6 de dez de 2010

Dilma mantém Lobão apesar de lobby na ANP

BRASÍLIA. Apesar do desconforto, a presidente eleita, Dilma Rousseff, vai manter o convite para que o senador Edison Lobão (PMDB-MA) volte a ocupar o Ministério de Minas e Energia em seu governo. Segundo integrantes da equipe de transição, a reportagem publicada pelo GLOBO ontem revelando que dirigentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicados por Lobão tomaram decisões que beneficiaram a Refinaria de Manguinhos, investigada por fraude, não mudou a situação política do senador peemedebista, que vai voltar ao primeiro escalão do governo.
    O convite a Lobão foi feito na última-quinta-feira, e só não foi oficializado na semana passada por causa de uma rebelião no PMDB. O anúncio pode ocorrer esta semana, junto com os nomes de outros três peemedebistas que vão assumir ministérios no próximo governo.
    O fato de o suspeito de chefiar a máfia dos combustíveis, o empresário Ricardo Magro, ter sido recebido pelo então senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA), filho de Lobão, antes da decisão da ANP, criou um clima de constrangimento na equipe de transição, segundo um interlocutor de Dilma. Desde que O GLOBO divulgou as primeiras notícias sobre a máfia dos combustíveis no Rio, a equipe de transição passou a tomar um cuidado redobrado com o assunto.
    Mas avaliação feita por petistas é de que, até agora, não há uma prova concreta incriminando o pai. Além disso, Lobão é visto como um fiador da relação entre PMDB e PT, principalmente num momento de crise política.
    Lobão disse ao GLOBO ontem que não pode ser envolvido no assunto porque a ANP é independente do Ministério de Minas e Energia e as decisões da agência não passam pela pasta. Por isso, segundo ele, a própria ANP é quem deve se pronunciar sobre o assunto. Lobão argumentou que, enquanto ministro, apenas indicou um diretor para a ANP: Allan Kardec, ligado ao PCdoB, partido também do diretor-geral da própria agência, Haroldo Lima.
- O PMDB não tem nada a ver com isso. Nem eu - disse o senador, acrescentando que as supostas denúncias não causaram problemas entre o PMDB e o PT:
- Ninguém, nem a presidente Dilma, me procurou para falar sobre isso.
    Lobão disse, ainda, que o fato de seu filho ter recebido Ricardo Magro também não pode ser ligado a ele, como ministro à época. Lobão afirmou desconhecer se houve esse encontro.
- Um senador recebe várias pessoas. Que mal há nisso? - perguntou o senador.
De O Globo

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