30 de ago de 2011

Homenagem ao Bumba-meu-boi do Maranhão- Patrimônio Imaterial do Brasil

O voo do Sarney

De José Ribamar Bessa Freire
    Havia pensado em conversar hoje com os leitores sobre a presepada do presidente do Senado José Sarney, que viajou de férias de São Luís para sua ilha particular, em Curupu, num helicóptero da Polícia Militar do Maranhão, um modelo comprado por R$ 16,5 milhões, com recursos públicos do Ministério da Justiça, destinado ao uso exclusivo da segurança e saúde.
    O voo do Sarney, que deu carona a Henry Dualibe Filho, um empresário de “ficha duvidosa” segundo a Folha de São Paulo, acabou prejudicando o transporte e o socorro a um doente, um pedreiro acidentado que teve de aguardar numa maca, em outro helicóptero, até ser transportado para a ambulância.
   Quando deram um flagra nele, vestido de branco, com uma boina, cercado por funcionários da PM que carregavam suas bagagens e caixas de isopor, Sarney teve o cinismo de declarar que tem direito a transporte de representação em todo o território nacional. Foi apoiado pelo vice-líder da governadora Roseana Sarney, o deputado Magno Bacelar, do Partido Verde, que respondeu agressivamente:
   - Vocês queriam o quê? Que o presidente do Senado fosse andar em jumento? Esse helicóptero, é claro, tem que servir os doentes, mas tem que servir as autoridades, esta é a realidade.
    José Ribamar Sarney é o atraso do atraso do atraso. Só podia usar esse helicóptero, se fosse para ser conduzido à prisão. Enquanto ele exercer qualquer tipo de poder, o Brasil não deixará de ser uma República das Bananas. Decididamente, não se faz mais Ribamar como antigamente. Lula, que em campanha eleitoral havia chamado Sarney de corrupto, vai ficar devendo essa para a História do Brasil: tê-lo ressuscitado.
    Peço desculpas ao leitor, mas prefiro me refugiar na poesia. O Sarney me dá nojo, talvez porque sua existência mostra que nós brasileiros, que convivemos com tanto cinismo, somos uns vermes, por permitirmos que a máquina pública do Estado seja apropriada por coronéis de barranco como Sarney, dono do Maranhão, o estado mais pobre e miserável do Brasil. Que país é esse?
   Retorno a Manuel Morales, o nosso caboco suburucu, para concluir com outro poema dele, intitulado “No busquen una pátria”.
“Não busque uma pátria
Que contenha rosas. Hoje
As rosas não existem mais. Só existe
Uma pátria na palma do peito
E outra no centro do olho.
Continuem buscando rosas. Encontrarão
Um balaço no peito
E outro
No centro do olho”.
* O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO). Escreve no Taqui pra ti.

Quem é  Manuel Morales
Nascido em Iquitos (Peru), em 1943, o poeta Manuel Morales é um ‘charapa’ (nome que no Peru e no Equador se dá a um cágado que vive nos rios, lagos e floresta da Amazônia.), um ‘tracajá’ autêntico, do tipo “caboco suburucu, popa de lancha e bandeira azul”. Ele ganhou vários prêmios de poesia, entre os quais o primeiro lugar nos Juegos Florales Universitários de 1967, organizado pela Universidade Nacional de Educação, conhecida como La Cantuta.
    Nessa época, publicou dois livros: Peicen Bool (1968) e Poemas de entrecasa (1969), editados por La Cantuta. Enquanto viveu no Peru, esse caboco suburucu integrou o Movimento Hora Zero, que congregava os poetas de sua geração. Mas logo depois, nos anos 1970, viajou para o Brasil, vivendo por mais de trinta anos em Porto Alegre (RS), onde morreu no dia 2 de outubro de 2007, aos 64 anos, longe dos amigos peruanos, mas cercado por tocadores de tambor, flauta, violão e cavaquinho.

Enquanto isso, no site do Ministério da Cultura

Greve dos Servidores da Cultura
por Marcelo
Aguardando já estamos a (sic) muito tempo. É hora de greve mesmo.

Helena Leite é barrada no Palácio dos Leões

    A apresentadora de rádio, Helena Leite, foi barrada na porta do Palácio dos Leões na tarde desta terça-feira, 30, quando tentava participar do grupo liderado pela governadora Roseana Sarney (PMDB) que acompanhava a reunião do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, IPHAN, que avalia o registro do complexo cultural do bumba-meu-boi como patrimônio cultural do Brasil.
    Segundo Helena Leite a ordem de barrá-la partiu da chefa do cerimonial do Palácio, Carminha Cabral. O motivo, porém, deve ser intestina. Leite se indispôs com o secretário de Estado da Saúde, Ricardo Murad, mentor da Liga Independente do Bumba-meu-boi.

Este é o resultado da ausência de Reforma Agrária

Roseana manda Bulcão não mexer com Claudio Pinheiro

    O secretário de estado da Cultura, Luiz Henrique Bulcão, se desestabilizou diante do casal amigo, a governadora Roseana Sarney e Jorge Murad.  O pivô da escaramuça foi o cantor Claudio Pinheiro, irmão do cantor Inácio Pinheiro, do Boi Barrica e Bicho Terra.
    Pinheiro vinha respondendo pelos programas Mais Cultura e Cidadania, responsável pelos pontos de cultura, pontos de leituras e outras coisas mais do governo federal junto à Secma. Problemas na área levou o secretário Bulcão a promover um arranjo, transferindo o cantor para a Casa do Maranhão. No lugar deste colocou um homem de sua confiança conhecido como Armando. Ato contínuo, Bulcão esvaziou as gavetas de Claudio Pinheiro, tomando-lhe a van e secretária abruptamente.
     Ao comunicar o troca-troca na secretaria à governadora Roseana Sarney, Bulcão foi surpreendido por a reação corriqueira da filha do Senador. Com direito a muros na mesa, Roseana determinou que Bulcão colocasse de volta Claudio Pinheiro no lugar de origem, fora do palco. Como se diz no mundo musical, o passarinho cantou alto.

Empreendimento imobiliário de empresa do diretor da Antaq elimina ruas no Renascença

    "A dois passos de tudo", o Parque Renascença, empreendimento imobiliário localizado às margens da Avenida Colares Moreira, exemplifica a velha máxima de que as elites se compõem. O grande sucesso do grupo Meta, empresa da arquiteta Maluda Fialho e do diretor da Antaq, Agência Nacional de Transporte Aquaviário, Fernando Fialho, mulher e marido, e da Dibra Participação suprimiu ruas projetadas pela prefeitura de São Luís para construir o empreendimento imobiliário com "melhor infraestrututa da cidade".
    No lugar das ruas o conforto de "uma grande estrutura de lazer" aos proprietários e locatórios dos apartamentos que serão construídos com área entre 65 e 86 metros quadrados a peso de ouro.
    Para adquirir a permissão da prefeitura, elimando as ruas do bairro Renascença, os empresários contaram com a benevolência do secretário municipal de Urbanismo e Habitação,  Domingos Brito. o secretário arquiteto se divide entre as tarefas da prefeitura e seu escritório no Calhau.

Empresa do promoter Piquet vai para no cartório de protesto

   A Piquet Produções, empresa que prepara a Festa do Branco (Lagoa Beats White) para o próximo dia 2 de outubro no Mirante da Lagoa, está relacionada no cartório de protesto de letras e outros títulos da comarca de São Luís. O protesto é por conta de R$ 545,00 em favor da Patroimônio - Assessoria Contábil Ltda, valor irrisório para a empresa criada em 1995 para trabalha com festas temáticas e eventos culturais e de entretenimento.
    Ex-marido de Érika Braga, também empresária da noite de São Luís (2sr Floor), o empresário Nelson Arruda, versão tupiniquim de Piquet, se indispôs com a família Sarney depois de embricar negócios com a ex-primeira dama Alexandra Tavares. Antes foi pupilo de Sarney Filho. No auge de amizade,  a promoter, então esposa do Piquet, participou do Conselho de Administração da Empresa Maranhense de Administração Portuária, EMAP.

No claudiohumberto.com.br

A PRAÇA ERA NOSSA
O ministro Pedro Vais no Vais (Turismo) anulou quatro convênios da turma passada: um para 29 pracinhas no interior por R$ 2,8 milhões. Outro, passarela sobre o rio Tramandaí (RS) por quase R$5 milhões.

Quilombolas interditam o Incra do Maranhão

    Nas primeiras horas desta terça feira (30/08) os acampados no INCRA do Maranhão - sem terra, quilombolas e índios - fecharam os dois portões do órgão, não permitindo a entrada de funcionários. A partir de agora, segundo eles, ninguém entra, nem sai do prédio. A pauta de reivindicações inclui a regularização de terras e a solução dos conflitos causados pela ausência destas mesmas regularizações. Hoje, no Maranhão, mais de 80 pessoas que vivem no campo, estão ameaçadas de morte por conta de conflitos fundiários.
    Três fatos ocorridos nas últimas horas aumentaram ainda mais a indignação destes camponeses que estão acampados no INCRA do Maranhão, desde o dia 25 de agosto. Enquanto eles estão em São Luís protestando, novos casos de violência e ameaças estão ocorrendo, a cada instante, no interior do estado. Os últimos foram nos municípios de Pirapemas (contra quilombolas), em Bom Jardim (contra índios Awá Guajá) e em Ribamar Fiquene (contra sem terra).
    Hoje está previsto uma coletiva dos acampados. No convite encaminhado ontem à imprensa está dito que “o Acampamento Nacional da Via Campesina, instalado em Brasília, chegou ao seu final na última sexta-feira (26 de agosto)”. Porém, no Maranhão, “a sede do INCRA continua ocupada”. Na coletiva, marcada para 9h, os índios, os sem terra e os quilombolas anunciam que vão dizer, em “alto e bom som, os motivos que estão fazendo com que, ao contrário de todo o Brasil, eles continuem acampados por tempo indeterminado”.
Do Vias de Fatos

Manchetes dos jornais

Maranhão
AQUI-MA - Faltou energia, sobrou "cana"
O ESTADO DO MARANHÃO - Roseana inicia inaugurações com a UPA do Parque Vitória
Nacional
CORREIO BRASILIENSE:Fazenda faz pressão para BC baixar juros
FOLHA DE S. PAULO:Dilma quer usar 'extra' de R$ l0 bi para pagar juros
ESTADO DE MINAS:Embriaguez ao volante perigo cada vez mais constante
O ESTADO DE S. PAULO:Dilma quer economizar mais R$ 10 bi
O GLOBO:Estado investiu o mínimo no bonde que matou cinco
VALOR:Empresas já notam sinais de desaceleração
ZERO HORA:Governo poupa R$ 10 bi como vacina anticrise
Regional
DIÁRIO DO PARÁ:Morre 7ª vítima da chacina
JORNAL DO COMMERCIO:Duplicação salva vidas
MEIO-NORTE:Protesto vira vandalismo e depredação
O POVO:Decisão da justiça vira impasse e greve é mantida

Conheça letra de samba-enredo da fase local do concurso da escola de samba Beija-Flor

“São Luís – O Poema Encantado do MARANHÃO”
De: Gigi Moreira, Wilson Bozzzó e Walasse Godinho
MEU BEIJA-FLOR BAILA NO AR
E VAI BUSCAR NO HORIZONTE
O POEMA ENCANTADO TE CONDUZ
RELUZ NO BRILHO DAS ESTRELAS
A TERRA QUE ESBOÇA LUZ

NUM SONHO EQUINOCIAL
TRÊS COROAS COBIÇARAM
SOLO SAGRADO DE RIQUEZA
SÃO LUIS, UPAON-AÇU
DAS TRIBOS DOS HOMENS NUS
ANUÊ BRAVOS GUERREIROS
AUÁS TUPIS, TUPINAMBÁS
ABAETÊ, JAPIAÇU...
DOS RELATOS E PAIXÕES
PRAZERES, ILUSÕES
A SAGA DE UM NOVO MUNDO
O MAR CHOROU A CRUELDADE
DA MORDAÇA À LIBERDADE

SALVE OS NEGROS DA SENZALA
ONDE O CANTO ECOÔ
NOS TERREIROS, MISTICISMO
NO BATUQUE DO TAMBOR
É DANÇA, FESTA É DEVOÇÃO
GUARNICÊ DA TRUPIADA
EM SÃO LUIS DO MARANHÃO
(BUMBA MEU BOI)
“URROU, URROU...
URROU, URROU...
MEU NOVILHO BRASILEIRO
QUE A NATUREZA CRIOU”...

ENTRE NOITES E MISTÉRIOS
SINHÁ ANA SEM CASTELO
PELAS RUAS A VAGAR
ARQUITETURA, HERANÇA COLONIAL
CIDADE DOS AZULEJOS
PATRIMÔNIO MUNDIAL
EM CADA BECO DESSA ILHA DO AMOR
O POETA BEIJA A FLOR
PRA SE ENCANTAR NO CARNAL

VALEI-ME CRUZ DIABO
ULALÁ MEU FOFÃO
TEM SERPENTE ENCANTADA
NA FONTE DO RIBEIRÃO
SÃO LUIS HOJE ENGRANDECE
A BANDEIRA DA NAÇÃO