5 de dez de 2010

Sob Lobão, ANP beneficiou suspeito ligado a Lobinho

Lobão
    Prestes a ser reconduzido por Dilma Rousseff ao Ministério de Minas e Energia, Edison Lobão vê surgir uma pedra no seu caminho.
A pedra atende pelo nome de Ricardo Magro. Empresário do ramo de combustíveis, opera no Rio. Encontra-se sob investigação.
    Suspeito de chefiar uma quadrilha de sonegadores de tributos, Magro tem os negócios esquadrinhados em inquérito da polícia civil carioca.
    Deve-se aos repórteres Chico Otavio e Maiá Menezes a notícia que interpõem o suspeito de sonegação no caminho do quase ministro.
Eis o resumo da encrenca:
1. O suspeito Ricardo Magro é protagonista de uma operação policial chamada Alquila. Apuram-se fraudes tributárias praticadas contra a Fazenda do Rio.
2. Os malfeitos envolvem sonegação de ICMS de distribuidoras de combustíveis. Pela conta da polícia, a burla resulta em prejuízo anual de R$ 162 milhões ao Estado.
3. No curso das investigações, a polícia civil recorreu às escutas telefônicas. Uma delas revela que o suspeito Magro reuniu-se com um filho de Lobão.
4. Chama-se Edison Lobão Filho. Lobinho, como é chamado, recebeu Magro em setembro do ano passado.
Edison Lobão Filho, o Edinho
5. Nessa época, Lobinho ocupava, na condição de suplente, a cadeira de senador do pai. Lobão respondia pelo Ministério de Minas e Energia.
6. O encontro de Lobinho com Magro foi agendado, indicam os grampos, por Cesar Ramos Filho.
7. Amigo de Magro, Cesar Filho era, à época, superintendente de Abastecimento da ANP (Agência Nacional de Petróleo). Continua na agência, agora como assessor.
8. A ANP pende do organograma do ministério que era chefiado por Lobão e para o qual Dilma cogita renomeá-lo.
9. Depois de encontrar-se com Lobinho, o investigado Magro tornou-se beneficiário de decisões tomadas por dirigentes da ANP nomeados por Lobão.
10. As decisões favoreceram empresas do grupo de Ricardo Magro. Todas elas envolvidas no inquérito de sonegação conduzido pela polícia civil carioca.
11. Numa das decisões, de fevereiro de 2010, a ANP autorizou a Distribuidora Manguinhos, de Magro, a adquirir da Petrobras uma cota extra de gasolina.
12. Coisa de 2,7 mil metros cúbicos de gasolina tipo A. Um extra que teria contrariado normas internas da ANP.
13. A autorização traz a assinatura de Dirceu Amorelli, superintendente de Abastecimento da ANP. Assina também um diretor da agência, Allan Kardec.
14. Em fevereiro, época da expedição do documento, Lobão ainda se encontrava no ministério. Deixou a pasta em fins de março, para disputar a reeleição ao Senado.
15. Responsável pelo inquérito que tem em Magro o principal suspeito, a juíza Maria Elisa Lubanco, da 20ª Vara Criminal do Rio, viu-se forçada a enviar os autos ao STF.
16. Tomou a decisão porque passaram a freqüentar as folhas do processo personagens que dispõe da chamada prerrogativa de foro.
17. Menciona-se no processo a presença de um “deputado federal”, um “senador da República”, um “ministro de Estado e seu filho”.
18. O caso corre no Supremo sob o selo do “segredo de Justiça”. As novidades vem à tona um dia depois de Dilma quase ter reconduzido Lobão à Esplanada.
19. Reeleito senador pelo eleitorado do Maranhão, Lobão esteve com Dilma na quinta (2). Encontraram-se na Granja do Torto.
20. Na conversa, Dilma convidou Lobão a retornar à pasta de Minas e Energia. Vai ao posto como apadrinhado de José Sarney, na cota do PMDB do Senado.
21. A formalização do nome de Lobão deveria ter ocorrido na sexta (3). Só não ocorreu porque o PMDB não deixou.
22. O partido do vice-presidente eleito Michel Temer obteve de Dilma a oferta de ocupar quatro pastas. Reivindica uma quinta cadeira. Daí o adiamento de Lobão.
23. Beneficiária de uma protelação que não desejava, Dilma talvez devesse encomendar uma pesquisa sobre o inquérito da Polícia Civil do Rio.
24. Não haverá de enfrentar obstáculos, já que a polícia segue a voz de comando do governador aliado Sérgio Cabral (PMDB).
Do Josias de Souza- Nos Bastidores do Poder

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