19 de jul de 2011

2012 vem aí

* João de Deus Castro
    São Luís será mais uma vez palco da principal disputa política no estado do Maranhão, em 2012. Pudera. Trata-se do principal orçamento do estado, só superado pela própria esfera estadual de governo. E é também onde têm expressão política mais vívida as principais forças, à direita e à esquerda, que se digladiam pelo poder, no estado, há pelo menos 30 anos.
    A situação de abandono em que se encontra a capital é triste e vexatória para seus moradores. Para os senhores no poder nem tanto. Estão acostumados a fazerem o que bem entendem do orçamento público, que tomam como se fosse privado, ou melhor, familiar. É um costume antigo que se perpetua em nosso Maranhão. Há exceções, claro, e melhor, há resistência. Porém, os desafios são gigantescos e a conjuntura política é das mais complicadas.
    São Luís, que sempre foi um bastião dessa resistência, sob governos principalmente do PDT de Jackson Lago, encontra-se, desde 2009, sob o comando (tacão) do ex-governador biônico dos tempos da ditadura, João Castelo (PSDB). Um oligarca que disputou o governo da cidade várias vezes, vencido pelo mesmo PDT, e que não se incomoda com ruas esburacadas, transporte público destruído e caro, saúde e saneamento quase inexistentes e população sem renda, em cujo governo encontra-se o mesmo PDT (ou talvez seja outro). Mas Castelo larga em 2012 com pelo menos 30% das intenções de voto e será o alvo da maioria dos outros candidatos.
    A oligarquia Sarney, no governo do estado há quase 50 anos, ainda não definiu candidatura em São Luís e joga com diversas possibilidades, desde candidatura própria (PMDB) até uma aliança, apresentando o vice, com o PT, desde que este se disponha a aprofundar mais ainda o fosso em que se metera e no qual afunda, aliando-se a Roseana Sarney em 2010, oferecendo tempo de TV para campanha e o vice, Washington. E passando por cima da maioria do partido, no Maranhão, que seguiu com Flávio Dino (PCdoB). A participação do PT no governo é pífia, e a participação do governo na melhoria de vida do povo é zero. O PT, por esta via, colhe contradições e desacumula forças para qualquer propósito pela esquerda.
    O ex-deputado federal Flávio Dino, recém-nomeado para o comando da Embratur, demonstrou com isso força política e prestígio junto a Dilma, ainda que alguns levantem diversas suspeitas ao suporem que tal só seria possível com as bênçãos de Sarney. Um raciocínio tosco, claro, que coloca Sarney acima da presidenta, embora o comportamento do comunista venha dando azo a isto, na medida em que se pronuncia pouco e, quando o faz, não afronta a oligarquia. Já deu provas de que, quando decide, vai direto na jugular, vide a reta final da campanha de 2010, quando mais cresceu, quase chegando ao segundo turno. Desde 2008 que é assim. Sinal de que há por trás disto não o rabo preso à oligarquia como muitos imaginam, mas uma tática delicada, qual seja, de não se distanciar do governo federal, do qual seu partido é base de sustentação, assim como Sarney. O argumento de que Flávio ficou justamente sob o guarda-chuva do Ministério do Turismo, que tem à frente Pedro Novais, homem de Sarney, também cai por terra. Novais é claramente dos ministros mais enfraquecidos do governo Dilma. A revista Carta Capital (13 de jul/11) dá conta de que “Dilma pensou em dispensá-lo dias antes de assumir, quando foi divulgado que, ainda deputado federal, pagara uma festa de motel com verba da Câmara. Apadrinhado por (...) Edson Lobão e (...) José Sarney, acabou mantido no cargo, mas totalmente desprestigiado, a ponto de nunca ter sido recebido em audiência individual pela presidenta e de o orçamento da pasta ter sido cortado em 84%. (...) em seis meses no cargo, o ministro assinou uma única portaria”. E ainda: “Outro sinal de desprestígio foi a recente indicação de um desafeto de Novais e Sarney, o deputado Flávio Dino, do PcdoB maranhense, para a presidência da Embratur”. Flávio Dino foi nomeado não por causa, mas apesar de Sarney, e entraria em 2012 com pelo menos 30% de intenções de voto.
    Talvez Dilma entenda, melhor do que Lula, que há uma direita oposicionista, mas também há uma direita na coligação governista. E como a primeira foi reduzida (PSDB e DEM) e a segunda tem crescido (PMDB), não é bom descuidar. A retirada sem traumas de Alfredo Nascimento da pasta dos Transportes também é sinal disso. Bom sinal. Pena que o PT do vice-governador Washington não entenda isto, e só consiga vislumbrar táticas cujo sentido estratégico acaba por fortalecer o PMDB e secundarizar o papel do PT no Maranhão. Há espaço, e muito, para uma candidatura de esquerda em São Luís, petista, polarizadora e mobilizadora, a ponto de ir para o segundo turno e vencer, ou, no mínimo, de não permitir que João Castelo se reeleja, para o bem da cidade. E ainda acumule forças para dificultar a vida da direita em 2014, quando então a oligarquia Sarney se veria novamente em sérios apuros.
    O deputado estadual Bira do Pindaré representa essa possibilidade. Em recenteSeminário da Resistência Petista, realizado em São Luís no dia 09 de julho, com diversas forças internas do partido, com a presença de Renato Simões e do deputado estadual. Marcelino Galo (BA), ambos da direção nacional do PT, de dirigentes de diversos municípios do estado, o campo petista antioligarquia confirmou o nome de Bira do Pindaré à prefeitura da capital, juntamente com outros a serem levados para as instâncias do partido: Terezinha Fernandes, Expedito Barroso e Adalberto Franklin (Imperatriz), Genilson Alves (São Mateus), Arnaldo Colaço (São José de Ribamar), Socorro (Centro Novo) etc.
    Não há tempo a perder. É construir uma saída pela esquerda para São Luís e para o Maranhão. E nisto o PT ainda pode jogar um papel central, desde que perceba que os aliados oportunistas de agora são na verdade inimigos de classe de sempre. Basta ver a realidade do povo para perceber o óbvio: a adesão da oligarquia Sarney ao governo federal nunca trouxe qualquer proveito para o Maranhão, mas, isto sim, constitui-se em forte obstáculo à entrada de políticas públicas, desenvolvimento e democracia.
*João de Deus Castro é ex-Secretário de Juventude do PT/MA e servidor público do MPF/SP

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