24 de dez de 2010

Verba indenizatória da Câmara tem mil e uma utilidades

Regina Alvarez e Catarina Alencastro
    Escolhidos para o Ministério de Dilma Rousseff, os deputados federais Mario Negromonte (PP-BA), Pedro Novais (PMDB-MA), Maria do Rosário (PT-RS) e Iriny Lopes (PT-ES) têm em comum mais do que o mandato parlamentar. Todos utilizaram a verba indenizatória da Câmara dos Deputados, ao longo de 2010, para pagar pelos serviços de empresas que também trabalharam nas suas campanhas pela reeleição.
    A deputada Iriny Lopes, futura ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, usou os serviços da gráfica Quatro Irmãos em sua campanha, para impressão de material de divulgação. Segundo a prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empresa recebeu, em outubro, R$ 25 mil por esses serviços. Só que, ao longo do ano, a mesma gráfica recebeu R$ 80 mil da verba indenizatória da deputada, por serviços de divulgação da atividade parlamentar.
    Já a empresa Logic Processamento de Dados recebeu, em julho, R$ 5.970 para pré-instalação física do comitê de campanha de Iriny, segundo a prestação de contas apresentada ao TSE. Ao longo de 2010, a mesma empresa recebeu R$ 13.392 da verba indenizatória da Câmara, por supostamente ter prestado serviços de manutenção no gabinete da parlamentar. Procurada pelo GLOBO, a deputada não retornou as ligações.
    A deputada Maria do Rosário, que ocupará a Secretaria Especial de Direitos Humanos, usou na campanha os serviços da gráfica V&C, que, durante o ano, recebeu da Câmara, como parte da verba indenizatória, R$ 68.411 para divulgação da atividade parlamentar.
    Pelos serviços prestados à campanha da deputada, a gráfica recebeu R$ 241 mil, segundo os documentos enviados à Justiça eleitoral. Maria do Rosário também não respondeu às ligações dos repórteres.
Escolhido para o Ministério das Cidades, o deputado Mário Negromonte utilizou fartamente os serviços da empresa de táxi aéreo Aero Star em 2010, pagando os deslocamentos com a verba indenizatória da Câmara.
    Pelos documentos, ele pagou um total de R$ 151.200 até novembro. A mesma empresa também aparece na prestação de contas do parlamentar ao TSE como prestadora dos mesmos serviços, pelos quais recebeu R$ 64.500 entre agosto e setembro.
    Por meio de sua assessoria, Negromonte disse que não vê irregularidades no fato de a mesma empresa receber recursos da Câmara e de sua campanha.
— Os serviços foram prestados e as contas foram aprovadas pelo TSE e pela Câmara, dentro da legislação em vigor — afirmou.
    Já o deputado Pedro Novais, futuro ministro do Turismo — que ganhou destaque esta semana por ter incluído na prestação de contas da Câmara despesas em um motel em São Luís do Maranhão — contratou a empresa Dalcar Service durante sua campanha à reeleição por R$ 17 mil. Com a verba indenizatória, pagou à mesma empresa R$ 64.800 durante o ano de 2010.
De O Globo

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