8 de mai de 2010

Programa cultural para este sábado

Escórcio tenta inflar candidatura de Roseana em Açailândia com candidata inelegível

O município de Açailândia terá ao menos três candidatos de peso a deputado estadual nas eleições de outubro. Irmão Carlos (PSDB), que tentará a reeleição; Gleide Santos (PMDB), ex-prefeita por nove meses em 2003; e Bebeto Alves (PDT), ora envolvido em uma disputa intestina pelo apoio do prefeito tucano Ildemar Gonçalves (foto).

Dos três, Gleide Santos é a muleta provável de Roseana Sarney no município de Açailândia. Monitorada pelo ex-secretário de Relações Institucionais em Brasília, Chiquinho Escórcio (PMDB), candidato a deputado federal, Gleide tem problemas de inegibilidade. Com contas rejeitadas pela Câmara a ex-prefeita titubeia em entrar na disputa. Ainda mais sem o apoio de líderes que inflaram sua votação na eleição de 2008, como Deusdete Sampaio (PDT).

Ildemar Gonçalves está mesmo inclinado em apoiar um sobrinho, Segiomar dos Santos, na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão. Ressabiado depois do rompimento com o vereador Juscelino Oliveira (PP), Gonçalves pretende contribuir para eleger os seus mesmos.

O prefeito de Açailândia não é um exemplo de aglutinador das forças políticas do município. Pelo contrário. Tucano convicto, deve marchar com o candidato do partido ao governo, provavelmente Jackson Lago. Com avaliação regular no município, Gonçalves deve fazer valer a máxima do vereador caxiense Catulé: "governo é como cobra, pode estar morta, mas mete medo".

Já o palanque de Roseana, com Gleide ou sem Gleide, é puro carvão em Açailândia. No município, um bairro inteiro, o Pequiá de Baixo, se movimenta contra as cinco siderurgias filiadas ao sindicato dirigido por Cláudio Azevedo, um aliado de Roseana Sarney cotado para ocupar a Secretaria de Estado de Agricultura no primeiro momento do governo. Azevedo declinou do convite em prol de seus negócios com a siderurgia que ora expulsa 385 famílias das suas causas por não suportarem mais tamanha poluição.

Com informações do Blog Sem Censura, de Wilton Lima

"Uma mulher" de César Nascimento

PF indicia filho de Sarney por envio de dinheiro ao exterior

LEONARDO SOUZA
ANDREZA MATAISDA SUCURSAL DE BRASÍLIA


A Polícia Federal indiciou ontem o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), acusado de remeter ilegalmente dinheiro para o exterior.

Conforme a Folha revelou em março, as autoridades brasileiras receberam a confirmação do governo da China de que Fernando fez transações milionárias naquele país. Ele não teria declarado o dinheiro à Receita Federal.

O advogado do empresário, Eduardo Ferrão, confirmou que ele prestou depoimento, mas disse que não tinha informações sobre o indiciamento.

O indiciamento, por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, ocorreu por causa de uma remessa de US$ 1 milhão feita por ele para uma agência do HSBC em Qingdao, na China.

O dinheiro saiu de uma conta em nome de uma "offshore" nas Bahamas, conhecido paraíso fiscal do Caribe, movimentada pessoalmente pelo filho do senador. A autorização da transação foi assinada de próprio punho por Fernando.

A pedido do Brasil, o governo chinês confirmou ao Ministério da Justiça não só a autenticidade do documento mas também a existência da conta nas Bahamas e a transferência do dinheiro para Qingdao.

Ainda em março, a Folha revelou também que a Suíça bloqueou uma conta de US$ 13 milhões movimentada por Fernando Sarney. Essa transação e outras operações realizadas pelo empresário continuam a ser investigadas pela PF e podem levá-lo a novos indiciamentos.

Segundo a Folha apurou, além de Fernando, foi indiciado um empresário piauiense que a PF acusa de ter participado do esquema ilegal de envio de dinheiro para fora do país.

Recursos no exterior não informados ao fisco podem ser fruto de sonegação de tributos, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

A operação policial (Boi Barrica, depois foi rebatizada de Faktor) já indiciou Fernando sob acusação de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ele nega as acusações.

A remessa para a China é alvo da Faktor. Em 2009, Fernando negou a movimentação. Laudo enviado pelo governo chinês para o Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça contradiz a versão do empresário.

A partir de autorização assinada por Fernando, autoridades chinesas rastrearam a origem do dinheiro e confirmaram que os recursos foram creditados na conta da Prestige Cycle Parts & Accessories Limited (pelo nome, uma empresa de acessórios de bicicleta), conforme ordem bancária.

Os investigadores brasileiros ainda não sabem qual a finalidade desse depósito. Acordos multilaterais permitem ao governo solicitar bloqueio e a repatriação de recursos enviados ilegalmente para fora do país.

Manchetes dos jornais

ATOS & FATOS –CPI do Senado investigará os pedófilos do Maranhão
O DEBATE – Ministério garante direitos de professores da prefeitura de São Luís
O ESTADO DO MARANHÃO – Roseana encerra itinerância mostrando força no interior
O IMPARCIAL – Flávio ataca: Mudança no PT é golpe

Na Folha de S. Paulo: Senador ignora STF e recontrata mulher de aliado

FILIPE COUTINHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recontratou em abril a mulher do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Raimundo Carreiro, responsável direto pela análise das contas da Casa, um ano e meio depois que ela foi demitida por nepotismo.

Carreiro foi secretário-geral do Senado por 12 anos e indicado para o TCU pelo próprio Sarney. No tribunal, o ministro foi sorteado para ser o relator da prestação de contas do Senado para os anos de 2009 e 2010.

O TCU é um órgão auxiliar do Congresso Nacional e tem como principal responsabilidade analisar os gastos da União.

Na mesma semana em que a mulher do ministro foi recontratada por Sarney, Carreiro pediu o arquivamento de um processo sobre a contratação sem licitação de uma empresa de serviços elétricos no Senado por R$ 485 mil. O voto de Carreiro foi seguido pelo tribunal.

Maria José de Ávila, mulher de Carreiro, era assessora da diretoria-geral do Senado em agosto de 2008, mas teve que deixar o cargo quando foi publicada a súmula do Supremo Tribunal Federal que proibiu nepotismo nos três poderes.

Ele nega qualquer influência na contratação da mulher. Sarney, por meio da assessoria, disse que ela foi contratada por razões técnicas. Maria José, por sua vez, não quis falar.

À época das demissões, o Senado decidiu que o TCU, por ser vinculado ao Legislativo, deveria ser considerado para casos de nepotismo.

Em abril, Maria José voltou ao Senado para assumir outro cargo, com salário de R$ 10 mil. Em geral, as contratações são assinadas pela diretoria-geral, mas, neste caso, foi o próprio Sarney quem assinou o ato.

A mulher do ministro do TCU trabalha hoje na Secretaria do Sistema Integrado de Saúde. Em 2008, também deixaram a Casa dois filhos e uma sobrinha de Carreiro -e outras 82 pessoas demitidas por conta da súmula antinepotismo.

Sarney já foi alvo de denúncias de contratação de familiares no Senado. A Folha mostrou, por exemplo, que Sarney contratou a própria irmã, apesar de sempre ter negado influência nessas nomeações.

Para o presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Mozart Valadares, a recontratação da mulher de Carreiro é uma "incoerência".