa de mão, Zabumba, Baixada e Matraca.
    O Teatro Alcione Nazaré se localiza no Centro de Criatividade Odylo Costa, na Rampa do Comércio, Praia Grande.
Do IPHAN

Manchetes dos jornais

Maranhão
CORREIO DE NOTÍCIAS - Africanos será interditada a partir de hoje para obras do canal
JORNAL PEQUENO - Nova denúncia na Assembleia Legislativa sobre uso ilegal de aeronave pelo governo
O DEBATE - Governo do Maranhão lança programa Viva Nota
O ESTADO DO MARANHÃO - Bumba-meu-boi do Maranhão é patrimônio do Brasil
O IMPARCIAL - Sem terra, quilombolas e índios bloqueiam Incra
Nacional
CORREIO BRASILIENSE:Jaqueline Roriz escapa da cassação
FOLHA DE S. PAULO:Governo reduzirá tributo para elevar produção de álcool
ESTADO DE MINAS:Sem licença para dirigir
O ESTADO DE S. PAULO:Governo paga por projeto fantasma para a Copa
O GLOBO:Dilma pede juros menores; líderes querem "nova CPMF"
VALOR:Dilma define novas prioridades
ZERO HORA:TCE barra reajuste de vereadores na Capital
Regional
DIÁRIO DO PARÁ:Vida de extrativista vale R$ 80 mil
JORNAL DO COMMERCIO:Dilma quer baixar juros
MEIO-NORTE:Depredações continuam e cidade fica sem ônibus
O POVO:Ameaçada de morte, juíza é transferida