7 de mar de 2011

A sucessora

Adão Oliveira
O ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz possui uma larga folha de desserviços prestados à comunidade brasiliense. Muita falcatrua foi feita por ele, ou em torno dele.
Roriz surgiu no governo da Nova República - leia-se José Sarney - como governador nomeado do Distrito Federal, depois de ter "negociado" uma bela gleba de terra de sua propriedade com o presidente da República.
    Não satisfeito com a "gentileza", Roriz, já nomeado governador, mandou asfaltar a estrada interna do sítio que foi batizada por Sarney com o nome de São José do Pericumã.
    Depois disso, reelegeu-se por mais duas vezes. Matuto, mas muito esperto, Roriz transformou Brasília num canteiro de obras. E através delas, multiplicou sua fortuna em alguns milhões de dólares.
    Suas eleições ocorreram às custas da explosão demográfica da Capital Federal. Em troca de doação de lotes, sem nenhuma infraestrutura, milhares de retirantes nordestinos, convocados por ele, inundaram Brasília.
    Este pessoal transformou em votos os "favores de Roriz", elegendo-o senador da República. Sua chegada ao  Congresso durou pouco. Em 2007, Roriz foi obrigado a renunciar para não ser cassado.
    Na época, foi pego em escutas telefônicas na partilha de um cheque do empresário Nenê Constantino no valor de R$ 2,2 milhões com ex-presidente do Banco Regional de Brasília.
    Nenê Constantino - dono da Gol Linhas Aéreas - é o mesmo correto cidadão que está sendo acusado de ter mandado matar oito pessoas, entre elas, dois ex-genros.
    Roriz deixou o cargo de senador e voltou ao cenário político em 2010, quando tentou ser candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF), mas foi barrado pela Justiça Eleitoral.
    Numa manobra vergonhosa, substituiu seu nome na chapa pelo de sua mulher, Wesley Roriz. Depois disso, Roriz saiu de cena, mas deixou como sucessora, Jaqueline Roriz, eleita recentemente deputada federal, pelo PMN.
    Na sexta-feira passada, apareceu um vídeo gravado em 2006 em que Jaqueline, acompanhada de seu marido Manoel Neto, recebe cerca de R$ 50 mil do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, Durval Barbosa.
    As cenas são "fortíssimas", considerou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Pelo "andar da carruagem", Jaqueline pode ser cassada. Ophir Cavalcanti, o atento presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, está pedindo isso.
    Ainda que seja cassada, Jaqueline Roriz parece uma santa, em comparação a seu marido, Manoel Neto. Em poucos anos e através de relações suspeitas, Manoel Neto passou de vendedor de carros usados, açougueiro, dono de casa de forró, doleiro à eminência parda da política brasileira.
    Como se vê, Joaquim Roriz não será facilmente esquecido.
Do Jornal do Commercio

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