29 de abr de 2011

Para além da carruagem

Eliane Cantanhêde
Estima-se que 2 bilhões de pessoas de várias línguas, idades, raças e religiões acompanharão hoje pelas televisões do mundo todo, como crianças ou jovens sonhadores, o que promete ser ‘o casamento’ deste século, entre o príncipe William e a linda e sofisticada plebeia Kate Middleton.
    Isso remete a contos de fada, histórias da carochinha, reis, rainhas, príncipes, princesas, vestidos maravilhosos, palácios, carruagens românticas, soldadinhos de chumbo e o raras vezes cumprido ‘felizes para sempre’.
No mundo real, o que há é um reino obsoleto e incompreensível, que mantém até hoje 15 outros Estados independentes, como os democráticos e contemporâneos Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
    Assim como a China vive numa esdrúxula combinação da velha política com a nova economia, o Reino Unido desafia o mundo com sua sólida democracia e uma monarquia extemporânea. Reis e súditos _com os súditos pagando, evidentemente, enquanto bisbilhotam a intimidade da família real e dos que orbitam em torno dela.
    Dizem que o casamento dos pais de William, Charles e Diana, ‘foi o maior do século’. Mas foi, igualmente, um vexame e uma tragédia para ficção nenhuma botar defeito.
    A ascensão de Diana começou na carruagem real com seu magistral vestido de noiva. A queda foi imortalizada pelas ferragens do carro que a matou com o namorado.
    Para além da fantasia, entre quatro paredes, a escolhida de Charles desde os anos 1970 foi outra: Camilla Parker-Bowles, feia, sem charme, sem graça, sem carisma e, ainda por cima, mais velha do que ele.
    Mas foi ela que Charles amou, atravessando quatro décadas, dois casamentos (o dele e o dela), as aparências e o encantamento internacional pela imagem doce, bela e jovem de Diana, ‘a vítima’.
    Na minha modestíssima opinião, esta, sim, é a grande história de amor do século passado.
Da Folha de S. Paulo

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