14 de mar de 2011

Circos Tihany e Voador, paradoxos sob lonas

    Montado em um terreno baldio do Parque Vitória, bairro operário na periferia de São Luís, o Circo Voador (homônimo do empreendimento de Perfeito Fortuna no Rio que aterrissou no Maranhão em 1985 sob auspício da Nova República) é reverso do Tihany. Desamparado de incetivos fiscais, o Voador patina na falta de público, sem eira nem beira para aguentar até mesmo a intempérie mais previsível.
    Criado em Fortaleza há mais de 20 anos, retrata o lado subsaariano desse quinhão nordestino.No lado Bélgica, aquele em que os restaurantes por lei são obrigados a fornecer fio dental à la vonté - está montado o Circo Tihany com selo estampado da Lei de Incentivo à Cultura na lona e o aporte da Cyrella, mega construtora que patrocina a temporada em São Luís. O projeto da Mondo Entretenimento ainda conta com patrocínio cultural da CIELO e SulAmérica.Daí a inspíração em Las Vegas ser pertinente.
    Daniel, o palhaço Sorriso, divide o palco com outros membros da trupe do Voador e da própria família. Seu sonho: ir para um circo grande. Sua lembrança mais marcante: Beto Carreiro. Há 14 anos é palhaço, trapesista e
pau pra toda obra em circo pelo país. "Na próxima semana vou estar no Rio Grande do Sul", projeta.
    Paradoxalmente, há semelhanças entre o Voador e o Tihany. Não nas instalações; no conteúdo artístico. "Sorriso" resume: "Lá são apenas seis números, os outros são musicais".
    No universo circense o Tihany ocupa lugar zenital. É estrela de grandeza imensurável. Sob a lona, tudo reluz no tom do vil metal. Cardápio de deixar faquir salivando, mulheres de estontear eunuco, são números para colher numerários. Já o Voador é um meteoro que causa rebuliço em comunidades de não endinheirados ou sem nenhum dinheiro. A higiene ameaça o sabor das guloseimas vendidas no intervalo (olha a semelhança!), mas o preço convidativo induz. Até mesmo um cachorro de estimação, que no Tihany é felpudo à beça, no Voador tem outra pelúcia. Tudo isso se traduz no abismo entre os preços dos ingressos metrifica as realidades disparatadas.
    Em São Luís o Tihany se adequou à clientela dos patrocinadores. Mesmo com a contrapartida social (sessões especiais para as escolas da rede pública), praticou preços mais elevados que Manaus (AM), por exemplo, onde os ingressos variavam de R$20 a R$80. Na capital do Maranhão o ingresso variou de R$ 20 a R$ 120,00. Prova de que pão e circo, esses produtos universais, têm preços variados e proibitivos para muitos.
Assista número de abertura do Circo Voador:

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