3 de set de 2011

Maranhão sem miséria: Pobres são os outros


“Não somos pobres coisa nenhuma! Temos um povo rico e trabalhador. Esse é o nosso discurso.”
Governadora Roseana Sarney (PMDB)
     Francisca (nome real, na foto com os filhos) não sabe dizer a idade que tem. Lembra que quando se transferiu de São Luís para Presidente Vargas, município do Baixo Munim detentor de IDH irrelevante, perdeu o registro civil. Teve que tirar outro, daí não ter certeza da idade. Sabe, porém, que deu à luz a 11 filhos.
    Orgulhosa, Francisca afirma: todos vivos. Três deles a acompanham na peregrinação à Paulica, povoado à margem da BR-222 no Maranhão, na procissão de abertura dos festejos de São Raimundo Nonato dos Mulundus, em Vargem Grande. O marido Sebastião, o segundo com quem se juntou quando tinha quatro filhos, é lavrador.
    Sem a cintilância da vaidade aparente, Francisca veste sua melhor roupa, que não é nova. Na sacola não vistosa carrega um saco com farofa de galinha. Por volta do meio dia, quando o sol queima o chão e as peles tostadas dos romeiros devotos do santo vaqueiro não reconhecido pelo Vaticano, a mulher abre o saco plástico com a alimentação e a distribui entre os filhos. Comem com as mãos. Retalham a carne no dente. 
    Terminada a refeição Francisca saca uma garafa pet com um líquido turvo. Oferece ao filho maior que dispensa a bebida. Suco de limão?! Esses dias a água está assim desse jeito (leitosa) no poço, responde Francisca resignada.
    Os filhos, menores, não foram à aula a pretexto da promessa a São Raimundo dos Mulundus. Os outros nem isso: trabalham no dia a dia com o pai na roça. Os maiores foram para São Luís.
    Francisca é um retato do Maranhão pobre, turvo na trave do olho da governadora do Maranhão. Roseana Sarney Murad não trabalha com o real. Sua visão é forjada pela política real que os Sarney impingem no estado com piores índices de desenvolvimento social do país, quiçá do mundo.
    Para a governadora o discurso da pobreza é retórica inerente à oposição. Interessante é o silêncio do PT diante dos arroubos da filha do presidente do senado. Não estaria ela na contramão do Brasil sem Miséria,lema do terceiro mandato petista no Palácio do Planalto. Talvez por renegar a realidade atroz que assola aos maranhenses é que o PT, parceiro do governo Roseana, não adote a agenda do lema dilmista. O Maranhão sem miséria é escamoteado pelo governo de Roseana Sarney, balizado pelos grandes projetos que movem montanhas de dinheiro, em Eike Batista, e em empreiteiros de grande dimensão, doadores de mão aberto para os políticos.

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