19 de jul de 2011

Ela ou ele?

Eliane Cantanhede
BRASÍLIA - Enquanto Dilma tenta desinfetar o Ministério dos Transportes e tem de se preparar para nuvens carregadas no horizonte da economia mundial, com os EUA afundando em incertezas e a Europa fazendo água por todo lado, Lula vai nadar de braçada na onda da eleição municipal de 2012.
    Ele brilhou no congresso (pago com dinheiro público) da nova UNE, em Goiânia, e no dia seguinte, num encontro da União Geral dos Trabalhadores, já em São Paulo. Enquanto ele brilhava e ia de um a outro no jatinho do deputado Sandro Mabel, mandachuva do PR, Dilma se esfalfava justamente para varrer o partido dos Transportes, herança de Lula.
    A carona com o PR, porém, não é nada demais ou, pelo menos, não tem nada de novo, já que o último ato de Lula ao descer a rampa do Planalto em janeiro foi convidar o senador José Sarney para ir no seu avião até São Paulo, apesar do constrangimento: a família Sarney é investigada pela Polícia Federal.
    Depois dos encontros dos estudantes e dos sindicalistas, quando aproveitou para lançar o ministro Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo à revelia do PT, Lula comunicou que vai viajar pelo país inteiro, de Estado em Estado -ou seria de palanque em palanque?
   Ao deixar a Presidência, Lula disse que estava "desencarnando". Pois reencarnou muito cedo, e continua vivíssimo. Além das viagens, ele tem o Instituto da Cidadania, está criando o Instituto Lula e anunciou que vai ter um site, com seus vídeos, fotos, discursos.
    Enquanto isso, mantém na cola de Dilma um seleto grupo de ex e atuais ministros e assessores. Nele se destaca Gilberto Carvalho, o mais fiel dos fiéis lulistas, que se tornou uma espécie de mordomo do Planalto. Onde Dilma vai, lá está ele, como uma sombra.
    No mínimo, no mínimo, é muito cedo para apostas sobre quem vai ser o candidato do PT à Presidência em 2014: ela ou ele?
Da Folha de S. Paulo

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