25 de jan de 2011

Um cavalo com a "cara do nordeste"

"Baixadeiros" nos campos da Baixada Maranhense
    O nome "Baixadeiro" vem da baixada, Baixada Maranhense, região de origem da raça, que abriga cerca de 21 municípios. O material genético é herdado de cavalos que vieram de Portugal e Espanha em séculos passados.
    Assim como outras raças brasileiras, o Baixadeiro formou-se através de séculos de seleção natural sob regiões ecológicas diversas. É o caso também de Cavalo Pantaneiro, originário do Pantanal do Mato Grosso e do Cavalo Marajá, originário da Ilha de Marajó, PA.
    Segundo o veterinário Osvaldo Serra, autor de uma dissertação de mestrado sobre o cavalo Baixadeiro, para conseguir sobreviver esses animais precisam se adaptar."Foram anos e anos de seleção natural.Foram selecionados aqueles animais resistentes ao ecossistema encontrado, como já dizia o cientista Charles Darwin. Os que não resistiram acabaram perecendo. Então, por isso, hoje temos essa raça adaptada", comenta.
    Outra adatalção muito importante foi a do casco. No caso do Baixadeiro, essa parte do corpo é muito forte. Então, pode estar no alagado ou no torrão, na época seca, ele se adapta bem, às duas condições. Nesse ambiente, um cavalo de raça comercial, por exemplo, em  pouco tempo sofreria de podridão do casco por excesso de unidade.
Manejo
    O trato dos animais foi sendo passado de pai para filho. Orientação veterinária pelas propriedades rurais da região é coisa rara.  A lida com esses cavalos fica por conta dos tratadores. De acordo com o Pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Arthur Mariante, o que mais impressiona na raça realmente é o manejo. "O Baixadeiro, na sua região de origem, só recebe tratamento de quatro a cinco vezes ao ano, quando animais de vários donos são agrupados para um trato coletivo. É uma verdadeira reunião entre criadores. O manejo é rústico. Os peões cortam a crina no facão, pois há tratadores que acreditam que a crina enfraquece o animal. Enquanto uns cuidam da crina, outros tratam o carrapato com óleo queimado e creolina. Eles acreditam que o Baixadeiro tem uma tolerância maior a parasitas e realmente estão certos, pois raças comerciais sucumbiram mais rapidamente diante das infestações", afirma.
Estudos
    A Universidade Estadual do Maranhão, UEMA, está realizando diversos estudos sobre como se alimenta, vive, reproduz, entre outras características. Segundo o professor Afrânio Gazolla, a universidade estuda a raça desde 2002. "Há quase uma década nos interessamos em descobrir as peculariedades do Baixadeiro. Podemos dizer que esta é uma raça que tem a cara do Nordeste. Agora, em 2011, estamos enviando um projeto aos orgãos públicos para que, já no próximo ano, comecemos a fazer uma espécie de censo sobre esse cavalo", ressalta.
Do jornal Agrovalor

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