20 de abr de 2011

Sarney, Aécio e Bolsonaro: quando o mau exemplo vem de cima

Bárbara Souza
    Na semana passada, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tentou minimizar a gravidade da sua decisão de dispensar parte dos servidores do seu gabinete da tarefa de registrar o ponto. Vale lembrar: foi na gestão de Sarney à frente da Presidência do Senado que foram criadas aberrações como a chamada “Diretoria de Garagem”, formalmente batizada pelo pomposo nome de "Coordenação de Administração de Residências".
    Ao dispensar um terço dos servidores que trabalham em seu gabinete, o senador desdenhou o fato de que foram gastos mais de R$ 1 milhão para a instalação dos novos equipamentos de registro de ponto no Senado. Além disso, a liberação do ponto é um ato que depõe contra a suposta intenção de moralizar o serviço público. Sarney, que está no quarto mandato como presidente do Senado Federal, disse à Folha de S. Paulo que não considera sua decisão um mau exemplo. "Ao contrário, é um bom exemplo porque são muito poucos os que nós liberamos, são aqueles que essencialmente o diretor achou que para o seu serviço era preciso. Muitos gabinetes liberaram todos os funcionários", afirmou.
    No último domingo (17), foi a vez do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Parado por uma blitz no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, às 3h, o parlamentar estava com a carteira de habilitação vencida e não quis fazer o teste do bafômetro. Segundo alegou em nota enviada à imprensa, Aécio não fez o teste porque o documento estava vencido mesmo, e ele não iria mais dirigir o automóvel. Por isso, diz a nota, o senador não viu sentido em se submeter ao teste. Então, tá.
    Recentemente, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) fez declarações que beiram o estado da arte do racismo e da homofobia, ao responder à cantora Preta Gil, que não discutiria “promiscuidade”, se referindo à possibilidade de um filho seu se apaixonar por uma negra. A emenda saiu pior que o soneto. O polêmico deputado tentou justificar sua resposta, alegando que teria confundido a palavra “negra” com “gay”. Problemas auriculares à parte, o resultado não se altera: é preconceito puro e aplicado. No último dia 13, Bolsonaro apresentou sua defesa e disse que está sendo alvo do “fascismo das minorias”. Agora, o discriminado é ele?
    São três situações distintas que revelam o mesmo: a classe política no Brasil tem se mostrado pródiga em dar mau exemplo e subestimar a inteligência do cidadão, apresentando justificativas toscas para decisões e atitudes que afrontam o decoro parlamentar e as leis.
Do Polícia Hoje

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