20 de abr de 2011

Assassinatos de negros continuam crescendo no país

A probabilidade de um negro ou pardo morrer assassinado é mais que o dobro se comparado a de um branco. Assim como a mortalidade entre as afrodescendentes. A expectativa de vida dessa população é inferior à branca. Apesar de o número de homicídios no Brasil permanecer estável nos últimos anos, o número de pessoas negras assassinadas continua subindo. É o que revela o Relatório anual das desigualdades sociais, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e divulgado na terça-feira,19.
    Enquanto os homicídios entre homens brancos vêm caindo ao longo dos anos, a mortandade dos negros e pardos é inversa. O estudo indica que a probabilidade de um homem preto ou pardo morrer assassinado é mais do que o dobro se comparado a de um indivíduo que se declara branco.
    Em 2001, homens pretos ou pardos representavam 53,5% do total. Ao mesmo tempo, os brancos significavam 38,5%. Já em 2007, do total de homicídios registrados, 64,09% eram de negros. Já a proporção de brancos recuou para 29,24%. Em 2007, para cada 100 mil habitantes, 59,8 homens pretos ou pardos morreram assassinados. Entre a população masculina branca, essa proporção foi de 29,2 homens mortos a cada 100 mil habitantes.
    No início da década, foram registrados 44.105 assassinados de homens. Em 2007, esse dado ficou estatisticamente estável, recuando para 43.938. Entre as mulheres, diz o relatório, a razão de mortalidade das pretas ou pardas era 41,3% superior à observada entre as mulheres brancas, segundo os dados de 2007.
Vida
    A expectativa de vida da população negra continua inferior à da branca. Entre a população preta e parda, a expectativa de vida, em 2008, era de 67,03 anos. Entre a parcela de cor branca, a perspectiva era de 73,13 anos.
    O levantamento inédito foi preparado pelo Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, estando incluído no relatório desenvolvido pela UFRJ. O estudo foi elaborado a partir de dados do Ministério da Saúde e da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad).O Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009-2010 aponta a persistência e até agravamento da desigualdade entre negros e pardos, de um lado, e brancos, de outro, no Brasil.
Da Folhapress

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