6 de mar. de 2010

Foto do Dia

Cela do  1º DP de Bacabal interditada pelo juiz Roberto Oliveira de Paula


GOVERNAR É CUIDAR DAS PESSOAS!!!!

Manoel Conceição: sinômino de coragem, luta e coerência


* Sílvio Bembem

     Com esse artigo presto minha homenagem a uma das mais importantes e respeitada liderança da luta camponesa, sindical, ambiental, popular e política do nosso Brasil, fundador do PT, da CUT – Central Única dos Trabalhadores e Presidente de honra do PT/MA.

     Manoel Conceição Santos nasceu em 1935, no distrito de Pirapemas, numa comunidade chamada Pedra Grande, no Maranhão, na época era município de Coroatá. Sua origem é de camponeses e agricultores pobres, sua avó descendente de indígenas, seu pai descendente de africano e a mãe descendente de brancos portugueses, uma mistura de raça. Desde cedo, ele e os irmãos aprenderam a manejar o facão e a enxada na lida diária da agricultura familiar, plantando arroz, feijão, milho, mandioca, frutas, verduras.

     As letras e a escola ficaram para depois, como era comum no meio rural maranhense, onde o analfabetismo campeia até hoje. Foi aprender a ler já adulto, numa carta de ABC e na Bíblia, mesmo sem freqüentar a escola. Manoel Conceição é casado com a assistente social e advogada Maria Denise Barbosa Leal, e vive na cidade de Imperatriz/MA é pai de quatro filhos: Raquel Pinto; Manoel da Conceição Filho; Mariana Conceição; e Rosinha que faleceu com 20 anos vítima de um acidente de trânsito em Recife-PE, onde residia e tinha formação em História. Na cidade de Imperatriz fundou o Centru - Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural entidade que atua na defesa do meio ambiente e tem como objetivo contribuir na formação política, cultural, ideológica e econômica no campo.

     Mané, como é carinhosamente chamado pelos amigos e companheros (as) de luta, nunca deixou de sonhar com um mundo melhor. Com um mundo com democracia e respeito aos direitos humanos como um valor nobre. Sempre buscou entender o porquê da grande ambição do homem em querer tudo só para si. Sempre sonhou com uma sociedade com justiça, liberdade e vida digna para a classe trabalhadora do campo e das cidades. Sempre buscou saber qual a causa do desrespeito ao meio ambiente, com a destruição dos nossos recursos naturais, buscou entender por que a terra não pode ser de quem produz. Questões que sempre preocupam e até hoje move a militância de Mané.

     Defensor da água, da fauna e da flora Mané tem dedicado mais de cinco décadas de sua vida na construção de um mundo aonde o centro seja o respeito à vida de todos os seres vivos do nosso planeta Terra.

     Na luta pela terra ele foi ferido na perna por um tiro de espingarda e depois jurou que a partir daquele dia dedicaria sua vida à luta contra o latifúndio. Na região de Pindaré-Mirim, Manoel Conceição fez curso sobre sindicalismo promovido pelo MEB- Movimento de Educação de Base, ligado à igreja católica. Em 1963, fundou o primeiro Sindicato de Trabalhadores Rurais do Maranhão -STR em Pindaré-Mirim.

     No ano de 1964 com o golpe, os militares assumem o poder do país. Foi o fim da democracia. Os partidos políticos foram dissolvidos. Mandatos de senadores, deputados, governadores e prefeitos foram cassados; sindicatos fechados e líderes sindicais perseguidos, presos e exilados. Estudantes, jornalistas, artistas e intelectuais foram torturados e muitos mortos. O governo cria a figura dos senadores “biônicos”. Neste período Manoel Conceição foi preso cinco vezes, na cadeia de Pindaré até cair no mundo, passando a resistir na clandestinidade. Em 1966, o senador José Sarney fora eleito governador pela UDN, Manoel voltou a Pindaré. Sarney prometia criar leis que acabassem com os conflitos no campo. Em informações levantadas, isso não aconteceu. O que se constatou foi que os animais dos grandes fazendeiros continuavam a invadir e destruir roças e os agricultores que continuavam a revidar, matando as reses.

     Em entrevista com Manoel Conceição ele conta que “no dia 13 de julho de 1968, durante uma reunião na sub-sede do Sindicato, em Anajá, na região do Pindaré-Mirim, policiais chegaram atirando. Fui ferido a bala na perna direita e novamente preso. Depois de seis dias na cadeia, sem tratamento, parte da minha perna gangrenou e teve que ser amputada. Na época, Sarney me ofereceu vantagens materiais para que ficasse calado, mas recusei e respondi ao Governador uma frase que ficou famosa: Minha perna é minha classe”.

     Para reiniciar a caminhada, Manoel contou com apoio dos camponeses e dos companheiros da Ação Popular, que angariaram recursos que garantiu o tratamento da perna e a colocação de uma prótese mecânica, em São Paulo.

     Em 1969 Manoel fez uma viagem à China e lá conheceu Mao Tsé-tung com quem conversou sobre o Brasil. Na China também fez um curso de política.

     Depois que voltou a andar, Manoel retornou a luta em Pindaré, onde os sindicatos estavam fechados, muitas pessoas perseguidas e outras presas pelo Exército. Mesmo assim, ele e os companheiros que resistiram, reorganizaram entidades e criaram várias cooperativas para eliminar os intermediários que ficavam com todo o lucro da produção. A repressão militar aumentou no início da década de 1970 contra os trabalhadores rurais da região de Pindaré.

     No dia 2 de janeiro de 1972 prenderam novamente Manoel Conceição e o levaram para São Luís, onde passou um mês na cadeia, recebeu visitas de padres e foi na época entrevistado por um Jornal. Durante esse período foram muitas prisões e torturas. No dia 11 de setembro de 1975 Manoel foi solto e ficou sob proteção da Anistia Internacional, que providenciou seu exílio em Genebra, na Suíça, para onde partiu em maio de 1976 na companhia da mulher Denise. Durante três anos e sete meses, que foi refugiado político na Suíça deu uma entrevista à jornalista Maria Galano que resultou em um livro “Essa terra é nossa”, traduzido para o francês, no qual relata sua trajetória na luta pela reforma agrária e na resistência à ditadura no Brasil. No exílio conviveu com vários brasileiros entre eles o educador popular Paulo Freire, de quem se tornou amigo, o bispo D. Fragoso em 1977.

     Com anistia em 1979, Manoel e outros exilados políticos retornaram ao país, daí retoma sua participação na reorganização da Ação Popular, ajuda na fundação do PT, em São Paulo, do CENTRU em Recife (PE) e Imperatriz (MA), onde reside até hoje. Também criou a Central de Cooperativas Agro-Extrativistas do Maranhão. É um defensor na Economia Solidária, da organização e do empoderamento da classe trabalhadora.

     No ato de fundação do PT, colégio Sion, em São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980, Manoel Conceição foi um dos seis primeiros signatários do manifesto de criação do PT, juntamente com o escritor e líder socialista Mário Pedrosa, o Historiador Sérgio Buarque de Holanda, a atriz Léila Abramo, o educador Moacir Gadoti (que assinou em nome do Educador Paulo Freire), Apolônio de Carvalho, combatente na Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa e um dos líderes dos movimentos da resistência popular no Brasil.

    De volta ao Maranhão, no final de 1985, Mané tem estado muito vivo nas lutas atuais, com a convicção de quem vai participar ainda em vida da derrocada do modelo oligarca instalado há mais de 40 anos no nosso Estado. Manoel participou do movimento de resistência contra cassação do ex-governador Jackson Lago (PDT) ocorrido em abril do ano de 2009. No mesmo ano Mané foi homenageado no III Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados. Ele recebeu das mãos do ex-governador do Maranhão e amigo, o médico Jackson Lago, uma condecoração que dizia: “Aqueles que lutam toda vida, esses são imprescindíveis”.

     Em 2004, Manoel Conceição Santos fora o vencedor na categoria Liderança Individual do prêmio Chico Mendes na sua 16.ª edição. Em 2008, recebeu a medalha Ordem do Mérito do Trabalho Getúlio Vargas. A premiação é uma forma de reconhecimento ao trabalho e à importância do serviço prestado no controle social das políticas públicas de trabalho, emprego e renda em benefício dos brasileiros.

     No 4.º Congresso Nacional do PT, realizado no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília, no período de 18 a 21 de fevereiro de 2010, acompanhei in loco, o quanto Manoel Conceição é querido e já tem seu nome na História política do país. Na oportunidade, quando acontecia à posse da nova Direção do Partido dos Trabalhadores, o ex-presidente Ricardo Berzoini, quando do seu discurso de despedida, fez um breve resgate da Fundação do PT e depois solicitou que alguns dos principais sujeitos dessa História que se encontrara presente no auditório ficassem de pé e lá estava Manoel Conceição. Mané, você está na galeria de lutadores por um mundo melhor, como: Zumbi dos Palmares, Luiza Mahin, Mahatima Ganghi, Antônio Conselheiro, Negro Cosme, Martin Luther King, Malcon X, Ernesto Guevara, Chico Mendes, Irmã Dorothy, Padre Josimo, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Herbeth de Souza (Betinho), Maria Aragão, Milton Santos, Zilda Arnes, Nelson Mandela, Abdias Nascimento, João Francisco dos Santos, Neiva Moreira, Luiz Inácio Lula da Silva, e tantos outros.

     Como reconhecimento pela sua história de coragem, de luta e coerência, o advogado e dirigente do PT/MA Bira do Pindaré apresentou proposta na primeira reunião do novo Diretório Estadual do partido, realizada no dia 27 de fevereiro de 2010, para que Manoel Conceição fosse escolhido como o presidente de honra do PT/MA, o que fora aprovado por unanimidade pelos 51 membros da direção.

     Manoel Conceição tem sido objeto de filmes, pesquisas acadêmicas, artigos em revistas, jornais e livros. A Professora Doutoranda Helciane de Fátima Abreu Araujo (UEMA), em sua dissertação de mestrado, intitulada “Memória, mediação e campesinato. As representações de uma liderança sobre as lutas camponesas da Pré-Amazônia Maranhense”, faz uma análise das representações dessa liderança sobre a sua história de vida. Recentemente foi lançado outro livro cujo título “Manoel da Conceição – Lutador das liberdades da classe trabalhadora” que serviu de referência bibliográfica para o presente artigo.
    
     Manoel Conceição, você nos orgulha e nos motiva a continuar na luta. É como explicita o livro VALE A PENA SONHAR, do seu amigo de luta Apolônio de Carvalho “Em tempos de globalização, como vivemos, em que os produtos e os capitais estão em toda a parte, desconhecendo fronteiras, há os que lutam para que os ideais de justiça e igualdade também se globalizem”. Manoel Conceição é um desses.

     Atualmente Manoel Conceição, com 74 anos de idade e com a saúde debilitada, aguarda resultado do processo que move contra União, desde o dia 22 de fevereiro de 2007, em função das várias torturas que fora vítima pelo Estado totalitário e repressor do Governo militar.

*Administrador, com Especialização em Sociologia das Interpretações do Maranhão (UEMA), Foi Secretário-Adjunto de Estado da Igualdade Racial do Governo Jackson Lago, é Bolsista do Programa Internacional de Pós-Graduação da Fundação Ford. E dirigente do PT/MA. E-mail: silviobembempt@uol.com.br

Manchetes dos jornais

AQUI-MA – 5 mortos

ATOS & FATOS – Pedófilo sai da CPI da AL direto para a prisão

DIÁRIO DA MANHÃ –Acidente com ônibus maa cinco pessoas em Caxias

JORNAL A TARDE – Governadora Roseana entrega 176 títulos de propriedade em Pedreiras

JORNAL PEQUENO – Candidatos a deputado e senador não poderão participar de inaugurações

O ESTADO DO MARANHÃO – Acidente mata cinco em Caxias

O IMPARCIAL – Juiz fecha 4 delegacias e deixa presos em camburão

TRIBUNA DO NORDESTE -Juiz fecha delegacias de 4 municípios do Estado

5 de mar. de 2010

Encontro do PT que vai decidir aliança poderá ser adiado pelo grupo pró-Roseana


Em encontro realizado ontem em Brasília, a comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou resolução para tentar enquadrar as seções estaduais do partido que estão rachadas na escolha do candidato ao governo ou ao senado. A ideia da Executiva e do presidente José Eduardo Dutra é impedir a realização de prévias, mesmo que para isso os encontros estaduais tenham que ser adiado.

     No Maranhão o grupo do deputado federal Washington Oliveira, que controla o Diretório Estadual do PT hoje dirigido pelo ex-superintendente do Incra, Raimundo Monteiro, deve adotar a estratégia do adiamento. O grupo liderado por eles empurra o partido para uma aliança com o PMDB da governadora Roseana Sarney, entre eles o secretário de Estado de Trabalho e Economia Solidária, José Antonio Heluy, filho da deputada estadual petista Helena Barros Heluy.

     Washington Oliveira e Raimundo Monteiro detêm ao menos 80 votos. O número é insuficiente para impor a tese de repetir a aliança nacional no Estado do Maranhão. Concorre em ínfima desvantagem com o grupo do deputado federal Domingos Dutra, adversário histórico do grupo Sarney, que tem 81 votos.

     A hegemonia da tese de aliança com o PMDB, rejeição ou uma terceira proposta, de aliança com o PCdoB do deputado federal Flávio Dino, depende tão somente então dos votos comandados pelo sindicalista Rodrigo Comerciário. São 14 votos que devem decidir a parada.

     Comerciário foi vice de Flávio Dino na eleição para prefeito de São Luís em 2008. Quase ganha o mandato na disputa com a chapa do tucano João Castelo, hoje prefeito de São Luís. Pelos cantos, Comerciário revira o baú de mágoas do companheiro comunista. Nesse espalha brasa o comentário mais comum é que na reta final da campanha, o camarada Dino não fornecia nem mesmo a agenda ao candidato a vice.

     O encontro petista no Maranhão está previsto para acontecer nos dias 26 e 27 de março. A data acertada durante encontro tumultuado dos companheiros não é tão aprovada pelo grupo de Washington Oliveira, que aposta em ganhar tempo para conquistar maioria.

Manchetes dos jornais

AQUI-MA – Ladrões azarados

ATOS & FATOS - Governo convoca 5.320 professores aprovados em concurso

CORREIO DE NOTÍCIAS - Câmara abre processo de "impeachment" de Arruda

GAZETA DA ILHA – Mais um tenta matar ex-mulher em SL

JORNAL A TARDE – Governo convoca 5.320 professores aprovados em concurso público

JORNAL EXTRA – Salve-se quem puder! Sarney volta sentar na cadeira de presidente

JORNAL PEQUENO – Líder do governo nega intenção de Lula em se licenciar do cargo

O ESTADO DO MARANHÃO – Governo anuncia a contratação de 5.320 professores

O IMPARCIAL – Lei impede a volta do nota na mão

O QUARTO PODER – Menor de 13 anos estupra prima de 7

4 de mar. de 2010

Vale a pena ver de novo.



VIVA EDUCAÇÃO!!!!!!

Eros Grau conta com apoio de Sarney para fazer parte da ABL

      O ministro Eros Grau , do  Supremo Tribunal Federal Eleitoral e que relatou o processo de cassação do governador Jackson Lago (PDT) no Tribunal Superior Eleitoral está entre os candidatos à vaga aberta na Academia Brasileira de Letras com a morte do bibliófilo José Midlin.

     Se eleito vai confirmar as especulações que circularam à época da cassação, sobre o empenho do senador José Sarney, também imortal da ABL, na eleição do ministro como acadêmico. Ex-professor da Universidade de São Paulo, USP, Eros Grau (na foto cumprimento o senador José Sarney) também foi professor visitante da Universidade de Paris.

     Grau também ficou responsável pelo julgamento do agravo de instrumento 10625, que acusa Roseana de abuso de poder econômico e de ter pago as despesas eleitorais da coligação União Democrática Independente, formada pelo PSL e PTC.

      Nomeado para o Supremo Tribunal Federal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o considerado ministro de esquerda é autor de vários livros jurídicos. Mas é o erotismo a principal inspiração do membro da União Brasileira de Escritores. Ele é autor de "Triângulo no ponto” (Editora Nova Fronteira - leia trechos abaixo). Gaúcho de Santa Grau deve se aposentar do STF em agosto deste ano.

Trechos de Triângulo no ponto"

· “[Vânia] tinha uma válvula de sucção no lugar do sexo e soltava sonoras flatulências vaginais pós-coito”.

· “[Dóris] adorava contar-me suas façanhas sexuais, penso que quase todas elas reais. De quando em quando se queixava do marido por obrigá-la a fazer aquilo. Deitava-se de bruços, erguia as ancas e, mostrando-me como, seguíamos por ali”.

· "Abre a geladeira para servir-lhe um copo de água e faz um comentário ousado a respeito de um pedaço de manteiga, que toma em uma das mãos, e do filme de Marlon Brando e Maria Schneider; Beth transpira. É tomada de excitação, mamilos intumescidos; a boca entreaberta”.

· "Os dois entraram na casa para buscar alguma coisa. Xavier abraçou-a, juntou seu corpo ao dela e ela sentiu o pênis teso. Tirou para fora e pediu-lhe que pegasse. Foram não mais do que dois ou três segundos, agarrou e largou, como se tocasse um ferro em brasa -era, de fato, um ferro em brasa. Uma amiga, ao voltar da lua-de-mel, contou-lhe que, quando entrava, era como se aquela coisa viesse, por dentro, até a garganta".

· "Contou que ao entrar na sauna, no dia anterior, ela lá estava, nua, como se o esperasse. ´Uma putinha´, afirmou outra vez, ´uma putinha com peitinhos de perdiz´.”
 
Outras obras de Grau

Planejamento econômico e regra jurídica, 1978;

Elementos de Direito Econômico, 1981;

Direito urbano, 1983;

A Constituinte e a Constituição que teremos, 1985;

Direito, conceitos e normas Jurídicas, 1988;

Licitação e contrato administrativo, 1995;

La doppia destrutturazione del diritto, Milano, 1996; (em italiano)

La doble desetruturación y la interpretación del derecho, Barcelona, 1998; (em espanhol)

O direito posto e o direito pressuposto, 2005;

O Estado, a Empresa e o Contrato (em co-autoria com Paula Forgioni), 2005;

A ordem econômica na Constituição de 1988, 2006;

Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito, 2006.

Do ofício de orador, Editora Revan, Rio de Janeiro, 2006, 2ª edição

Triângulo no Ponto, Nova Fronteira, 2007;

Interpretación y aplicación del derecho, Madrid, 2007. (em espanhol)

Começa briga pelo fardão de José Mindlin na Academia Brasileira de Letras

     Oficialmente, só no fim da tarde desta quinta-feira o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Marcus Vilaça, vai declarar vaga a cadeira 29, até o último domingo ocupada pelo bibliófilo e empresário José Mindlin. A partir daí se abrirão as portas para os eventuais candidatos começarem a correr atrás dos votos que lhes garantam um posto na imortalidade da casa. Apenas oficialmente também, porque nos últimos dias o clima de campanha rondou os corredores da ABL e atingiu os telefones dos imortais-eleitores. Pelo menos um candidato não esperou sequer 24 horas para começar a trabalhar na substituição de Mindlin. O iG ouviu acadêmicos e observadores externos acostumados à política da Academia. Sob condição do anonimato, eles contaram os bastidores do processo em busca de uma vaga na imortalidade.

     Os dias de luto pela morte do bibliófilo se encerrarão com a chamada “sessão da saudade”, que ocorre tradicionalmente no Salão Nobre do imponente Petit Trianon, no centro do Rio, na primeira-quinta-feira após a morte de um membro da ABL. A sessão serve para homenagear o falecido e declarar aberta a vaga que este ocupava.

    "Os últimos dias foram de articulações prévias e projeções, mas depois da sessão devem surgir muitos candidatos”, prevê um observador. Ele conta: “A morte de Mindlin foi anunciada às 15h de sábado e, às 9h da manhã de domingo, um candidato já ligava, em tom impertinente, para acadêmicos, dizendo contabilizar 11 votos”.

     Com articulações, sugestões e gestos típicos de uma verdadeira disputa eleitoral, a sucessão da vaga de Mindlin exibe uma eclética lista de pré-candidatos. Desde domingo, fala-se em nomes como o escritor Ziraldo, o cantor e compositor Martinho da Vila, o ministro do Supremo Tribunal Federal Eros Grau, o diplomata, ensaísta e tradutor Geraldo Holanda Cavalcanti e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Candidatos – e perdedores – em outras disputas como Antônio Torres e Fernando Morais também são lembrados.

     Também apareceram referências a acadêmicos em potencial, como o escritor e apresentador Jô Soares. O humorista chegou a ser cogitado algumas vezes. Em 2001, desistiu diante da unanimidade em que se transformou o nome de Zélia Gattai para ocupar a cadeira deixada pelo marido Jorge Amado. Em 2005, seu livro "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras", onde pôs um serial killer no encalço de seletos membros da ABL, foi interpretado como uma pré-candidatura, fato que negou.

Pré-campanha delicada

     Pelo menos até aqui, candidatos e acadêmicos evitam falar em público sobre o assunto. Por enquanto, porém, a pré-campanha incluiu telefonemas para acadêmicos ou o que, na cosmologia da casa, é chamado de “telegrama de intenções”. Esse gesto é visto com certa normalidade: trata-se da expressão de lamento pela morte do acadêmico (no caso, José Mindlin) e da manifestação do desejo de que o destinatário (e eleitor) possa examinar a candidatura futura.

    Entre telefonemas e telegramas, Marco Lucchesi, Muniz Sodré e Geraldo Holanda Cavalcanti se mexeram aqui e ali. Ziraldo, Eros Grau e Martinho da Vila têm se aproximado há algum tempo. Salvo pelo menos uma exceção, segundo apurou o iG, a estratégia se deu nem de maneira muito intensa para não parecer deselegante com a memória de Mindlin, nem discreta demais que sugerisse pouca disposição na candidatura. “Nenhum pleito pode ocorrer antes da sessão da saudade, sob pena de soar uma indelicadeza”, recomenda um acadêmico, que prefere não se identificar.

     Trata-se de um ritual delicado, pois envolve uma linha tênue que separa a vontade legítima do gesto ostensivo. “Este é o momento do pudor de cortesia”, resume outro acadêmico. Este, como outros integrantes da ABL e observadores externos com trânsito entre acadêmicos, lembram que qualquer contabilização de nomes e votos, neste momento, tem um quê de ilusório. Pode significar apenas o embarque na sedução de porta-estandartes de candidaturas – a disputa mesmo começará nesta quinta-feira, com prazo para durar cerca de dois meses. É o tempo de campanha para a sucessão de um imortal.

Extravagâncias

     Com a campanha deflagrada a partir desta semana, gestos mais “extravagantes” – expressão de uma fonte – começarão a se tornar mais comuns na relação entre candidatos e eleitores na academia. Para sonhar em ser um imortal da ABL, basta ter escrito um livro e ser brasileiro nato – a regra fechou as portas da academia para a escritora (ucraniana) Clarice Lispector, por exemplo.

     Mas sair vitorioso de uma disputa assim pode significar bem mais do que simpatia, convencimento, prestígio intelectual e livros publicados. Um acadêmico conta que um empresário, com ramificação na publicidade, chegou a oferecer viagens a Paris para “convencer” possíveis eleitores – com direito a passagens e hospedagem em hotel cinco estrelas.

     Frequentar os eventos organizados na casa é outra estratégia comum para ganhar a simpatia dos imortais. Na sexta-feira, por exemplo, Ziraldo almoçou na ABL com o presidente Marcos Vilaça e outros acadêmicos, como Tarcísio Padilha e Domício Proença. O ministro do Supremo Eros Grau passou a não recusar nenhum convite a conferências e almoços da academia. Martinho da Vila, o compositor da Vila Isabel, se aproximou dos acadêmicos por causa do “Ano Noel Rosa”. E por aí vai.

     “É um rito de passagem natural. O candidato precisa se aproximar, ouvir e ser ouvido”, diz um acadêmico. “É preciso ter convívio na casa”, reforça outro. Organização de jantares, presentes e convites para noitadas na própria casa completam o arsenal de sedução de um candidato em potencial. “Um dos atuais candidatos frequenta até chá de bebê do porteiro da Academia”, ironiza um observador. Tudo isso é importante, mas pouco vale se o candidato não tiver cabos eleitorais com musculatura para carregar mais votos.

“Milho bom”

     Pelo menos um caso mais ruidoso sobre os motivos mais heterodoxos de escolha de um candidato à ABL se tornou público no Brasil. Em O Mago, biografia de Paulo Coelho escrita pelo jornalista Fernando Morais, informa-se que alguns dos correligionários do escritor teriam começado a pedir votos, alegando que “o milho é bom”.
     O livro explica que, no jargão da ABL, “milho bom” é uma metáfora para candidatos que podem trazer benefícios materiais para a instituição: “O que amolecia até os mais empedernidos corações era o fato de o milionário Paulo Coelho não ter filhos, circunstância que alimentava esperanças de que, ao morrer, elegesse a Academia como um dos seus herdeiros”.

Do Portal IG