17 de mai de 2011

Centro de Teresina é palco do primeiro casamento gay em praça pública

Anísia Teixeira e Lígia Helena
    Com a presença de cerca de 300 pessoas na Praça João Luiz Ferreira, no centro de Teresina, foi celebrada a união estável da técnica administrativa da secretaria estadual de Administração Anísia Teixeira Sousa, de 36 anos, com a empresária Lígia Helena Pereira, de 33 anos; a funcionária do Tribunal de Justiça do Piauí Marinalva Santana, de 40 anos, com funcionária Lúcia Quitéria da Silva Costa, de 44 anos.
    Marinalva Santana e Lúcia Quitéria já tinham um contrato social de união estável, assinado cinco anos antes da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) no Cartório de Notas Themístocles Sampaio, de Teresina, que desde 2006 aceitava registrar os contratos porque considerar que qualquer contrato pode ser registrado em cartório.
    “Existe um protocolo da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Piauí de 2008 autorizando os contratos sociais de união estável para fins de direito de recebimento de aposentadoria e pensões, mas já fazíamos os contratos desde 2006 baseada em uma lei de 1973, que prevê o registro de qualquer contrato, mas agora com a decisão do STF, casais homoefetivos têm os mesmos direitos dos casais heterossexuais como à herança, partilha de bens, aposentadorias privadas ou públicos e até a adoções”, falou a tabeliã do Cartório de Notas Themístocles Sampaio, Fernanda Sampaio, que foi para praça celebrar as uniões estáveis.
    Após as assinaturas, os dois casais se beijaram e Lígia Helena e Lúcia Quitéria jogaram os seus buquês, que foram, disputados por mulheres e jovens gays, que estavam na praça.
Anísia Teixeira disse que é um ato de combate a homofobia e de conscientização dos direitos do GLBTT (Gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros) e em comemoração à decisão do Superior Tribunal Federal (STF) de permitir a união, no início do mês.
    Ela falou que conheceu Lígia Helena há dez anos e moram juntas há seis meses.
    “Sei que esse ato vai ficar na história. Estou dando minha cara à tapa, mas é uma forma também de combater o preconceito. Porque o preconceito contra pessoas que amam outras do mesmo sexo dói na alma. A gente se olhava e achava que era diferente dos outros, agora com a decisão do Supremo Tribunal Federal todos sabem que somos iguais e temos o direito de amar”, afirmou Anísia Teixeira.
    Muitas pessoas dos bairros da periferia de Teresina foram acompanhar os casamentos em praça pública. As donas de casa Maria Dalva Carvalho, de 63 anos, e Francisca Alves de Sousa, de 62 anos, saíram da Vila Irmã Dulce, na periferia de Teresina, para acompanhar os “casamentos” gays.
    “Eu aprendi e sabia que os casamentos eram entre homens e mulheres e que mulher casa com homem, mas agora tido, mas estou bestificada”, falou Maria Dalva. “Eu não concordo, mas vim ver que era verdade que mulher iria casar com mulher”, declarou Francisca Alves.
    A mãe de Anísia Teixeira, a aposentada Margarida Teixeira, de 67 anos, participou da cerimônia de união estável da filha e disse que prestou todo o seu apoio.
“Toda mãe sonha que sua filha se forme e case. Ela está casada agora, mesmo que seja em um casamento diferente, e estou feliz. Eu aceito e respeito a minha filha como é e a gente tem que aceitar a diversidade da vida”, falou Margarida Teixeira.
Marinalva Santana e Lúcia Quitéria
    No momento da união, a empresária Lígia Helena ficou nervosa e foi obrigada a tomar comprimidos para pressão arterial baixa. “ Estou muito emocionada e é maravilhoso ter uma união celebrada em uma praça como uma forma de lutar contra o preconceito”.
    Anisia Teixeira também chorou na cerimônia, que contou com apresentação de um grupo de dança negro e da drag queen Linda França, de 22 anos, que dançou música eletrônica e chamou atenção por ter 2m2 de altura.
    Durante a cerimônia foram distribuídas flores para as pessoas que passam na praça.
A coordenadora do grupo Matizes, Carmen Lúcia Ribeiro, disse que já foram feitas de 2006 até agora dez contratos de união estável entre pessoas do mesmo sexo em Teresina.
    Ela disse que o casamento em praça pública está sendo feito para marcar o Dia Mundial de Combate à Homofobia, que será comemorado nesta terça-feira e para comemorar a decisão do STF ( Supremo Tribunal Federal), que aprovou a união estável homoafetiva.
Marinalva Santana disse que desde a decisão do STF já foram realizados quatro casamento gays em Teresina.
    O Grupo Matizes promoveu cerimônias para assinar dez contratos de união estável em Teresina desde 2006.
Do Meio-Norte

1 comentários:

Anônimo disse...

ahazaram!

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