9 de dez de 2010

Desmatamento: avanço de pastagens se concentra no Maranhão e Rondônia

    O primeiro mapa nacional do uso da terra no Brasil, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a pecuária, intensa na Região Centro-Oeste, principalmente em Mato Grosso do Sul, avança para o Norte, em direção ao Tocantins, e já se concentra no Maranhão e Rondônia. O mapa revela que essa atividade e a agricultura, que pressionam o bioma amazônico, "encostam" em unidades de conservação e terras indígenas.
    O trabalho transformou em imagens os números do Censo Agropecuário 2006, publicado em novembro de 2009, que apontou alta concentração de terras e forte presença da agricultura familiar no País.
    Para o diretor de campanhas do Greenpeace, Sérgio Leitão, o mapa "reflete cartograficamente o processo de tensão" no Norte. "Há uma tensão que vai explodir na região, com essas pressões de especulação para ocupar as últimas fronteiras de terras virgens para permitir processo de acumulação similar ao que a gente viu nos últimos 500 anos em relação à Mata Atlântica e ao Cerrado", afirmou. Leitão criticou ainda as tentativas de se modificar o Código Florestal e a falta de investimento para que sejam criados instrumentos econômicos para gerar o que classificou de "economia da floresta".
    O mapa aponta concentração de áreas muito verdes na Região Norte, onde há atividade extrativista. As Regiões Sul e Sudeste, seguindo para o Norte, estão mais caracterizadas pela lavoura temporária. A pastagem plantada, substituindo a pastagem natural, é mais característica da Região Centro Oeste (mais informações nesta página).
    Segundo Heloísa Domingues, gerente do projeto, o mapa mostra a diversidade de atividades da faixa a leste da linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, que são as áreas ocupadas mais antigas. Não há como fazer comparação do avanço da pecuária e da agricultura em relação ao censo agropecuário anterior, de 1996, que não foi transformado em mapa. Para isso, o IBGE fará um estudo retroativo, que será publicado em 2011.
De O Estado de S.Paulo

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