27 de dez de 2010

Novais, por Novaes

Carlos Eduardo Novaes, escritor
     Quer dizer que o deputado Pedro Novais – que caiu de pára-quedas no ministério da Dilma, jogado do avião do Sarney – antes de assumir a pasta do Turismo já botou na conta do governo a excursão que fez ao Motel Caribe em São Luis?
    Como você sabe, os parlamentares em Brasília têm direito a uma tal verba indenizatória – era de R$ 32 mil por mês – para compensar seus baixos salários. São gastos com os ossos (duros) do ofício ressarcidos posteriormente mediante a apresentação de notas e recibos. Foi assim que um assessor do Novais chegou à secretaria da Câmara carregando uma pilha de papéis.
    – O que é isso? – indagou o funcionário, conferindo as notas – R$ 22 mil só em diárias no Hotel Emiliano? É um dos mais caros de São Paulo!
    – Você queria que um deputado de seis mandatos e 80 anos se hospedasse em uma pensão? – e acrescentou – Ele não é povo. É representante do povo! É diferente.
    – Ele não é deputado pelo Maranhão?
    – Por isso mesmo! Não tem onde ficar em São Paulo!
    – Mas por que tantas diárias? Ele despacha de São Paulo?
    O assessor ficou irritado com tantas perguntas:
    – Vai dizer que você nunca viu uma nota desse valor? Vamos logo com isso!
    – Não posso aceitar essa nota sem saber a razão das despesas.
    – Ah não? Espera que você vai receber uma ligação do gabinete do senador Sarney. Sarney é padrinho do Novais, sabia?
    O funcionário entubou a nota e continuou sua conferência:
    – Motel Caribe... – leu em voz alta. – Motel Caribe?
    – Tá pensando o quê? Meu deputado tem 80 anos, mas ainda dá no couro!
    – Aqui diz que ele promoveu uma festa para 15 casais!! Não posso aceitar essa nota.
    – Por que não? Eram todos congressistas!
    – Foi alguma reunião partidária? De comissão parlamentar?
    – Exatamente! – disse o assessor, aproveitando-se da pergunta – Uma reunião da Comissão de Moral e Bons Costumes!
    – Na suíte Bahamas, a mais cara do motel?
    – Os outros quartos estavam ocupados por outras comissões.
    – Essa nota vai pegar mal. Já imaginou se a imprensa tomar conhecimento? Vai ser um escândalo! Já seria se o deputado tivesse 30 anos e acompanhado de uma única mulher. Com 80, e 15 casais, o escândalo será muito maior!
    O assessor estava impaciente:
    – Vai ou não vai ressarcir essa despesa? Mistura essa nota com as outras que ninguém vai reparar... é tudo verba indenizatória!
    – Tudo bem – consentiu o funcionário da Câmara, pensando no emprego. – Tem algo mais para abater?
    – Só mais essa, da farmácia. Quinze embalagens de Viagra!
Do Jornal do Brasil

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