27 de set. de 2010

Jackson Lago participa de entrevista em TV e reafirma sua candidatura

     O candidato ao governo do estado pela coligação “O Povo é Maior”, Jackson Lago (PDT), concede nesta segunda-feira,27, entrevista à TV Cidade (Record - Canal 6) ao meio-dia, onde discorrerá sobre suas impressões do eleitorado maranhense depois de percorrer mais de 60% dos municípios em campanha.
     No sábado,23, Jackson Lago realizou mais uma grande carreata no município de Zé Doca, percorrendo mais de três quilômetros das ruas onde foi intensamente saudado pela população e demonstração de apoio ao seu retorno ao Palácio dos Leões. Ele retornou a São Luís no domingo onde permaneceu durante o dia conversando com correligionários e assessores.
     Segundo informações da coordenação de campanha está descartada qualquer possibilidade de retirada da candidatura de Jackson Lago ao governo do Maranhão. Em inúmeras ocasiões Jackson Lago afirmou que sua candidatura é um compromisso ético e moral com a população do Maranhão e com os mais de 1,3 milhão de eleitores que o escolheram como governador do estado em 2006.
     O pedetista se reúne ainda pela manhã com sua coordenação de campanha e prepara os últimos programas para o horário de propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão. Jackson Lago afirmou que está preparado para o único debate entre candidatos marcado para esta terça-feira, 28, na TV Mirante, afiliada da Rede Globo e integrante do Sistema de Comunicação do grupo Sarney.

Lobão e Nice superfaturam inserção de santinhos em jornais aliados

     O senador Edison Lobão, ex-ministro das Minas e Energia do governo Lula e candidato à reeleição tendo como primeiro suplente o filho, Edison Lobão Filho, inflaciona os valores das inserções de santinhos.
     Ao menos em dois dos jornais de circulação diária em São Luís; em O Estado do Maranhão, fundado por José Sarney e Bandeira Tribuzzi; e no Correio de Notícias, de propriedade de Gioldo Moraes, assessor do vice-governador e candidato ao Senado, João Alberto, o senador faz publicar propaganda de campanha paga no valor de R$ 1.000,00 por inserção.
     Os valores dos anúncios de Lobão espelham o de sua mulher, a deputada federal Nice Lobão (DEM), candidata à reeleição. O casal optou pelos mesmos veículos na publicação dos santinhos. Nice não faz campanha para Dilma Rousseff nem para João Alberto (PMDB), o segundo senador da coligação "O Maranhão não pode parar".
     A média entre os jornais não supera R$ 200,00. No jornal de maior circulação diária na capital maranhense, o Aqui-MA pertencente aos Diários Associados, também inscrito no Instituto de Verificação de Circulação, IVC, como O Estado dos Sarney, uma inserção no mesmo tamanho (duas colunas de largura por 15 centímetros de altura, com pequena variação nesta última) sai por cerca de R$ 163,00.
     No Jornal Extra, um dos doze matutinos de São Luís, há uma confusão de preços. Ao mesmo tempo em que informa que o valor da inserção é de R$ 20, 00, no total de dez inserções o valor da publicação soma R$ 1.000,00. No Extra e no Correio as publicações são em preto e branco.

Rita Lee: "Já pedi perdão de joelhos"

*Mônica Bergamo
Ao comentar a escolha de Itaquera para abrigar o estádio do Corinthians, Rita Lee disse no Twitter: "Para quem não conhece, Itaquera é o c... de onde sai a bosta do cavalo do bandido". A mensagem repercutiu e apareceu no "Fantástico". A cantora disse que foi ameaçada e deixou o Twitter. Depois, voltou. Ela falou por e-mail à coluna:
Folha - O que achou da frase sobre Itaquera parar na TV?
Rita Lee - Disse merda e recebi merda de volta. Com relação ao "Fantástico", me convidaram para gravar "Repórter por Um Dia" em Itaquera e recusei, porque não sou boba. A última vez que participei do programa foi numa entrevista sobre maus tratos de animais. Fui processada pela "tchurma" de Barretos. Ganhei nas duas instâncias, mas foi um saco não poder fazer meus discursinhos. Estou sabendo que o jornalismo do "Fantástico" quis se vingar jogando gasolina no fogo. É duro ser cigarra no meio de formigueiros. [A assessoria do "Fantástico" diz que "não existe vingança"."Ela fez um comentário público e reproduzimos."]
Qual a pior ameaça recebida?
Uma bala na cabeça foi o mais bonzinho. O pior foram ameaças de morte à família.
Continua corintiana?
Eu já pedi perdão de joelhos a Itaquera, sei quando faço uma cagada homérica, mas jamais disse algo desprezível sobre o Corinthians! Acho mesmo é que o novo estádio será uma baita de uma roubalheira sem tamanho.
Por que voltou ao Twitter?
Os amiguinhos tuiteiros me pediram pra voltar. E me divirto pra "carai". Meu mestre João Gilberto me disse que nessas alturas do campeonato posso dizer o que bem entendo, quando bem entendo. Sou apenas o gafanhoto...
Você tuita muito sobre a novela "Passione". Qual o segredo de Gerson?
Primeiro pensei que Gerson nutria um tesão por Mauro desde a infância. Instalou uma câmera escondida no banheiro do outro e ficava espiando pelo computador. Depois, que tinha tesão em ver gente estraçalhada em desastre, tipo Lady Di. Agora, acho que tem tesão pelo computador, um "Macintófilo".

Ficha Limpa: STF só decidirá se lei é válida após as eleições

     Não há previsão de data para o Supremo Tribunal Federal (STF) tomar uma decisão sobre a validade da Lei da Ficha Limpa para as eleições deste ano. Sabe-se, entretanto, que a Corte não baterá o martelo até o dia das eleições, no próximo domingo.
     A decisão deverá ser tomada no julgamento do caso de Jader Barbalho (PMDB) ou de Paulo Rocha (PT), candidatos ao Senado no Pará. Ambos foram barrados pela Justiça Eleitoral porque renunciaram ao mandato para fugir de processo, conduta reprovada pela nova lei.
     No julgamento, o STF fixará um parâmetro a ser seguido na análise de outros políticos na mesma situação, sejam candidatos a cargos do Executivo ou do Legislativo.
     Como a definição virá apenas após as eleições, os candidatos barrados em definitivo pela Justiça não serão conhecidos do eleitor.
     Por isso, o risco de haver eleições extras persiste.
     São comuns eleições suplementares para cargos do Executivo. Além da Lei da Ficha Limpa, outros motivos podem impedir alguém de obter o registro de candidatura, como a falta de quitação com a Justiça Eleitoral, filiação partidária inferior a um ano, falta de incompatibilização com o serviço público no prazo certo e a condenação por crimes eleitorais.
Nas eleições de 2008, mais de uma centena de candidatos ganharam a disputa para prefeito no primeiro turno. Porém, como não conseguiram obter o registro em recursos judiciais, foram impedidos de tomar posse.
     Desde 2008, foram realizadas eleições suplementares para prefeito em 113 municípios brasileiros.
     O estado com o maior número de eleições extras foi Minas Gerais, com 23.
     Outras seis votações estão marcadas para ocorrer ainda neste ano, em cidades de Rio de Janeiro, Piauí, Mato Grosso e Bahia.
De O Globo

Marajá, mas com vala de esgoto e sem médicos: município maranhense tem os piores indicadores sociais do país

Evandro Éboli
de O Globo
MARAJÁ DO SENA (MA) - Cravada num belo vale de serras formadas por palmeiras de babaçu, Marajá do Sena, a 350 quilômetros de São Luís, não acompanha a exuberância de seu entorno. Com os piores indicadores sociais do país, sua população tem água encanada dia sim, dia não. Não há médico na cidade, cujas ruelas de terra têm esgoto a céu aberto. O acesso a Marajá é por uma estrada de terra esburacada. Para ir a outras cidades, a população usa o pau de arara.
     Na Câmara Municipal e no posto de saúde, um aviso: no dia 10 de outubro estará na cidade um "médico oculista": "Falar com o senhor Reginaldo na farmácia básica do centro de saúde". As consultas serão no pequeno plenário da Câmara, cujos nove vereadores só se reúnem três vezes por mês. O salário é de R$ 1.200.
     - Abrir a Câmara para atender à população com consulta médica é uma maneira de ajudar as pessoas. É um local público - diz Celestino de Jesus, vereador pelo DEM e presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da região.
     O centro de saúde oferece poucos serviços: dentista, exames de fezes e urina, suturas e parto normal, este realizado por enfermeiras. Não há condições para uma cesariana. Dois clínicos gerais, de fora, revezam-se no atendimento à população, um dia da semana.
     As condições de saneamento são péssimas. O esgoto é a céu aberto, sem canalização ou tratamento. Maria Aneila Silva - cozinheira do prefeito, Manoel Edivan (PMN) - mora numa casa de taipa com a filha Jessicleia. Seu banheiro é um quadradinho cercado de palha de babaçu, no quintal, e o vaso sanitário é um buraco na terra. Chuveiro é luxo. Quem tem energia puxou um "gato" do poste da rua. A água encanada é usada para lavar louça, cozinhar e beber. Poucas casas têm filtro.
     - A situação é essa. A gente fica pelejando para mudar as coisas, mas não é fácil - diz Maria Aneila, que isenta o patrão-prefeito de responsabilidade. - As pessoas ficam condenando ele, mas é um homem bom que tá tentando melhorar a cidade.
     Evandro Rodrigues de Lima, dono de um pau de arara, pode ser considerado um empresário. Gastou R$ 100 mil para ter o caminhão. Ele tem 30 anos e desde os 18 trabalha com pau de arara - antes, era cobrador. Todo dia, faz um percurso de 110 quilômetros, em sete horas. Segundo Evandro, se o trecho fosse asfaltado o percurso levaria três horas. Quando o caminhão atola, os passageiros ajudam, conta ele, que não revela quanto ganha:
     - Mas não sou um marajá de Marajá. Sobrevivo.
     Josafá Alves, um dos mais antigos moradores da cidade, está ciente de que Marajá do Sena sempre aparece nas listas dos piores índices de desenvolvimento. E diz que já foi pior:
- Para levar um doente até a cidade era preciso caminhar dez horas carregando ele numa rede até o rio mais próximo. De lá, ia de voadeira (barco com motor) até a cidade para ser atendido em hospital. Isso recentemente, nos anos 80 e 90.
Hoje há duas ambulâncias. Mas uma estava no conserto.
     Nesse quadro se destaca a Unidade Escolar Teixeira Santos, único colégio da cidade: as instalações são espaçosas e há até sala de computador. São 500 alunos no ensino fundamental, em três turnos. Por causa do acesso difícil, a merenda às vezes não chega. Na última semana, isso ocorreu duas vezes.
     A cidade foi emancipada em 1994. As ruelas têm os nomes de políticos que participaram da sua criação. Ignorada pelo poder público, Marajá só não é esquecida em época de eleições. Com 6.500 eleitores, ela está repleta de cartazes de candidatos que nem aparecem lá. Voto, em Marajá, eles mandam buscar.

Manchetes dos jornais

JORNAL PEQUENO - Candidatos saem às ruas e partem para o "tudo ou nada" na campanha
O ESTADO DO MARANHÃO - Roseana é saudada em grande carreata
O IMPARCIAL -Polícia Federal fecha o cerco contra compra de voto

26 de set. de 2010

Às vésperas do pleito

Ferreira Gullar
     A PROXIMIDADE do dia das eleições, quando iremos às seções eleitorais exercer nossa cidadania, votando nos candidatos de nossa preferência, tem inevitavelmente acirrado os ânimos, não só dos candidatos, como os nossos, de eleitores.
     Isso pode ser bom ou mau. É bom quando indica empenho em escolher os melhores para legislarem e governarem -e é mau quando nos leva a perder a capacidade de discernir o certo do errado, a mudar a convicção política ou ideológica em fanatismo.
     Sem pretender me dar como exemplo de isenção, verifico, não obstante, como algumas pessoas passam dos argumentos objetivos -ainda que impregnados de paixão- a afirmações que mitificam a personalidade deste ou daquele candidato.
     Como já escrevi aqui, repito agora que não pertenço a partido político nem tampouco estou engajado na campanha de nenhum candidato. Ao opinar sobre qualquer deles, faço-o na condição de articulista que, assim como discute questões culturais e sociais (arte, política psiquiátrica, inoperância da Justiça, ficha suja etc.), discute também a conjuntura política que, neste momento, interessa à maioria dos leitores.
     Podem meus comentários, eventualmente, influir na decisão de um ou outro leitor, mas não é essa minha intenção prioritária e, sim, contribuir para que sua escolha se faça da maneira mais lúcida e autônoma possível. Acresce o fato de que outros comentaristas opinarão em sentido diverso, trazendo à baila outros argumentos e, com isso, contribuindo para que o debate se amplie e se aprofunde. Situo-me no polo oposto àqueles que aspiram chegar a uma sociedade de uma opinião só.
     É com esse propósito que tenho abordado aqui alguns aspectos polêmicos da conjuntura eleitoral e política. Procuro, igualmente, refletir a preocupação de outras pessoas que, mantendo-se à margem da disputa eleitoral, manifestam preocupação com o rumo que as coisas estão tomando, sendo que alguns deles temem pelo futuro da própria democracia brasileira.
     Para estes, a vitória de Dilma Rousseff, por implicar o prosseguimento no poder do mesmo partido, poderia ter consequências imprevisíveis, dado o crescente aparelhamento da máquina do Estado por petistas e sindicalistas, que a utilizam partidariamente.
    Isso poderia levar à crescente privatização do Estado, em benefício de um mesmo grupo político e, em última instância, ao cerceamento da ação política divergente.
     Faz parte deste processo a mitificação da figura de Lula que, no curso de sua história pessoal, passou de líder raivoso a Lulinha paz e amor e agora -para meu espanto- à categoria de grande estadista, que teria mudado a face do Brasil.
     Nessa linha de raciocínio, vem se formando a teoria segundo a qual quem se opõe a Lula opõe-se na verdade ao povo brasileiro, uma vez que ele é o primeiro presidente, "que veio do seio do povo".
     Trata-se de um argumento curioso, que busca qualificar o indivíduo -no caso, um líder político- por sua origem social de classe. Digo curioso porque os que assim argumentam consideram-se obviamente de esquerda, mas não se dão conta de que, com esta postura, repetem as elites do passado, que também qualificavam os indivíduos por sua classe social de origem.
     Naquela visão -que a esquerda definia como reacionária-, quem tivesse origem nobre era tacitamente superior a quem não o tivesse. Agora, na sua inusitada avaliação, superior é quem nasce do "seio do povo" e, por isso, quem critica Lula coloca-se, na verdade, contra o povo. E povo -entenda-se- é só quem for pobre. Mas atrevo-me a pergunta: e quem não recebe Bolsa Família é o que?
     Não resta dúvida de que a ascensão de um operário à Presidência da República brasileira é uma importante conquista de nossa democracia, mas não porque quem nasce no seio do povo venha impregnado de virtudes próprias aos salvadores da pátria. Do seio do povo também veio Fernandinho Beira-mar.
     Lula chegou onde chegou não por sua origem e, sim, por sua capacidade de liderança e sua sagacidade política; a origem social e a condição de operário, que certamente influíram na decisão do eleitor, não devem servir de pretexto para transformá-lo num líder a quem tudo é permitido, acima de qualquer juízo crítico.

Maranhão: Imagem de São José de Ribamar vista da baía de São José